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Energia eólica - Força dos ventos pode reduzir efeito estufa

Turbinas ao lado do touro de Osborne, símbolo extra-oficial do país: Espanha é o terceiro produtor mundial de energia eólica. - Jesus Martinez/Wikimedia commons
Turbinas ao lado do touro de Osborne, símbolo extra-oficial do país: Espanha é o terceiro produtor mundial de energia eólica. Imagem: Jesus Martinez/Wikimedia commons

Ronaldo Decicino

A energia eólica origina-se dos ventos. O termo "eólico" vem do latim aeolicus, pertencente ou relativo a Éolo, deus dos ventos na mitologia grega. Esse tipo de energia tem sido utilizado, desde a Antiguidade, para mover os barcos impulsionados por velas ou fazer funcionar a engrenagem dos moinhos, ao mover suas pás. No caso dos moinhos, a energia eólica era transformada em energia mecânica, usada na moagem de grãos ou para bombear água.

A energia eólica é renovável, limpa, existe em todo o mundo e, se utilizada para substituir fontes de combustíveis fósseis, auxilia na redução do efeito estufa e pode suprir uma parcela significativa das necessidades energéticas mundiais.

De acordo com o Conselho Global de Energia Eólica - Global Wind Energy Council (GWEC) -, organismo internacional que reúne entidades e empresas relacionadas à produção desse tipo de energia, a Alemanha é o maior produtor de eletricidade por meio dos ventos, com 22,35 GW, o que representa 23,7% do total mundial, seguida dos Estados Unidos, com 16,82 GW, e Espanha, com 15,15 GW. Há também a Índia, com 7,85 GW; China, com 5,9 GW; e Dinamarca, com 3,13 GW.

O relatório "Tendências Globais de Investimentos em Energias Sustentáveis", lançado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), informa que dos US$ 148 bilhões de investimentos globais na produção de energia renovável realizados em 2007, a maior parcela dos recursos - US$ 50,2 bilhões - foi direcionada para a geração de energia eólica. Esse montante foi maior do que o destinado à produção de outros tipos de energia, incluindo as centrais nucleares.

De 2002 a 2008, os investimentos para a produção de energia eólica registraram crescimento médio anual de 22,3%. A partir de novos investimentos, calcula-se que a produção mundial chegue a 287 GW em 2012. E deverá passar de 1% de toda a energia elétrica consumida no planeta, em 2007, para 2,7% em 2012.

Brasil utiliza pouco seu potencial eólico

No caso do Brasil, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica, a maior parte da energia elétrica é gerada por fontes renováveis: 70% por hidrelétrica, 4% por biomassa e 0,2% por ventos. Dos 101,6 GW da energia elétrica produzida no país, as usinas eólicas contribuem com cerca de 0,247 GW, ou 0,24% do total.

No entanto, uma das grandes vantagens da geração de eletricidade por meio dos ventos é a de que ela pode servir como fonte complementar à modalidade hidrelétrica nas regiões atingidas pelas secas. No Nordeste, por exemplo, os períodos de seca, no segundo semestre, são exatamente aqueles em que os ventos são mais favoráveis.

Vale lembrar também que a energia eólica não é vulnerável a pressões políticas e econômicas, como o gás natural e o petróleo.

Atualmente, existem no Brasil seis usinas em funcionamento: três localizam-se no Rio Grande do Sul - uma delas, a de Osório, faz parte do maior parque eólico do Brasil, com capacidade para gerar 0,15 GW -, uma em Santa Catarina e outras duas no Rio Grande Norte e na Paraíba, na costa nordestina: a região com maior potencial para geração de eletricidade pelo vento.

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