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Grupo militar muda decreto de alfabetização do MEC

09.abr.2019 - Posse do novo ministro da Educação, Abraham Weintraub - Pedro Ladeira/Folhapress
09.abr.2019 - Posse do novo ministro da Educação, Abraham Weintraub Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Renata Cafardo

Em São Paulo

10/04/2019 09h57

O decreto sobre a nova política de alfabetização no País foi finalizado ontem por um grupo comandado pelo brigadeiro Ricardo Machado Vieira, secretário executivo do Ministério da Educação (MEC). Ele mudou todos os pontos que tinham sido criticados por especialistas. Foi retirada a orientação para que escolas adotem o método fônico de alfabetização, como defendia o grupo ligado ao escritor Olavo de Carvalho dentro da pasta. Militares e os chamados "olavistas" travam uma disputa há meses no MEC.

O texto foi mudado no último dia da gestão de Ricardo Vélez Rodríguez. O novo ministro Abraham Weintraub tomou posse ontem e é admirador de Olavo. A indicação representou uma derrota dos militares, que defendiam um ministro de perfil mais técnico e sem interferências ideológicas.

A política de alfabetização havia sido colocada como prioritária para os cem dias do governo de Jair Bolsonaro, marca que foi alcançada hoje.

Métodos

O novo texto fala em uso de "metodologias variadas". No mês passado, o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso a uma minuta de decreto que dizia que os pilares do programa eram "consciência fonêmica, instrução fônica sistemática, fluência em leitura oral, vocabulário e compreensão de texto".

Além disso, a versão retificada do decreto afirma que o processo de aprendizagem da leitura e escrita se dá nos dois primeiros anos do ensino fundamental - o que é o considerado adequado nos países com melhores sistemas educacionais - e não com "priorização no primeiro ano", como dizia a minuta anterior.

Também foi retirada a parte que indicava que crianças da educação infantil deveriam iniciar o processo de alfabetização, outro ponto muito criticado. Agora, a introdução no mundo letrado é orientada a partir da pré-escola (4 e 5 anos). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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