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Tubarões - Características e importância ecológica dos tubarões

Mariana Aprile, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

Só de se ouvir a palavra "tubarão" vem à mente aquela imagem terrível de uma bocarra cheia de dentes afiados, pronta para dilacerar e matar os banhistas que se aventuram nas praias. Os tubarões levam a fama de monstros assassinos facilmente, por diversos motivos.

O tubarão é um animal imprevisível, indomável e selvagem, dotado de uma série de características que o fazem uma das mais bem sucedidas "máquinas" mortíferas da natureza. Entretanto, o tubarão é também um dos animais mais incompreendidos pelo ser humano.

Após muitos anos de estudos e pesquisas sobre os tubarões, cientistas especializados em tubarões, como biólogos, ecólogos e estudiosos do comportamento animal, nos mostram uma criatura mais digna de admiração e respeito do que propriamente de medo.

 

Superpeixe

Todos os tubarões são peixes e sua existência na Terra data de aproximadamente 450 milhões de anos - um tempo quase inimaginável. O Homo sapiens (ser humano moderno) surgiu na Terra há cerca de 400 mil anos, aproximadamente. Isso quer dizer que o tubarão já nadava pelos oceanos há 449 milhões e 600 mil anos antes de nossa existência.

Os estudos dos fósseis dos tubarões mostram que esses peixes tiveram pouquíssimas mudanças nas suas características - ou, em outras palavras, eles são fósseis vivos! Os tubarões são uma das obras primas da natureza, tão eficientes que não precisaram mudar em quase nada para sobreviver.

Para se ter uma ideia, eles são equipados com um superolfato, capaz de sentir o cheiro de uma gota de sangue em 2 milhões de litros de água (mais ou menos a quantidade de água que há em uma piscina olímpica) - ou seja, uma gota de sangue a 300 metros de distância dele.

 

Outros órgãos dos sentidos do tubarão

Além disso, podem sentir os campos elétricos de outros seres vivos, como as batidas do coração de um peixe enterrado na areia, através de "captadores" localizados na cabeça (são como buraquinhos, ou poros), chamado de ampolas de Lorenzini. Esses órgãos são também responsáveis pela capacidade de o tubarão se guiar através do campo eletromagnético da Terra, nas suas migrações pelos oceanos.

Entre as minúsculas escamas pontiagudas de sua pele (o que dá a textura de "lixa" na pele dos tubarões), há células receptoras químicas que percebem mudanças de temperatura e de salinidade na água. Mas os tubarões também podem ver e "ouvir", ao contrário do que se pensa. A visão dos tubarões tem um alcance de dois a três metros de distância e seu ouvido, além de ser responsável pelo equilíbrio, é capaz de sentir as vibrações de um peixe a se debater até a 600 metros de distância. O tubarão-branco, por exemplo, pode até mesmo enxergar fora da água.

Com todo esse aparato, os tubarões são muito eficientes para localizar suas presas e, consequentemente, colocar em ação suas armas mortais - os dentes. Esses são afiadíssimos nas espécies carnívoras e têm formato triangular (por vezes, até são serrilhados nas bordas, para rasgar a carne com maior eficiência).

Os dentes dos tubarões não possuem raízes e sempre que um dente cai ou se quebra, é substituído por outro - se nossos dentes fossem assim, jamais precisaríamos usar dentadura! Assim como todos os peixes, os tubarões respiram por brânquias e não são capazes de obter oxigênio fora da água.

 

Os ataques de tuabrão

Existem cerca de 400 espécies de tubarão e, dessas, apenas 33 têm registro de ataques a seres humanos. Após muitos anos de estudo, hoje se sabe que os tubarões não apreciam a carne humana. O que geralmente ocorre é que o tubarão se engana - isso mesmo, eles pensam que um surfista é uma suculenta foca, ou tartaruga.

