Artes

Diôniso: Deus do vinho e do delírio místico

Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

Diôniso, também conhecido como Baco (por gregos e romanos), era filho de Zeus e da mortal Semele. Esta, assediada pelo rei dos deuses, concedeu entregar-se a ele, depois de receber uma promessa: a de que poderia lhe pedir o que quisesse, pois teria seu desejo realizado. Ao sexto mês de gravidez, Semele pediu ao amante que se revelasse a ela em sua forma divina, com todos os seus poderes e o resultado foi que ela morreu fulminada pelo esplendor de Zeus.

O rei dos deuses, porém, conseguiu salvar seu filho, enxertando-o em sua coxa, de onde ele veio a sair no devido tempo. Recém-nascido, Diôniso foi entregue ao deus Hermes para ser levado a Atamas, rei de Orcômeno, e a sua mulher Inó. Deus astucioso e cheio de ardis, Hermes recomendou o casal que vestissem Diôniso como menina, para protegê-lo de Hera, a ciumenta esposa de Zeus. Esta, porém, descobriu o fato e enlouqueceu Atamas e Inó.

Mesmo assim Zeus conseguiu salvar o filho e levou-o para uma região distante, onde o deixou aos cuidados de ninfas locais. Lá, o deus cresceu e chegou à idade adulta. Descobriu, também, como transformar as uvas em vinho. No entanto, foi localizado pela vingativa Hera que o enlouqueceu. Então, Diôniso, enlouquecido, percorreu o Egito, a Síria e subiu pela costa da Ásia Menor, chegando à Frígia, onde a deusa Cibele o acolheu e o fez recuperar a razão.

A partir daí, o deus peregrinou pela Grécia e depois retornou à Ásia, onde conquistou a Índia, com um exército de adoradores, entre os quais se encontravam as Bacantes, mulheres enlouquecidas pelo deus. Da Índia, Diônisos voltou à Grécia, para introduzir as Bacanais, festas em seu louvor, celebradas pelas Bacantes. Esses rituais incomodaram Penteu, o rei da Trácia, que tentou proibi-lo. A vingança de Diôniso foi terrível: enlouqueceu a mãe de Penteu, que esquartejou o filho.

Outros episódios semelhantes fazem parte das lendas acerca de Diônisos, considerado não só o deus do vinho, mas também do delírio místico. Seus contatos com os mortais costumam resultar na desgraça desses. Uma das lendas dá conta de que, certa vez, Diôniso embarcou numa nau de piratas para ir à ilha de Naxos. Sem saber a verdadeira identidade de seu passageiro, os piratas decidiram vendê-lo como escravo. Ao perceber essa intenção, Diôniso transformou os remos da naus em serpentes e acometeu os piratas com visões tão terríveis que eles se lançaram às águas e se transformaram em golfinhos.

Depois disso, Diôniso passou a ser reconhecido em toda a Grécia e teve seu culto difundido pelas cidades gregas. Então, deixou a terra e subiu ao céu, de onde só desceu para ir a Naxos, recolher Ariadne que havia sido abandonada por Teseu. O mito de Diôniso é muito antigo: há referências a ele em documentos arqueológicos do século XIII a.C.

Fontes:

  • Dicionário de Mitologia Grega e Romana, Mário da Gama Kury, Jorge Zahar Editor.
  • Dicionário Mítico-Etimológico, Junito Brandão, Editora Vozes.

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