Investimento social privado

Lucila Cano

Lucila Cano

Uma das primeiras organizações sem fins lucrativos do Brasil data de 1995, quando os temas relacionados à responsabilidade social (na época não se falava em sustentabilidade) ainda engatinhavam no país. O GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas – logo se constituiu em uma referência sobre o investimento social privado ao reunir associados de diferentes origens: investidores empresariais, familiares, independentes ou organizações comunitárias.

Passados quase 21 anos, o GIFE continua sendo uma fonte segura de informação sobre as destinações de verbas a projetos sociais. Isso porque os estudos e análises que faz dessas movimentações são indicadores dos avanços e tendências para a implantação e desenvolvimento de projetos sociais no país.

A importância desse trabalho também se justifica pelo porte dos associados do GIFE, 129 investidores que, somados, destinam cerca de R$ 3 bilhões por ano a projetos próprios e/ou de terceiros. Por isso, o GIFE se atribui a missão de "aperfeiçoar e difundir conceitos e práticas do investimento social, definido pelo repasse voluntário de recursos de forma planejada, monitorada e sistemática para projetos sociais, ambientais e culturais de interesse público".

Valores do social

Recentemente, o GIFE lançou o hotsite Key Facts, com dados do investimento social privado no Brasil e de fundações americanas, o qual foi desenvolvido em parceria com o Foundation Center e apoio técnico do Instituto de Pesquisa Paulo Montenegro, braço social do Ibope.

Os Key Facts apresentam conteúdo pautado em dados do Censo GIFE 2014, o mais recente dos levantamentos realizados com as organizações associadas a cada dois anos.

Responderam ao Censo 113 organizações, 25% delas com orçamento de pelo menos R$ 20 milhões. Esse universo foi composto por: 14 institutos e fundações independentes; 19 institutos e fundações familiares; 20 empresas e 60 institutos e fundações empresariais. A maior parte dos recursos desses associados provém de fontes próprias ou de doações da empresa mantenedora.

Em termos de distribuição geográfica, 79% das organizações que responderam ao Censo apoiam projetos no Sudeste, 42% no Nordeste, 34% no Sul, 27% no Norte e 25% no Centro-Oeste do Brasil. No entanto, 47% do total dessas organizações investem em projetos que atingem todo o país. Aproximadamente metade dessas organizações investe mais de R$ 6 milhões em projetos.

O volume investido pelas organizações brasileiras com orçamento superior a R$ 50 milhões (12% daquelas que responderam o Censo) corresponde a cerca de 2/3 do total investido de R$ 3 bilhões ao ano em projetos sociais.

Cá e lá

Enquanto no Brasil a maioria dos investidores sociais é representada por institutos e fundações empresariais (53% das organizações que responderam o Censo), nos Estados Unidos ocorre o oposto. Fundações independentes e familiares são as que mais apoiam os projetos sociais. Elas representam 92% dos investidores frente a apenas 3% de institutos e fundações empresariais. Esse cenário é, sem dúvida, atribuído às características culturais do povo americano.

Mas, o que chama atenção nos Key Facts apurados pelo GIFE e o Foundation Center é o montante do investimento nos Estados Unidos. Em 2014, as fundações americanas investiram o equivalente a R$ 141,4 bilhões em projetos sociais.

Desde quando o GIFE iniciou o monitoramento do investimento social no Brasil, educação é a escolha prioritária. No Censo de 2014, a educação significou 85% da atuação dos investidores. Para os Estados Unidos, essa também é a primeira opção, para a qual 78% das fundações destinam seus investimentos.

Outras áreas de interesse para investidores no Brasil e de certo modo ligadas à educação são: Formação de jovens para o trabalho e/ou a cidadania (63%); Cultura e artes (62%); Apoio à gestão de organizações da sociedade civil (56%); Geração de trabalho e renda (49%).

* Homenagem a Engel Paschoal (7/11/1945 a 31/3/2010), jornalista e escritor, criador desta coluna.

Lucila Cano

Colunista especialista em temas relacionados ao 3º setor; assumiu a coluna em 9/4/2010.

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