Ciências

História da ciência (3): A contribuição de Newton ao mundo tecnológico

Carlos Roberto de Lana, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Se as duas primeiras paradas de nosso pequeno passeio pela história da ciência, quando visitamos Aristóteles e Galileu, distavam muitos séculos uma da outra, não precisaremos viajar no tempo para chegarmos à terceira etapa.

No mesmo ano em que a humanidade ficou sem o brilho de Galileu Galilei, acendia-se aquela que seria uma das inteligências científicas mais luminosas de todos os tempos. Em 1642, nascia na Inglaterra Isaac Newton.

Todos conhecem seu nome e o associam rapidamente a uma certa maçã que teria caído da árvore e o inspirado a explicar como e porque tal queda acontecia.

 

A mecânica do cosmos

O trabalho elaborado para explicar um fenômeno aparentemente banal, terminou na descoberta de leis universais que descreviam através de algumas equações simples a mecânica de todo o cosmos.

Verdadeira ou lendária, a cena singela de um fruto caindo se tornar o ponto de partida de uma revolução científica retrata a grandeza da ciência em sua simplicidade e elegância.

E foi através da obra de sir Isaac Newton que a simplicidade, elegância e grandeza científica se mostraram em sua plenitude. Como vimos, desde Aristóteles, os cientistas procuravam explicar o mundo através do raciocínio lógico, da observação e descrição metódica dos seres e dos fenômenos.

Galileu incluiu o requisito da comprovação experimental entre os fundamentos da pesquisa científica. Newton foi além. Ao pesquisar a queda e o movimento dos corpos, mais do que descrever as observações e experimentações, codificou-as matematicamente em um sistema de equações capazes de representar os fenômenos em um quadro analítico de onde conclusões exatas podiam ser tiradas.

 

Ferramentas matemáticas

Como a matemática de sua época não lhe fornecia as ferramentas suficientes, Newton tratou de criá-las, tornando-se o inventor do cálculo diferencial integral, mérito que divide com Leibniz.

Por tudo isto, o ano de 1687 se tornaria decisivo para a história da ciência: foi quando Newton publicou sua grande obra, Philosophiae Naturalis Principia Mathematica, "Princípios Matemáticos de Filosofia Natural".

Os Principia apresentavam as leis da gravitação universal, demonstrando que os corpos materiais se atraem na razão direta de suas massas e na razão inversa do quadrado das distâncias. Este princípio, em particular, pode ser matematicamente expresso em uma formulinha de poucas letras, mas explica tanto o porquê de as maçãs caírem, como mostra a razão de os planetas descreverem órbitas eliptícas em torno do Sol.

 

As leis do universo

Também constava da grande obra as leis do movimento e inércia, a lei fundamental da dinâmica e a lei da ação e reação, assim como os fundamentos do cálculo diferencial integral e várias outras dissertações.

O impacto da publicação dos Principia foi tão grande que a história da ciência pode ser divida em antes e depois dele. Se os complexos movimentos cósmicos dos astros podiam ser descritos em algumas poucas equações simples e se estas equações se mostravam corretas e confirmadas toda vez que comparadas com as observações dos fenômenos, então existíamos em um universo regido por leis matemáticas.

O conhecimento destas leis matemáticas universalmente válidas nos habilitava a fazer previsões sobre o resultado final dos fenômenos, apenas conhecendo suas variáveis causais.

 

Determinismo científico

Estavam lançadas as bases do que seria chamado depois de determinismo científico, a ideia de que a ciência pode determinar com certeza o comportamento de qualquer fenômeno físico.

Esta visão determinista da ciência só mudaria no século 20, com a descoberta dos fenômenos quânticos que resultaram na elaboração do Princípio da Incerteza, de Heisenberg.

Sir Isaac Newton foi, sem dúvida, um dos maiores gênios da história. Além de seus estudos sobre a gravitação e o movimento dos corpos, fez descobertas importantes sobre a composição da luz e estudos em química, geometria, teologia, alquimia e filosofia.

Nosso mundo tecnológico, construído sobre uma engenharia matemática não seria possível sem suas inovadoras descrições dos fenômenos físicos. Newton elevou a ciência a uma condição de nobreza e por isto conquistou o direito de ser chamado Sir. Um título merecido para a mais nobre mente científica de seu tempo.

Carlos Roberto de Lana, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é professor e engenheiro químico.

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