Biologia

Esponjas: Conheça o filo Porifera

Alice Dantas Brites

O filo Porifera é formado por animais popularmente chamados de esponjas. Acredita-se que os poríferos tenham surgido há mais de 500 milhões de anos, durante o Cambriano Inferior. Registros mostram que as esponjas já eram conhecidas desde o tratado de classificação dos seres vivos realizado por Aristóteles. Porém, até o início do século 18, os poríferos eram considerados como plantas.

Já foram identificadas cerca de 7.000 espécies de esponjas ao redor do mundo, mas estima-se que existam mais de 10.000. No que se refere ao Brasil, já foram descritas cerca de 300 espécies.

As esponjas são animais filtradores que se alimentam de plâncton e de minúsculas partículas de matéria orgânica dissolvidas na água. A água penetra no corpo desses animais através de inúmeros poros, sendo esta a característica a que se refere o nome do grupo (do latim porus = poro e ferre = portador).

As esponjas possuem diversas formas, cores e tamanhos. Seus corpos podem ser moles, gelatinosos ou rígidos. São animais sésseis, solitários ou coloniais, que habitam ambientes de água doce ou marinhos. Fixam-se sobre rochas, conchas, corais ou outros substratos. Apresentam ampla distribuição, ocorrendo em regiões de águas frias e quentes, rasas e profundas.

Por serem sésseis, as esponjas não podem fugir de seus predadores, tais como peixes, moluscos, tartarugas marinhas, ouriços e estrelas-do-mar. Por conta disso, muitas espécies possuem mecanismos químicos de defesa, liberando substâncias tóxicas quando ameaçadas.

Muitas esponjas apresentam relações de comensalismo com outras espécies. É comum que pequenos peixes, moluscos e crustáceos, utilizem o interior da esponja como abrigo de predadores. Outras espécies desovam no interior das esponjas para que suas larvas e jovens se desenvolvam num refúgio seguro.

Existem registros de que, desde a Antiguidade, as esponjas eram utilizadas para o banho. Atualmente, com o advento das esponjas sintéticas e com o risco de superexploração das espécies coletadas para este fim, as esponjas de banho naturais foram substituídas em grande parte pelas esponjas sintéticas.

As esponjas também são importantes na pesquisa e desenvolvimento de fármacos. Já foram descobertos compostos presentes nesses animais que apresentam atividade antiviral, antitumoral, antibiótica, anti-inflamatória e analgésica.

Estrutura

A forma mais simples de uma esponja consiste num tubo fechado em uma das extremidades e aberto na oposta. A cavidade interna é chamada de átrio ou espongiocela. O átrio comunica-se com o meio externo através de uma abertura chamada ósculo. É através do ósculo que ocorre a saída da água que penetra na esponja. Por isso, este também é conhecido como canal exalante.

A parede do corpo dos poríferos é formada por duas camadas celulares: a pinacoderme e a coanoderme. Entre as duas existe o mesoílo, uma camada gelatinosa e acelular.

A pinacoderme é a camada mais externa, formada por células achatadas chamadas de pinacócitos. Entre os pinacócitos existem células alongadas chamadas de porócitos. Os porócitos possuem um canal interno que permite a entrada da água do meio externo para o átrio.

A coanoderme é a camada interna formada por células chamadas de coanócitos (ou células de colarinho). Os coanócitos são células flageladas e com uma membrana em forma de colarinho em sua região apical. O batimento desses flagelos cria uma corrente que faz a água circular no interior da esponja e sair pelo ósculo. A circulação da água é muito importante para as funções vitais da esponja, tais como alimentação, excreção, reprodução e trocas gasosas.

O mesoílo é uma camada gelatinosa na qual se encontram imersos os amebócitos e as espículas. Os amebócitos são um grupo de diferentes tipos de células, dotadas de movimentos amebóides, e que atuam em diferentes processos como crescimento, regeneração, reprodução e digestão. As espículas são responsáveis pela sustentação do corpo das esponjas. Estas estruturas podem ser constituídas por carbonato de cálcio, sílica ou por fibras de uma proteína chamada espongina.

As espículas apresentam diversas formas e são classificadas de acordo com seu tamanho. As maiores recebem o nome de megaescleras - e as menores, microescleras. Os tipos de espículas presentes no esqueleto da esponja são importantes caracteres para a identificação e classificação das espécies.

Dependendo da organização do corpo, do átrio e das câmeras internas, as esponjas são classificadas em três tipos, da mais simples para a mais complexa: asconóide, siconóide e leuconóide. As esponjas asconóides possuem um átrio único. As siconóides apresentam uma série de dobras na parede do corpo, formando canais internos que desembocam no átrio. As esponjas leuconóides apresentam a organização mais complexa e são formadas por um intrincado sistema de canais e câmeras.

Reprodução

A reprodução das esponjas pode ser assexuada ou sexuada. A reprodução assexuada pode ocorrer por fragmentação, brotamento e, em algumas espécies, através da formação de uma estrutura de resistência chamada gêmula.

Na fragmentação, pedaços do corpo da esponja se regeneram originando um novo indivíduo. No brotamento ocorre a formação de pequenos brotos sobre a esponja mãe. Os brotos podem se desprender e originar um novo organismo, ou podem permanecer ligados à esponja mãe, expandindo a colônia.

A gêmulação consiste na formação de uma cápsula contendo amebócitos revestidos por uma camada de espongina. A gêmula é uma estrutura resistente capaz de sobreviver a condições adversas. Quando o ambiente se torna propício, os amebócitos se diferenciam e um novo organismo começa a se desenvolver.

A reprodução das esponjas também pode ser sexuada. Existem tanto espécies hermafroditas (monóicas) quanto com sexos separados (dióicas). Na maioria das espécies a fecundação ocorre no interior do átrio. O desenvolvimento é indireto, ou seja, existe um estágio larval. A larva é liberada para o meio externo pelo ósculo. Após certo período, a larva se fixa a um substrato e sofre metamorfose, originando a forma jovem.

Classificação

A classificação das esponjas é feita principalmente com base nas estruturas esqueléticas. Geralmente as esponjas são divididas em três classes: Calcarea, Demospongiae e Hexactinellida.

As esponjas calcárias possuem espículas de carbonato de cálcio que não podem ser diferenciadas em mega e microescleras. São exclusivamente marinhas e apresentam espécies asconóides, siconóides e leuconóides.

As demosponjas possuem espículas de sílica e de fibras de esponjina. Suas espículas podem ser divididas em micro e megaescleras. Existem demosponjas de água doce e marinhas e sua organização é sempre do tipo leuconóide.

As esponjas da classe Hexactinellida, conhecidas como esponjas-de-vidro, possuem espículas de sílica que podem formar uma complexa rede esquelética. Ocorrem em ambientes marinhos de grande profundidade. As esponjas-de-vidro apresentam tecidos sinciciais - e, portanto, não podem ser classificadas como asconóides, siconóides ou leuconóides.

Alice Dantas Brites é professora de biologia.

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