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Resumos: Técnica de elaboração

Jorge Viana de Moraes, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação

"Resumo é uma condensação fiel das ideias ou dos fatos contidos no texto". (José Luiz Fiorin)

"O resumo é uma forma reduzida de informação." (Marli Quadros Leite)

"Resumindo um texto com as próprias palavras, o estudante mantém-se fiel às ideias do autor sintetizado." (Antônio Joaquim Severino)

Analisando as frases acima, podemos concluir que o resumo não é um trabalho de elaboração propriamente dito, mas um trabalho de extração de ideias. Na realidade, ele é uma síntese das ideias e não das palavras do texto.

A prática de resumo segue, basicamente, a estratégia cognitiva de seleção e de construção. A estratégia de seleção se faz mediante duas operações: a cópia (manutenção de informações primárias) e o apagamento (eliminação de informações secundárias).

Já a estratégia de construção, em que ocorre a substituição de uma sequência por outra, se dá por meio de duas operações: a generalização (substituem-se informações gerais por particulares) e a construção (reelaboram-se informações por associação de significados).
 

Como resumir

Quem resume deve saber exprimir, de forma objetiva, os elementos essenciais do texto, não cabendo comentários ou julgamentos ao que está sendo condensado.

Mas quais são os elementos essenciais de um texto? Podemos selecioná-los da seguinte forma:
 

  • Referência tematizada;
  • A situação inicial;
  • A informação nova;
  • As justificativas;
  • A conclusão.

    Quando fazemos a seleção dos elementos essenciais de um texto (manutenção de informações primárias), percebemos que alguns aspectos da sua organização se equivalem e não precisam ser repetidos. Há ideias e exemplos que não fariam falta, não prejudicariam o entendimento se fossem retirados (eliminação de informações secundárias).

    Dificuldades

    Podemos nos deparar com dificuldades quando formos resumir algum texto. Tais dificuldades dependem basicamente de dois fatores:
  • da complexidade do próprio texto: vocabulário, estrutura sintático-semântica, relações lógicas, tipo de assunto tratado.
  • da competência do leitor: seu grau de amadurecimento intelectual, o repertório de informações que possui, a familiaridade com os temas explorados.

    Como superar as dificuldades?

    a) ler o texto de uma vez, ininterruptamente, do começo ao fim. Essa primeira leitura deve ser feita com o propósito de responder a seguinte pergunta: do que trata o texto?

    b) uma segunda leitura faz-se necessária, mas desta vez, com interrupções. Pode-se fazer anotações do significado das palavras difíceis e do sentido das frases mais complexas. Deve-se preocupar em entender bem o sentido das palavras relacionais, responsáveis pelo estabelecimento das conexões (assim, isto, lá, então, daí, seu, ele.)

    c) procurar fazer uma segmentação do texto em blocos de ideias que tenham alguma unidade se significação.

    d) fazer a redação final com suas próprias palavras, procurando relacionar os segmentos do texto na progressão em que se sucedem e estabelecer relações entre eles.

    Exemplo da prática de resumo passo por passo:

Pesquisa encontra contaminação em ônibus de São Paulo

FLÁVIA MANTOVANI
da Folha de S. Paulo

Quem anda de ônibus em São Paulo tem um ótimo motivo para lavar as mãos logo depois. Pesquisadores da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo coletaram 120 amostras em balaústres de 40 ônibus da cidade e descobriram que todas estavam contaminadas com microorganismos. O estudo foi publicado em outubro na revista Arquivos Médicos, editada pela instituição.

Apesar de não causarem danos maiores a pessoas que têm a imunidade conservada, os microorganismos encontrados podem provocar infecções em quem tem resistência mais baixa, como idosos, bebês, pessoas que passaram por um transplante ou que tomam remédios imunossupressores - que baixam as defesas do organismo. As infecções podem ir de simples dermatites ou abscessos na mão a pneumonias, dependendo do grau de resistência.

Segundo Lycia Mimica, presidente da comissão de controle de infecção hospitalar da Santa Casa e professora de microbiologia da Faculdade de Ciências Médicas da instituição, o resultado era esperado. "O pessoal vem com a mão suja e passa essas bactérias para o ônibus ao segurar nele. O próximo que chega, então, pega no mesmo local e se contamina", explica. Ela diz que o mesmo processo provavelmente ocorre em trens, táxis e outros veículos de transporte público.

