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Camões: Poesia épica: Os lusíadas, o maior poema épico da língua portuguesa

Oscar D'Ambrosio, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

(Atualizado em 02/05/2014, às 16h44)

  • Arte UOL

    Luiz Vaz de Camões

    Luiz Vaz de Camões

O nome Os lusíadas é essencial para mergulhar na alma deste poema épico. O nome já indica que a narração se dá em torno dos lusos. São eles que mobilizam a história a ser contada em dez cantos. Cada um deles funciona como um capítulo de um romance.

Considerado o maior poema épico da língua portuguesa, o texto, publicado por Camões em 1572, é composto de 1102 estrofes. Utiliza estrofes em oitava rima, inventada pelo italiano Ariosto, que consiste em estrofes de oito versos, rimadas sempre da mesma forma (abababcc), num total de 8816 versos decassílabos. O conjunto conta a história de Portugal, principalmente as glórias de navegadores, como Vasco da Gama, e (histórias) dos reis lusos.

A luta mitológica entre a deusa Vênus, que protege os portugueses, e Baco, que não se cansa de criar dificuldades tem como pano de fundo a viagem de descobrimento da Índia e a glória de reis conquistadores de África e Ásia, todos motivados pela disseminação da fé cristã.

O poeta, para atingir seu objetivo, pede inspiração às Tágides, as ninfas do rio Tejo, e dedica a epopeia a Dom Sebastião, rei de Portugal quando o poema foi publicado. Há episódios antológicos da história portuguesa na narrativa como os de Inês de Castro, Velho do Restelo, Gigante Adamastor e Ilha dos Amores. Na última parte, o poeta se mostra desiludido com a pátria, antevendo a decadência de Portugal.

A obra se insere no período conhecido como Classicismo português, que vai de 1527 a 1580. O marco inicial é o retorno a Portugal do poeta Sá de Miranda, que passara anos estudando na Itália, de onde traz as inovações do Renascimento italiano, como o verso decassílabo, e o final, a morte do próprio Camões.

Nesse contexto, Os lusíadas tem como base o grego Homero e o latino Virgílio, poetas grandiloquentes da Antiguidade clássica que são paradigmas do poema épico, gênero poético narrativo desenvolvido justamente para cantar, de maneira retumbante, a história de um povo.

A Ilíada e a Odisseia, atribuídas a Homero, no século VIII a. C, pelo relato de episódios da Guerra de Tróia, contam a história heroica do povo grego focalizando a Guerra de Tróia, Virgílio (71 a 19 a. C.). na Eneida, a atenção recai nas aventuras do herói Enéas para enfocar a história da fundação de Roma e as origens do povo romano.

Camões se vale desse mundo mitológico de uma maneira muito peculiar. Existe a mistura entre a mitologia greco-romana e o catolicismo. Os lusos procuram impor aos infiéis mouros a fé cristã, mas são protegidos pela deusa grega Vênus. De qualquer modo, os portugueses são vistos como os representantes da cultura ocidental que enfrenta a oriental, o árabe não-cristão.

A sensualidade, porém, não está ausente. Comparece no famoso episódio da Ilha dos Amores, regido por Vênus. Curiosamente seu adversário é o deus romano Baco, associado ao vinho e ao desregramento. Representado com chifres e rabo, remete ao demônio da igreja católica, em mais uma prova dos ricos diálogos que Os lusíadas propõe em sua heroica jornada para contar a aventura do povo português.

Oscar D'Ambrosio, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é jornalista, mestre em Artes pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista (Unesp), crítico de arte e integra a Associação Internacional de Críticos de Artes (Aica - Seção Brasil).

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