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Colonização dos EUA - Independência e Revolução Americana

Antonio Carlos Olivieri, Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

(Atualizado em 03/07/2015, às 16h32)

O Parlamento britânico aumentou o número de soldados nas colônias. Aos olhos dos americanos, o exército real transformou-se em ameaça e afronta, o que fez aumentar primeiro a tensão e depois o número dos conflitos de rua, culminando com o chamado Massacre de Boston, em março de 1770, quando soldados britânicos abriram fogo sobre civis e mataram alguns deles.

Lei do Chá

O auge da crise deu-se com a Lei do Chá, que favorecia os comerciantes ingleses, dando-lhes o monopólio do mercado desse produto nas treze colônias. A resposta americana teve lugar em Boston, no episódio conhecido como Festa do Chá, quando americanos vestidos como índios saquearam navios ingleses, jogando ao mar sua carga de chá. Seguiram-se as chamadas Leis Intoleráveis britânicas, em 1774, e, no ano seguinte, explodiu a guerra, com as batalhas de Lexington, Concord e Bunker Hill.

As Leis Intoleráveis marcaram o fim das reivindicações econômicas dos americanos. A partir de então, a luta passou a ser nitidamente política. A cidade de Boston centralizou a necessidade de união para resistir às pressões inglesas.

Em setembro de 1774, depois da dissolução - pelo governo real - das Assembleias coloniais, preparou-se o Primeiro Congresso Continental, realizado em Filadélfia, capital da Pensilvânia, no ano seguinte. Ali, uma aliança entre Norte e Sul, radicais e moderados, comerciantes e agricultores, começou a tomar forma.

No Congresso, definiu-se uma Declaração de Direitos, princípios políticos e econômicos a serem defendi dos pelas colônias transformadas em Estados. Criou-se ali, ainda, uma força armada: as milícias patrióticas.

Divergências entre o Norte e o Sul

No Segundo Congresso Continental, em maio daquele mesmo ano de 1775, o movimento de resistência aos abusos ingleses passou a ser, de fato, um movimento voltado para a separação, com a criação do Exército Continental.

No entanto, os colonos, de acordo com seus interesses, dividiam-se quanto à posição a tomar diante da Grã-Bretanha. Se os burgueses progressistas do Norte e do Centro conseguiam a simpatia da população contra os ingleses e a Coroa, os aristocratas sulistas eram fiéis ao rei, e buscavam a conciliação.

A independência dos EUA

A Declaração de Independência somente se efetivou em julho de 1776, mais de um ano depois do começo das hostilidades entre americanos e ingleses. Mesmo depois da Declaração, a reação antibritânica não foi unânime, tendo a guerra contra o Império assumido o caráter de uma guerra civil. Os sulistas impuseram a um liberal como Thomas Jefferson, e seus partidários, a eliminação dos itens abolicionistas contidos na Declaração.

O general George Washington

No decorrer dos conflitos, o Congresso Continental, funcionando precariamente como governo central das colônias, conseguia com dificuldade que cada colônia cumprisse com suas obrigações. Enquanto isso, o general George Washington, com um exército americano pobre e desorganizado, procurava lutar como podia para manter acesa a chama da luta pela independência.

A ajuda estrangeira - afinal - permitiu um desfecho favorável aos americanos. A participação da França e, depois, da Espanha e da Holanda - cujos interesses conflitavam com os de uma Inglaterra forte -, foi decisiva para a vitória final. Também o apoio dessas potências às colônias americanas Facilitou as ações diplomáticas que levaram a um acordo de paz, assinado em Paris no ano de 1783, no qual a Grã-Bretanha reconheceu a Independência dos Estados Unidos.

A Revolução americana

A independência em relação à Grã-Bretanha não marcou o fim do processo revolucionário norte-americano nem o surgimento efetivo de uma nova nação. A fundação dos Estados Unidos da América se consolidou depois, numa série de acontecimentos visando ao surgimento de um governo central forte para todos os Estados e uma nova forma de funcionamento desse novo governo.

Desde 1776, o Congresso já ha via incitado as colônias a estabelecerem uma nova forma de governo em seus territórios. No ano seguinte, a maioria das colônias já dispunha de suas próprias constituições, promulgadas e escritas, que substituíram a lei conservadora dos governadores britânicos.

Nessas constituições, definiu-se um governo com três poderes - Executivo, Legislativo e Judiciário - fiscalizando-se entre si para impedir que a autoridade de um deles prevalecesse. Essas constituições eram liberais e nelas se instituía a soberania popular, a rotatividade de cargos e as eleições livres, além de liberdade de consciência e de imprensa, julgamentos rápidos por júri, fianças moderadas e punições humanas.

Governo Central

Em 1787, reuniram-se na Filadélfia representantes de todos os Estados para debater a tese de um governo central, atribuindo-lhe o direito de criar impostos, cunhar moedas, fixar pesos e medidas e responsabilizar-se pelas relações entre os Estados Unidos e as nações estrangeiras. O cumprimento das decisões desse novo governo foi garantido com a subordinação da Justiça dos Estados a um Poder Judiciário forte e central.

As decisões daquela convenção, submetidas a convenções estaduais e aprovadas, materializaram-se na primeira Constituição dos Estados Unidos da América, em vigor até hoje. A partir daí, foram convocadas eleições para o cargo de mandatário supremo. George Washington, graças ao prestígio adquirido durante a guerra, foi eleito por unanimidade e assumiu o cargo em 1789, exercendo o poder até 1797.

Muitos historiadores consideram que a Revolução Americana não acabou nessa fase. Ela teria se prolongado até 1801, com a eleição de Thomas Jefferson para a presidência. Sob seu governo teve início a conquista do Oeste. Jefferson contribuiu para o avanço de uma economia liberal e garantiu o fortalecimento do regime democrático-republicano. Em sua pessoa, sintetizava-se a vitória dos ideais liberais herdados do Iluminismo europeu. Surgia assim o primeiro regime republicano do mundo moderno.

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Antonio Carlos Olivieri, Da Página 3 Pedagogia & Comunicação é escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação

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