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Astecas e espanhóis - Hernán Cortéz e o Império Asteca

Túlio Vilela

Antes da chegada de Colombo à América, os astecas já haviam criado um dos maiores impérios que o continente americano conheceu até então. Esse poderoso império se mantinha com os altos impostos arrecadados entre os vários povos vizinhos que estavam sob seu domínio.

Em 1519, quando os soldados espanhóis, liderados pelo oficial Hernán Cortés (1485-1547), chegaram pela primeira vez à região que hoje é o México, eles, os espanhóis, não passavam de um grupo com apenas pouco mais de quinhentos homens. No entanto, isso não impediu que, em um tempo relativamente curto, eles derrotassem e conquistassem o então poderoso Império Asteca, cuja capital, Tenóchtilán, era mais populosa que qualquer grande cidade europeia na mesma época.

Apesar de estarem em número muito inferior ao dos astecas, os espanhóis saíram vitoriosos. A história da conquista do Império Asteca costuma despertar a seguinte pergunta: "Como tão poucos homens conseguiram vencer e conquistar um império?". Vamos tentar respondê-la.

Armas superiores

Os espanhóis possuíam armas de fogo (mosquetes, canhões, arcabuzes, bacamartes...), algo de que os astecas não dispunham. Sem dúvida, as armas de fogo usadas pelos espanhóis tinham grande poder destrutivo e de intimidação. No entanto, esse fato não é suficiente para explicar a derrota dos astecas para os espanhóis.

Se comparadas às armas de fogo dos dias de hoje, as daquela época apresentavam uma série de desvantagens: enguiçavam com facilidade (uma arma podia até estourar nas mãos de seu dono, ferindo-o); não funcionavam debaixo da chuva; eram difíceis de recarregar (a troca de munição era uma tarefa demorada e complicada) e não tinham o mesmo poder de precisão que as flechas usadas pelos inimigos.

O exército liderado por Cortéz contava com apenas quatorze canhões, que também eram pouco eficazes se comparados aos atuais e apresentavam os mesmos riscos que as espingardas e arcabuzes. Portanto, Cortéz e seus homens nem sempre podiam contar com essas armas de fogo. Muitas vezes, para os soldados espanhóis, a habilidade como espadachins podia ser mais importante na decisão de uma luta.

Cavalos supreendem os astecas

Sabe-se que os espanhóis surpreenderam os indígenas ao aparecerem montados em cavalos, animais que eram desconhecidos na América até então. Mas, passada a surpresa inicial, os indígenas deixaram de ver os cavalos com estranheza. Sem dúvida, o uso dos cavalos oferecia várias vantagens no campo de batalha: os cavaleiros espanhóis podiam atacar e se mover com mais velocidade que os guerreiros astecas, que lutavam a pé.

No entanto, o exército de Cortéz dispunha de pouquíssimos cavalos: apenas dezesseis. Ou seja, uma quantidade muito pequena para considerar o uso dos cavalos como um dos principais fatores para a derrota dos astecas.

Os astecas construíram e mantiveram seu império fazendo uso de extrema violência. Atacaram e dominaram diversos povos vizinhos, dos quais cobravam altos impostos. Prisioneiros de guerra ou habitantes dos territórios conquistados eram sacrificados nos altares dos templos astecas.

Por isso, não é de surpreender que os astecas tivessem vários inimigos dentro do seu próprio império. Cortéz percebeu as divisões que existiam dentro do Império Asteca e soube tirar proveito do rancor que esses povos dominados tinham em relação aos dominadores.

Sem a ajuda desses aliados, Cortéz jamais ou muito dificilmente teria conseguido vencer os astecas. Assim, estima-se que o exército liderado por Cortéz, que contava com poucas centenas de homens, foi reforçado com o apoio de mais de milhares de guerreiros indígenas.

Inicialmente, os espanhóis foram vistos por esses povos aliados como libertadores, como aqueles que iriam libertá-los do domínio asteca. Após a derrota dos astecas, esses povos perceberam que apenas haviam trocado de senhor: deixaram de ser dominados pelos astecas e foram submetidos pelos espanhóis.

Doenças

Sem dúvida, as doenças trazidas pelos espanhóis contribuíram para a derrota do Império Asteca. Dentre essas doenças estavam o sarampo, a gripe (para a qual, os indígenas do continente americano não possuíam anticorpos) e a varíola, que se tornou uma epidemia. O último imperador asteca foi vítima da varíola: reinou apenas oitenta dias.

Nesse sentido, involuntariamente, os espanhóis foram uma espécie de "precursores da guerra bacteriológica". As doenças que eles trouxeram se constituíram em verdadeiras "armas biológicas", dizimando grande parte da população indígena.

No entanto, as doenças não podem ser consideradas a mais importante causa da derrota dos astecas. Afinal, se os astecas não tinham defesas para essas doenças, os indígenas que se aliaram aos espanhóis também não tinham. As doenças que os espanhóis trouxeram vitimavam tanto inimigos quanto aliados.

Informação: arma poderosa

Numa guerra, a informação pode ser a arma mais valiosa. Conhecer bem o inimigo costuma ser uma grande vantagem estratégica. Os espanhóis obtiveram essa vantagem em relação aos astecas e souberam explorá-la muito bem. Cortéz contou com a ajuda de guias e intérpretes, por meio dos quais obteve muitas informações a respeito da situação do Império Asteca.

Antes de chegarem ao México, Cortéz e seus soldados estavam em Cuba. Isso porque a colonização espanhola em terras americanas teve início nas ilhas do Caribe e das Bahamas. Como havia ouro nessas ilhas, os espanhóis acreditavam que esse metal deveria existir em grande quantidade em todo o continente americano. Assim, Cortéz partiu de Cuba e desembarcou no litoral do que hoje é o México.

Pouco após a sua chegada, encontrou duas pessoas que lhe foram muito úteis: Jerônimo Aguilar, um náufrago espanhol, e Malinche, uma jovem indígena. Aguilar havia sido prisioneiro dos maias na península de Yucatán e conhecia a língua maia, que era um dos idiomas falados no Império Asteca.

Malinche era uma das vinte jovens prisioneiras que foram oferecidas como presente pelos indígenas a Cortéz quando ele chegou a Tabasco, uma das várias províncias do Império Asteca. Ela odiava os astecas, de quem pretendia se vingar. Não se sabe ao certo a qual povo específico Malinche pertencia, mas é provável que fosse de origem nahua, povo que habitava a região central do México e que, provavelmente, se originou no que hoje é o sudoeste dos Estados Unidos.

 

Túlio Vilela formado em história pela USP, é professor da rede pública do Estado de São Paulo e um dos autores de "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula" (Editora Contexto).

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