Taxa de analfabetismo para de cair no Brasil após 15 anos, diz Pnad

Hanrrikson de Andrade
Do UOL, no Rio

  • Fernando Donasci/Folhapress

A taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais parou de cair no Brasil após um período de 15 anos de declínio, segundo dados da Pnad 2012 (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgados nesta sexta-feira (27). O país não registrava crescimento da taxa de analfabetismo desde 1997.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) considera que uma pessoa é alfabetizada se ela souber ler e escrever um "bilhete simples".

Na pesquisa --que, até 2003, excluía 4,1 milhões de pessoas que residem nas áreas rurais da região Norte--, o índice de indivíduos que, em 2012, não sabiam ler e escrever foi de 8,5%. Esse dado representa aumento de 0,1 ponto percentual em relação ao ano anterior.

Na prática, os pesquisadores do IBGE registraram no ano passado 300 mil analfabetos a mais em comparação com a amostra de 2011.

  • UOL Infográfico

Consideradas as áreas rurais, em 2012, a taxa de analfabetismo foi de 8,7%. O índice representa um contingente de 13,2 milhões de pessoas, número absoluto que supera, por exemplo, a população da cidade de São Paulo (11,3 milhões). Em relação ao ano anterior, também houve crescimento de 0,1 ponto percentual.

POR IDADE

Dos 13,2 milhões de analfabetos no país, mais de 12,3 milhões (94%), são pessoas de 25 anos ou mais. As mulheres (6,3 milhões) são maioria dessa população

A diferença entre as estatísticas reais e as da série harmonizada ocorrem porque, até 2003, em razão da dificuldade para coletar dados nas áreas rurais, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) não incluía tais regiões em sua amostra por domicílios. Sendo assim, para não prejudicar a comparação histórica --que vai de 1992 a 2012--, são considerados apenas os indivíduos residentes nas áreas urbanas.

Em 1997, último ano no qual o número de analfabetos havia crescido no país, segundo o IBGE, a taxa também esteve 0,1 ponto percentual acima do índice do ano anterior --isto é, pulara de 14,6% para 14,7%. Nos últimos 20 anos, o indicador vem caindo progressivamente, em uma média percentual de 0,4% por ano.

A taxa de analfabetismo no Brasil é puxada principalmente pelos resultados do Nordeste, onde estão concentrados 54% do total de pessoas com 15 anos ou mais que não sabem ler e escrever. Por outro lado, o Nordeste foi a região que apresentou a melhor evolução nos últimos oito anos: redução de 5,1%.

INFOGRÁFICOS

  • Arte/UOL

    Clique na imagem para ver o perfil dos domicílios brasileiros, segundo a Pnad 2012

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    Máquina de lavar e computador ganham mais espaço na casa do brasileiro; clique na imagem

A dona de casa alagoana Rosilene Rocha da Silva, 35, está em processo de alfabetização. Ela estuda com mais seis pessoas em um projeto voluntário da Igreja Batista do Pinheiro, em Maceió. A instituição religiosa cedeu sala, material e professor.

"Comecei há dois anos e meio a estudar. Cursei até a quarta série, quando era adolescente, mas não terminei. Nunca tinha apreendido a ler, quando comecei a participar da turma formada pela Igreja Batista do Pinheiro. Voltei a estudar depois de 16 anos", disse ela.

"Já aprendi a ler. Na última avaliação, o professor disse que estou craque. Mas vou aos poucos. Quando pego um livro, leio duas páginas e dou um tempinho para descansar. (...) Escrever ainda estou aprendendo, ainda tem um errinho de uma letrinha aqui e acolá", completou a dona de casa.

Analfabetismo pelo país

  • 6,9 milhões

    no Nordeste

    O Nordeste lidera o ranking absoluto no país com mais da metade do total de analfabetos

  • 3,2 milhões

    no Sudeste

    O Sudeste, por sua vez, aparece em segundo lugar no ranking absoluto. A região, porém, possui a segunda taxa de analfabetismo mais baixa (13,2%)

  • 1,2 milhão

    no Norte

    A região Norte possui a segunda taxa de analfabetismo mais alta (21,9%)

  • 1 milhão

    no Sul

    Em números absolutos, o Sul está à frente do Centro-Oeste no ranking do analfabetismo

  • 718 mil 

    no Centro-Oeste

    Na proporção entre a população da região e o número de analfabetos, o Centro-Oeste aparece com uma taxa (16,5%) superior a das regiões Sul (13,7%) e Sudeste (13,2%)

Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2012

As regiões Nordeste e Centro-Oeste foram as únicas que registraram crescimento do número de analfabetos na comparação entre os anos de 2011 e 2012. A região Sul, por sua vez, é a que possui a menor taxa de analfabetismo (4,4%).

