Veja como se sair bem na redação do Enem

Antonio Carlos Olivieri
Da Página 3, em São Paulo

Pode parecer um lugar-comum, mas o primeiro passo para você se sair bem na prova de redação é compreender corretamente a proposta que lhe é feita. Leia com muita atenção o que estão lhe pedindo e tente, antes de mais nada, resumir o tema com suas próprias palavras. Se conseguir fazer isso, você não só vai ter clareza sobre o que lhe pedem para escrever, como também já vai estar elaborando o assunto em sua mente. Muita gente vai mal na redação porque não entendeu o que lhe é pedido. Quando isso ocorre, o texto apenas tangencia o tema ou então foge completamente a ele, o que pode redundar em nota zero.

Em segundo lugar, tenha em mente que lhe pedem para desenvolver um texto dissertativo-argumentativo. Considerando que você sabe o que é uma dissertação argumentativa, vale lembrar que se trata de um texto que deve ter completa autonomia, ou seja, deve poder ser lido e entendido até por quem não sabe qual foi o tema do exame. Para ser mais claro, o tema do Enem 2011 foi “Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado”. Seu texto, então, não pode começar assim: “Esses limites não estão muito bem estabelecidos”. 

Por quê? Pela simples razão de que o pronome “esses” está se referindo a algo que está fora do seu texto, o que, de cara, compromete a sua autonomia. Lembre-se: você não está respondendo uma pergunta, nem dialogando com o tema proposto. Portanto, o certo é começar repetindo com suas próprias palavras o tema da sua redação. É nisso que consiste a introdução de uma dissertação. Por exemplo: “Como vivemos num mundo em que a internet e as redes sociais são cada vez mais presentes na vida de todos, é importante definir bem os limites entre o que é público e o que é privado”.

Em terceiro lugar, lembre-se que o texto dissertativo-argumentativo, basicamente, deve ser a exposição do seu ponto de vista sobre o tema, devidamente seguido pela argumentação que o justifica. Nesse sentido, as maiores qualidades que sua redação pode ter são objetividade, coerência e clareza. Deixe de lado a criatividade, tenha cuidado com as metáforas, nem pense em bancar o poeta. O que o examinador quer avaliar é a sua capacidade de se comunicar por escrito e, sob esse ponto de vista, muitos recursos de estilo podem ser contraproducentes.

Também não queira impressionar os examinadores escrevendo palavras difíceis, principalmente se você não tiver certeza absoluta daquilo que elas significam. Usar a norma culta da língua portuguesa significa escrever numa linguagem formal e não da maneira informal com que você se comunica normalmente com os seus amigos. Mas ser formal não é falar difícil, como exemplifica este artigo que você está lendo agora. A formalidade consiste em: 1) escolher um vocabulário adequado, com as palavras sendo usadas preferencialmente em sentido denotativo, 2) desenvolver frases estruturadas corretamente do ponto de vista da sintaxe (por sinal, cuidado com os períodos muito longos, que sempre dão margem à confusão).

Para terminar, releia a proposta do Enem do ano passado: “redija texto dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua portuguesa sobre o tema ‘Viver em rede no século XXI: os limites entre o público e o privado’, apresentando proposta de conscientização social que respeite os direitos humanos”. Fique muito atento a estas últimas palavras: respeite os direitos humanos. Pode não parecer, mas o que é e o que não é um direito humano, bem como o respeito a esse(s) direito(s) pode, muitas vezes, ter cunho subjetivo. Por via das dúvidas, não exponha opiniões muito radicais e opte por ser politicamente correto.



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