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Nicarágua (2) - História - independência e revolução sandinista

Luiz Carlos Parejo

A Nicarágua é o maior país da América Central Continental, possui uma população de 5,6 milhões de habitantes divididos em mestiços (brancos e índios) 69%, brancos 17%, afrodescendentes 9% e índios 5%. O país possui vulcões ativos e terremotos, pois está localizado na borda de uma placa tectônica.

O país tornou-se independente em 1838. Inicialmente, foi governado por conservadores e a partir de 1893, por liberais, o que leva a uma intervenção indireta dos EUA, recolocando os conservadores no poder (1911) e a uma intervenção militar direta a partir de 1912 até 1933, quando criam a guarda nacional. No período de ocupação americana surge a intenção de se construir um canal ligando os oceanos Atlântico e Pacífico.

Augusto César Sandino aparece para lutar contra a presença americana e contra a construção do canal que dividiria a Nicarágua em duas (a ação de Sandino vai de 1926 a 1933). Com a saída dos EUA, Sandino assina um acordo com o presidente liberal Sacasa e depõe as armas, ficando sem exército e influência política.

Ditadura Somoza

Sandino é assassinado por Anastásio Somoza Garcia que assumiu a Guarda Nacional e derrubou Sacasa. A família Somoza passa a controlar o país em uma sucessão de governos que começa com o próprio Anastásio Somoza que governa o país de 1936 a 1956, Luis Somoza (filho) de 1967 a 1972 e Anastásio Somoza (irmão de Luis) de 1972 a 1979.

A ditadura da família Somoza procurava se apropriar dos recursos do país, priorizando a aquisição de terras (latifúndios) e de dinheiro mandado por outros países por causa de catástrofes naturais (como o terremoto de 1972) o que faz com que perca apoio lentamente.

Volta ao poder

Em 1961 surge uma guerrilha para lutar contra Somoza, é a FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional) inicialmente formada por marxistas, que ganha apoio da intelectualidade e de parte da classe média. A guerrilha derrota a Guarda Nacional e assume o poder em 1979, com Daniel Ortega. Os bens da família Somoza são desapropriados e entregues ao Estado, o que faz com que o setor estatal aumente a sua participação no PIB de 15% para 41%.

Os EUA vêem a Nicarágua como um precedente perigoso e, no auge da Guerra Fria, uma ameaça à sua hegemonia na América Central, pois identificavam os sandinistas como um governo pró-URSS. Os americanos suspendem a ajuda econômica que enviavam, boicotam economicamente o país e a financiam guerrilheiros contra-revolucionários que atacam os sandinistas a partir de Honduras.

Em 1990 os sandinistas perdem as eleições e Violeta Chamorro assume o poder. Depois de uma sucessão de governos liberais e conservadores, a Nicarágua assina em 2005 um acordo de Livre Comércio com os EUA, que entra em vigor em 2006.

Em novembro de 2006 a FSLN vence as eleições e Daniel Ortega volta ao poder com a necessidade de melhorar as condições gerais de vida da população, administrar as tensas relações entre os sandinistas e o governo americano, reduzir a desigualdade social e aumentar a participação indígena na vida política e econômica.


 

 

Luiz Carlos Parejo é geógrafo e professor de colégios da rede privada e de cursos pré-vestibulares.

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