Mais velhos

A Pnad 2012 mostra ainda que a taxa de analfabetismo tem se mostrado maior nas faixas etárias mais elevadas. Entre os que tinham de 15 a 19 anos, o índice foi de 1,2%, contra 1,6% daqueles de 20 a 24 anos; 2,8% no grupo de 25 a 29 anos; 5,1% de 30 a 39 anos; 9,8% para as pessoas de 40 a 59 anos; e 24,4% dentre aqueles de 60 anos ou mais de idade.

"O analfabetismo tem endereço. Sabemos onde está localizado e em que tipo de população ele está localizado. É uma população mais velha, um estoque de pessoas que ainda não se alfabetizaram. A maioria está no Nordeste. O que a gente pode entender é que, a médio e longo prazo, conforme esse estoque for diminuindo e a população mais jovem for crescendo, a tendência é que esse índice caia", afirmou a gerente da Pnad, Maria Lúcia Vieira.

Analfabetismo funcional

A taxa de analfabetismo funcional, por outro lado, caiu de 20,4% para 18,3% entre as edições de 2011 e 2012 da Pnad. O índice é representado pela proporção de pessoas de 15 anos ou mais que possuem menos de 4 anos de estudo completos em relação ao total de pessoas do mesmo grupo etário.

Em 2012, o IBGE contabilizou 27,8 milhões de analfabetos funcionais. As regiões Norte e Nordeste registraram os maiores percentuais de analfabetos funcionais, 21,9% e 28,4%, respectivamente.

Já nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste, esse indicador foi de 13,2%, 13,7% e 16,5%, nessa ordem. Frente às estimativas de 2011, a região Norte teve redução de 3,4 pontos percentuais.

Nível de instrução

A Pnad 2012 também identificou diminuição da proporção de pessoas sem instrução e com menos de um ano de estudo: de 15,1% para 11,9% no mesmo período. Os dados mostram também aumento do percentual dos indivíduos que possuíam nível fundamental incompleto ou equivalente --de 31,5% para 33,5%-- na comparação com o ano anterior.

A amostra considera a distribuição das pessoas de 25 anos ou mais, e exclui os grupos etários que, segundo o IBGE, ainda poderiam estar em processo de escolarização.

O percentual de pessoas com nível superior completo aumentou de 11,4%, em 2011, para 12,0%, em 2012. Assim, em 2012, havia 14,2 milhões de pessoas com nível superior completo, o que representa 6,5% a mais que em 2011.

Ainda de acordo com o IBGE, do total da população desocupada (6,2 milhões de pessoas), isto é, os que não possuem emprego e estão à procura, 53,1% não tinham completado o ensino médio até a Pnad 2012.

Frequência escolar

A taxa de escolarização das crianças e adolescentes de 6 a 14 anos de idade foi de 98,2% em 2012, o mesmo percentual verificado em 2011.

Para os jovens de 15 a 17 anos de idade, o percentual dos que frequentavam escola foi de 84,2% em 2012, proporção superior à observada em 2011, quando foi de 83,7%.

Quando se observou as pessoas de 18 a 24 anos de idade, a média nacional foi de 29,4%. As regiões Norte e Centro-Oeste se destacaram com os maiores percentuais de pessoas estudando, ambas com 32,0%.

Intervalo de confiança

Por ser uma pesquisa por amostra, as variáveis divulgadas pela Pnad estão dentro de um intervalo numérico, que é o chamado "erro amostral". Não há uma margem de erro específica para toda a amostra.

Diferentemente das pesquisas eleitorais, que têm apenas um indicador em destaque (a intenção de votos de determinado candidato), a Pnad tem dezenas de indicadores e o valor de cada um deles oscila dentro do seu intervalo específico. Isso também se aplica à taxa de analfabetismo, segundo a assessoria do IBGE.

Se o intervalo da taxa referente ao ano analisado coincide total ou parcialmente com o intervalo do mesmo coeficiente de anos anteriores, os dados não apresentarão variação significativa do ponto de vista estatístico, ainda que os números sejam diferentes. Isso, no entanto, não invalida o resultado da amostra, de acordo com o órgão.

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