Olimpíada da Língua Portuguesa premia 20 alunos de escolas públicas

Amanda Cieglinski
Da Agência Brasil<br>Em Brasília

Vinte estudantes de escolas públicas de 12 estados foram premiados hoje (29) na etapa final da Olimpíada da Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. O concurso teve a participação de 239 mil professores e 7 milhões de alunos do 5° ano do ensino fundamental ao 3° ano do ensino médio. Os 152 finalistas participaram da solenidade de entrega do prêmio, em Brasília.

O projeto é uma iniciativa da Fundação Itaú Social e do MEC (Ministério da Educação). O objetivo é estimular o estudo da língua portuguesa e melhorar as habilidade de leitura e escrita dos estudantes brasileiros. Os educadores inscritos participaram de cursos presenciais e receberam material específico para desenvolver as atividades da olimpíada com seus alunos.


Durante a cerimônia, o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que enviará uma minuta de decreto para a Casa Civil a fim de “institucionalizar” a olimpíada.“Políticas desse tipo não podem ser de governo, mas do Estado”, defendeu.

Os estudantes e seus professores receberam as medalhas das mãos do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Eles concorreram em quatro categorias, de acordo com a série: poema (5° e 6° ano do ensino fundamental), memórias literárias (7° e 8° ano do ensino fundamental), crônica (9° ano do fundamental e 1° ano do ensino médio) e artigo de opinião (2° e 3° ano do ensino médio).

Foram escolhidos cinco vencedores em cada modalidade de texto. Um deles foi Rossana Dias Costa, de Pedra Lavrada (PB). Aos 17 anos ela está grávida e espera para janeiro o nascimento de uma menina. A gravidez não atrapalhou que ela dedicasse horas a mais ao estudo até passar pelas quatro seletivas – escolar, municipal, estadual e regional. O texto que Rossana Dias escreveu aborda os problemas ambientais causados por uma empresa mineradora instalada na cidade onde ela mora. A empresa é a principal empregadora da maioria da população.

“Logo que a professora chegou com a ideia de participar eu me empolguei porque gosto de escrever. Fui melhorando o texto, reescrevendo até chegar à etapa regional. Muitas pessoas não acreditavam que eu tinha escrito o texto e disseram que eu ia passar vergonha”, disse.

A jovem quer cursar letras ou farmácia e espera que possa servir de exemplo para outras meninas que são mães ainda adolescentes. “Meu maior orgulho é mostrar para essas meninas que estão na mesma condição e desistem de estudar que mesmo com dificuldades a gente consegue”, afirmou.

Os 20 vencedores e seus professores receberam medalhas de ouro e computadores. As escolas onde eles estudam serão equipadas com laboratórios de informática e livros para a biblioteca. Os 500 semifinalistas ganharão medalhas de bronze e uma coleção de livros.

A professora Elisângela de Araújo, de Cruzeiro do Sul (AC), teve uma comemoração dupla: dois de seus alunos foram premiados, um na categoria memória e outro na modalidade artigo de opinião. Ela trabalha em duas escolas da cidade – uma estadual e outra municipal – e conseguiu trazer dois estudantes para a final.

“O segredo é trabalho, não tem feriado nem fim de semana, mas as oficinas para fazer. Os alunos pensavam que nunca iam ganhar uma competição nacional, por isso você tem que estar constantemente incentivando”, conta. Ela espera que a experiência sirva de estímulo para os outros professores do município.



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