Quando nadamos, produzimos sons e vibrações na água muito parecidas com a das presas do tubarão. Então, ele vai até o infeliz banhista, morde e vai embora (ele pensa, "não é isso que eu queria"). O problema, é que a vítima muitas vezes não resiste aos ferimentos provocados pela mordida e morre.

Outras vezes, os ataques podem ter motivos territoriais, como é o caso do tubarão touro ou cabeça chata (Carcharhinus leucas). Esse animal é territorialista e isso quer dizer que ele não gosta que invadam a sua casa. Se alguém estiver nadando no lugar que "pertence" a esse tubarão, ele considera como uma invasão de propriedade e ataca - da mesma forma como não gostamos de estranhos em nossa residência, ele também não gosta.

Já o tubarão tigre ataca surfistas e banhistas por confundi-los com sua presa favorita, a tartaruga marinha. Apesar da maior parte dos ataques ocorrer sem nenhuma provocação, há aqueles que acontecem por causa de pessoas que importunam os tubarões, como por exemplo, segurar a cauda do bicho.

 

Importância ecológica do tubarão

Tanto para o ecossistema como para o ser humano, os tubarões são de grande importância. Por serem grandes predadores, estão no topo da cadeia alimentar e contribuem para o controle e a saúde das populações das espécies que são suas presas. Além disso, muitas vezes se alimentam de bichos doentes e velhos.

O ser humano se beneficia dos tubarões comendo sua carne ou extraindo vitamina A de seu fígado - mas atualmente, esta é produzida artificialmente em laboratório. As células do tubarão possuem um lipídio (célula de gordura) que parece ser um poderoso antibiótico e está sendo experimentalmente testado no tratamento de doenças humanas. Além disso, os tubarões também são dotados de uma proteína em seu fígado (a esqualamina), estômago e vesícula biliar, capaz de inibir tumores cerebrais.

A famosa cartilagem de tubarão, que dizem curar doenças ósseas nos seres humanos, é uma falsa promessa. Ela nada tem de especial, mas essa promessa falsa é a responsável pela morte de milhões de tubarões. Podem-se obter os mesmos benefícios da cartilagem de tubarão ao se ingerir gelatina.

Estudos dizem que 73 milhões de tubarões são mortos por ano por causa de suas barbatanas - que contêm cartilagem e ainda por cima são uma iguaria cara e muito apreciada pelos japoneses e chineses.

Nesse momento é importante lembrar que se todos os tubarões forem mortos não haverá como tirar qualquer benefício deles - e ainda por cima, isso causaria um desequilíbrio ecológico de enormes proporções.

 

O maior tubarão de todos

Imagine um tubarão de 15 metros de comprimento (o tamanho de um caminhão de transportar carros) escuro, com o corpo coberto por manchinhas brancas - esse é o tubarão-baleia. Mas ao contrário de seus irmãos, esse tubarão só come plâncton, algas, krill (espécie de camarão de pequeno tamanho).

São inofensivos para os seres humanos e outros animais marinhos. Muitos mergulhadores sonham em nadar ao lado do maior e mais belo peixe do mundo, e os que já tiveram essa sorte, consideram-na uma experiência inesquecível. Esse animal incrível vive em águas tropicais (quentes) e têm hábitos solitários - eles raramente são vistos em cardumes. Pouco se sabe sobre o tubarão-baleia, e por isso, há muitos cientistas interessados em estudá-los.

Entretanto, o temperamento manso desse tubarão faz dele um alvo fácil para caçadores inescrupulosos. Essa espécie já é protegida em diversos países, pois já está ameaçada de extinção. Para se ter uma ideia, o NUPEC (Núcleo de Pesquisas e Estudos de Chondrichthyes) relata que no dia 7 de novembro de 2006 três homens foram presos por matarem uma fêmea de tubarão-baleia nas águas das Filipinas.

Mariana Aprile, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é estudante de biologia na Universidade Presbiteriana Mackenzie e bolsista do CnPq. <a href=mailto:pagina3@pagina3ped.com>pagina3@pagina3ped.com</a>

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