Segundo Mimica, o problema do ciclo de contaminação seria minimizado com uma medida corriqueira: lavar as mãos. "O risco passa a ser praticamente zero. Mas as pessoas não têm esse costume. Andam por aí, tocam mil superfícies diferentes, mas só lavam as mãos quando saem do banheiro."Ela diz que não se trata de falta de higiene das empresas de ônibus. "O fluxo de passageiros entre uma viagem e outra é muito grande, não haveria jeito de a empresa controlar. O passageiro é que tem que tomar cuidado mesmo."

Apesar de a maioria dos microorganismos encontrados não ser dos mais patogênicos nem apresentar grande resistência a antibióticos, Mimica diz que nada impede que uma pessoa com doenças como pneumonia ou diarreia transmita microorganismos mais danosos da mesma forma. E uma das amostras da pesquisa continha uma bactéria mais perigosa, o MRSA (um tipo de estafilococo), até recentemente restrito a hospitais. Mas trabalhos atuais vêm relatando sua presença na comunidade.

Atualmente, o grupo de Mimica pesquisa visitantes de pacientes internados na UTI e detectou a presença da bactéria nas mãos dessas pessoas no momento em que saem do hospital. "O familiar toca ou abraça o paciente e esquece de lavar a mão quando sai. Com isso, acaba transportando a bactéria para fora do hospital."

Para Jacyr Pasternak, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, o grande problema em ambientes com muita aglomeração de gente, como os ônibus, é a transmissão de doenças pelo ar, como gripe, tuberculose e rotavírus. "Se a pessoa tosse perto de você, pode transmitir a doença. E não há muito o que fazer nesse caso, já que ninguém vai ficar andando de máscara por aí", diz.

Ele lembra, no entanto, que não há que se alarmar por cada bactéria que aparece, pois muitas vivem pacificamente no nosso organismo. "Vivemos num mundo de micróbios. Para cada célula humana, há mil células bacterianas que coexistem no nosso organismo. Isso é inevitável", afirma.

Texto publicado em 06/11/2008 às 11h54 no site:

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u464856.shtml


 

1ª Atividade de resumo - as palavras destacadas em negrito ilustram a estratégia de seleção, a partir da manutenção de informações primárias do texto-fonte:

Quem anda de ônibus em São Paulo tem um ótimo motivo para lavar as mãos logo depois. Pesquisadores da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo coletaram 120 amostras em balaústres de 40 ônibus da cidade e descobriram que todas estavam contaminadas com microorganismos. O estudo foi publicado em outubro na revista "Arquivos Médicos", editada pela instituição.

Apesar de não causarem danos maiores a pessoas que têm a imunidade conservada, os microorganismos encontrados podem provocar infecções em quem tem resistência mais baixa, como idosos, bebês, pessoas que passaram por um transplante ou que tomam remédios imunossupressores --que baixam as defesas do organismo. As infecções podem ir de simples dermatites ou abscessos na mão a pneumonias, dependendo do grau de resistência.

Segundo Lycia Mimica, presidente da comissão de controle de infecção hospitalar da Santa Casa e professora de microbiologia da Faculdade de Ciências Médicas da instituição, o resultado era esperado.

"O pessoal vem com a mão suja e passa essas bactérias para o ônibus ao segurar nele. O próximo que chega, então, pega no mesmo local e se contamina", explica. Ela diz que o mesmo processo provavelmente ocorre em trens, táxis e outros veículos de transporte público.

Segundo Mimica, o problema do ciclo de contaminação seria minimizado com uma medida corriqueira: lavar as mãos. "O risco passa a ser praticamente zero. Mas as pessoas não têm esse costume. Andam por aí, tocam mil superfícies diferentes, mas só lavam as mãos quando saem do banheiro."

Ela diz que não se trata de falta de higiene das empresas de ônibus. "O fluxo de passageiros entre uma viagem e outra é muito grande, não haveria jeito de a empresa controlar. O passageiro é que tem que tomar cuidado mesmo."

Apesar de a maioria dos microorganismos encontrados não ser dos mais patogênicos nem apresentar grande resistência a antibióticos, Mimica diz que nada impede que uma pessoa com doenças como pneumonia ou diarreia transmita microorganismos mais danosos da mesma forma. E uma das amostras da pesquisa continha uma bactéria mais perigosa, o MRSA (um tipo de estafilococo), até recentemente restrito a hospitais. Mas trabalhos atuais vêm relatando sua presença na comunidade.

Atualmente, o grupo de Mimica pesquisa visitantes de pacientes internados na UTI e detectou a presença da bactéria nas mãos dessas pessoas no momento em que saem do hospital. "O familiar toca ou abraça o paciente e esquece de lavar a mão quando sai. Com isso, acaba transportando a bactéria para fora do hospital".

