Uma Olimpíada grandiosa

Lucila Cano

Lucila Cano

Enquanto o país entra no clima da Olimpíada esportiva, outra competição de números grandiosos está em curso. A quinta "Olimpíada de Língua Portuguesa – Escrevendo o Futuro" recebeu mais de 170 mil inscrições e teve a adesão de 4.874 municípios, representados por quase 40 mil escolas.

Para se ter uma ideia do que esse número de inscritos significa, apenas 304 municípios brasileiros têm população superior a 100 mil habitantes, segundo dados de 2015 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Pois essa grande população de competidores por uma língua portuguesa mais rica, mais querida, mais compreendida e melhor interpretada está agora na fase das "oficinas de texto". Professores e alunos debruçam-se sobre a tarefa de escrever a respeito do tema dessa edição: "O lugar onde vivo".

Aparentemente simples, tal tema deverá ser apresentado em diferentes modalidades, de acordo com os níveis dos inscritos. Assim, professores e alunos da rede pública de quase todos os estados brasileiros concorrem nas seguintes categorias: Poema, para as turmas de 5º e 6º anos do ensino fundamental; Memórias literárias, para os participantes de 7º e 8º anos do ensino fundamental; Crônica, para os representantes do 9º ano do ensino fundamental e do 1º ano do ensino médico; e Artigo de opinião, para aqueles de 2º e 3º anos do ensino médio.

Os professores têm até o dia 8 de agosto para realizarem as oficinas em suas respectivas escolas e encaminharem os textos produzidos pelos alunos para a fase de avaliação.

500 na semifinal e 20 vencedores

No processo de avaliação, a comissão escolar é a primeira barreira a ser transposta, se compararmos essa prova àquela corrida com obstáculos dos jogos olímpicos. A avaliação dos textos começa pela comissão escolar, que fará a seleção das melhores produções no período de 10 a 19 de agosto. Em seguida, acontecem as etapas municipal e estadual. Desse processo, são escolhidos os 500 trabalhos que seguirão para a semifinal, 125 de cada gênero. As comissões julgadoras são compostas por pais, membros da comunidade, especialistas de universidades, representantes das instituições parceiras, do MEC e da Fundação Itaú Social.

Esses 500 semifinalistas e seus professores já se sagram vitoriosos. Recebem medalhas, livros e participam de oficinas culturais e de formação. Os 152 finalistas e seus professores são contemplados com medalhas e tablets. Suas escolas são homenageadas com placas alusivas à Olimpíada.

Os professores autores dos 28 Relatos de Prática selecionados pela Comissão Julgadora Regional receberão um notebook cada um. A seleção do Relato de Prática do professor não tem nenhum vínculo com a seleção do texto do aluno. Por fim, 20 alunos vencedores e seus professores recebem medalhas, notebooks e impressoras, enquanto cada uma de suas escolas é premiada com 10 computadores, uma impressora, um projetor, um telão para projeção e livros.

Um programa campeão

O Programa Escrevendo o Futuro foi criado em 2002 pela Fundação Itaú Social e o Cenpec – Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária. Após seis anos, transformou-se em política pública mediante parceria com o Ministério da Educação e a realização da Olimpíada de Língua Portuguesa – Escrevendo o Futuro.

O tempo consolidou a mecânica da competição e mais parceiros se juntaram ao programa: a Undime – União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação, o Consed – Conselho Nacional de Secretários de Educação e o Canal Futura.

Além disso, a crescente participação de alunos e professores nos mostra o quanto a produção de textos age na revitalização dos conhecimentos de quem ensina, ao mesmo tempo em que desperta o interesse de quem descobre a vida pelos caminhos do idioma, com todas as cores de suas manifestações.

Para ter acesso a textos produzidos em Olimpíadas anteriores, bem como a recursos didáticos, vídeos e muito mais, visite o portal: www.escrevendoofuturo.org.br.

* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.

Lucila Cano

Colunista especialista em temas relacionados ao 3º setor; assumiu a coluna em 9/4/2010.

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