Sem dinheiro, estudantes em greve da USP fazem "vaquinha" para financiar festa de calouros
Rafael Targino
Do UOL, em São Paulo
Os estudantes em greve da USP (Universidade de São Paulo) estão fazendo uma “vaquinha” para tentar financiar a festa de recepção dos calouros, conhecida como “Calourada”. Sem dinheiro da reitoria, o comando do movimento está pedindo doações dos centros acadêmicos e até deposito direto em conta corrente.
Pela internet, os estudantes pedem depósitos de R$ 10, R$ 20, R$ 50 ou R$ 100. Ao contrário de anos anteriores, a recepção dos calouros é de responsabilidade do comando de greve, e não do DCE (Diretório Central dos Estudantes), que é quem geralmente faz a solicitação de financiamento para a reitoria.
Os grevistas dizem que até tentaram ajuda dos centros acadêmicos para conversar com a direção da universidade, mas, sem sucesso. “Além disso, a nossa mobilização tem a reivindicação contra o atual reitor, também tem essa questão de uma oposição ao reitor”, diz o integrante do comando de greve que se identificou como Murilo de Souza.
Veja o vídeo
Para tentar convencer os doadores, um vídeo publicado na internet mostra cenas da invasão da reitoria e do confronto com policiais no ano passado (veja ao lado). Ao final, diz que “derrubar o reitor não tem preço”. A assessoria de imprensa da USP não foi localizada ontem (22) para comentar o vídeo.
“Manifestação política”
A ideia inicial era trazer nomes de peso da música brasileira, como Caetano Veloso. “[Mas ele] Vai tirar férias depois do Carnaval”, lamenta Souza. Até agora, estão fechados os shows de Arrigo Barnabé, Tulipa Ruiz e outros artistas, que cantam na Cidade Universitária no dia 29.
“O nosso show, antes de tudo, é uma manifestação política”, afirma o integrante do comando.
A greve começou no dia 8 de novembro, após a reintegração de posse da reitoria, que havia sido invadida por mais de 70 manifestantes. Os alunos ocupavam o local em manifestação contra a presença da Polícia Militar no campus da USP no Butantã e contra processos administrativos envolvendo funcionários da universidade.
Até agora, já foram arrecadados R$ 7 mil. “Quase 80% desse dinheiro está vindo de doações dos centros acadêmicos. Algo que nunca aconteceu”, diz. Parte do lucro da festa (na qual também serão vendidas bebidas) será "doado" para os advogados dos manifestantes da reitoria -presos após a reintegração- e para os de seis estudantes expulsos da universidade.
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