Sem reajuste há quatro anos, estudantes de pós-graduação protestam nesta quinta-feira

Camila Rodrigues
Do UOL, em São Paulo

Estudantes de universidades de todo o Brasil fazem um protesto nacional nesta quinta-feira (29) contra a falta de reajuste das bolsas de pós-graduação. Há quatro anos, alunos de mestrado e doutorado financiados pela Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) recebem o mesmo valor de bolsa. A bolsa de mestrado é de R$ 1.200 e a de doutorado, de R$1.800.

Estudantes da Unifesp fazem manifestação
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"Aumentou o preço do livro, do transporte público, da alimentação... Tudo aumentou nesses quatro anos, menos a nossa bolsa", reclama Elisangela Lizardo, presidente da ANPG (Associação Nacional de Pós-Graduação).

A ANPG sugeriu que houvesse paralisação em nível nacional, ou seja, que os estudantes interrompessem por um dia suas atividades, como assistir aula, ir ao laboratório ou fazer seu estágio de docência. No entanto, nem todas as associações de pós-graduação confirmaram a suspensão integral das atividades.

"A gente está apenas sugerindo [a paralisação]. Há alunos que estão em pesquisa e não vão parar por um dia porque podem se prejudicar", comenta Alessandra Millezi, coordenadora geral da associação de pós-graduandos da UFLA (Universidade Federal de Lavras) e doutoranda do curso de microbiologia agrícola.

Porém, as universidades organizaram outras atividades. A UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e a UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) instalaram um “contador de dias sem reajuste” em lugares estratégicos: a primeira colocará no restaurante universitário e a segunda colocará na reitoria e na biblioteca. Também haverá uma festa de aniversário “comemorando” os quatro anos de defasagem na UFSC e na Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Outras instituições planejam panfletagem e aulas públicas no período da tarde.

É provável que grande parte das manifestações sejam virtuais. A associação está promovendo a assinatura de um abaixo-assinado e um “twitaço” à partir das 16h, com a hashtag #MinhaBolsaNaoAumentou.

Bolsas Capes no Brasil

Ano Mestrado+Doutorado
2008 42.305
2009 47.153
2010 58.107
2011 71.885

A Capes, que se manifestou por meio de sua assessoria de imprensa, reconhece que os valores estão ficando defasados, mas afirma que o reajuste não dependerá apenas das agências de fomento e terá de ser negociado em nível ministerial.

Isso quer dizer que depende de um acordo entre o Ministério do Planejamento e o Ministério da Educação, ao qual a Capes está vinculado, e o Ministério de Ciência e Tecnologia, ao qual está vinculado o CNPq. A assessoria também ressaltou que o aumento do número de bolsas pode estar entre os motivos para não haver reajuste dos valores.

O CNPq não se manifestou até a publicação da matéria.

Bolsas CNPq no Brasil

Ano Mestrado Doutorado
2008 9.005 8.105
2009 10.129 8.605
2010 10.315 8.985
Vigentes 10.008 9.493

Negociações começaram em 2010

A ANPG tem uma cadeira no conselho superior da Capes e vem colocando a questão da defasagem dos valores das bolsas desde 2010, quando aconteceu o 22º Congresso Nacional da ANPG. As atividades de reivindicações foram intensificadas no segundo semestre do ano passado, com twitaços e o início do abaixo-assinado.

Segundo Lizardo, a política de ciência e tecnologia do governo Dilma é contraditória, referindo-se aos cortes de R$ 1,48 bilhão (22%) no orçamento do MCTI e de R$ 1,93 bilhão (5,5%) no do MEC. “Isso é contraditório com a proposta de desenvolvimento cientifico e tecnológico do Brasil, e inviabiliza qualquer politica inicialmente vista como positiva para incentivo da ciência, tecnologia e inovação”.

Lizardo também comenta o programa Ciência Sem Fronteiras. “Também é contraditório propor um intercâmbio de 100 mil pesquisadores sem apresentar uma política de valorização do pesquisador do país. É necessário ter um maior financiamento do sistema nacional de ciência e tecnologia, tanto para as agências federais quanto para as fundações estaduais de amparo à pesquisa”, analisa.

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