Para Jacyr Pasternak, infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein, o grande problema em ambientes com muita aglomeração de gente, como os ônibus, é a transmissão de doenças pelo ar, como gripe, tuberculose e rotavírus. "Se a pessoa tosse perto de você, pode transmitir a doença. E não há muito o que fazer nesse caso, já que ninguém vai ficar andando de máscara por aí", diz.

Ele lembra, no entanto, que não há que se alarmar por cada bactéria que aparece, pois muitas vivem pacificamente no nosso organismo. "Vivemos num mundo de micróbios. Para cada célula humana, há mil células bacterianas que coexistem no nosso organismo. Isso é inevitável", afirma.
 


2ª Atividade - a partir do texto já resumido, podemos resumi-lo ainda mais (utilizando a estratégia de construção, por meio das operações de generalização e de construção). Observe:

Pesquisadores da Santa Casa de São Paulo coletaram amostras em balaústres de ônibus da cidade e descobriram que todas estavam contaminadas com microorganismos. O estudo foi publicado em outubro. Apesar de não causarem danos maiores, os microorganismos encontrados podem provocar infecções em quem tem resistência mais baixa. Lycia Mimica, da Faculdade de Ciências Médicas da instituição, disse que o resultado era esperado.

O pessoal vem com a mão suja e passa essas bactérias para o ônibus ao segurar nele. O próximo que chega, então, pega no mesmo local e se contamina. O mesmo processo provavelmente ocorre em trens, táxis e outros veículos de transporte público. O problema do ciclo de contaminação seria minimizado com uma medida corriqueira: lavar as mãos. Não se trata de falta de higiene das empresas de ônibus. O fluxo de passageiros é muito grande, não haveria jeito de controlar.

Apesar de a maioria dos microorganismos encontrados não ser dos mais patogênicos nem apresentar grande resistência a antibióticos, Mimica diz que nada impede que uma pessoa com doenças como pneumonia ou diarreia transmita microorganismos mais danosos da mesma forma; o grupo de Mimica pesquisa visitantes de pacientes internados na UTI e detectou a presença das bactérias nas mãos dessas pessoas, no momento em que saem do hospital.

Para Jacyr Pasternak, infectologista, o problema em ambientes com aglomeração de gente é a transmissão de doenças pelo ar, como gripe, tuberculose e rotavírus. Não há o que fazer nesse caso, já que ninguém vai ficar andando de máscara por aí.

Ele lembra: não há que se alarmar por cada bactéria que aparece, pois muitas vivem pacificamente no nosso organismo.

 

Texto resumido - e com as devidas adaptações:

Pesquisadores da Santa Casa de São Paulo coletaram amostras em balaústres de ônibus da cidade e descobriram que todas estavam contaminadas com microorganismos. Apesar de não causarem danos maiores, os microorganismos encontrados podem provocar infecções em quem tem resistência mais baixa. O resultado era esperado.

O problema do ciclo de contaminação seria minimizado com uma medida corriqueira: lavar as mãos. Apesar de a maioria dos microorganismos encontrados não ser dos mais patogênicos nem apresentar grande resistência a antibióticos, nada impede que uma pessoa com doenças como pneumonia ou diarreia transmita microorganismos mais danosos da mesma forma. O grupo também pesquisou visitantes de pacientes internados na UTI e detectou a presença da bactéria nas mãos dessas pessoas no momento em que saem do hospital.

O problema em ambientes com aglomeração de gente é a transmissão de doenças pelo ar. Não há o que fazer nesse caso, já que ninguém vai ficar andando de máscara por aí. Mas não há que se alarmar por cada bactéria que aparece, pois muitas vivem pacificamente no nosso organismo.
 


Considerações essenciais


  • Lembre-se de que é difícil resumir à medida que se vai fazendo a primeira leitura.
  • Não se deve fazer "colagem" de fragmentos do texto original.
  • Quem resume deve compreender o texto, manter-se fiel às ideias do autor sintetizado e aprender a cancelar tudo aquilo que é supérfluo ou redundante.
  • Não esqueça de que o texto é uma unidade de significação, que tem referência e tematização, e não um aglomerado de frases isoladas.

Jorge Viana de Moraes, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação é mestre em Letras pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. É professor universitário em cursos de graduação e pós-graduação.

Bibliografia

  • Resumo, de Marli Quadros Leite. São Paulo: Editora Paulistana, 2006 (Coleção aprenda a fazer).
  • Metodologia do trabalho científico, de Antonio Joaquim Severino. São Paulo: Cortez, 1996. Páginas 106 e 107.
  • Para entender o texto - leitura e redação, de José Luiz Fiorin e Francisco Platão Savioli. São Paulo: Ática, 1998. (Apêndice). Páginas 420 e 421.

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