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Falta de conhecimento do próprio corpo dificulta conversa sobre masturbação com filhos

Carla Hosoi<br>Especial para o UOL Educação

Em São Paulo

30/04/2011 07h00

Segundo especialistas, falar sobre esse tema ainda causa constrangimento para os pais e os filhos. Apesar de ser uma atividade comum no desenvolvimento sexual humano, ainda há muita dificuldade em perceber que a masturbação faz parte da descoberta da sexualidade e que não há nada de "anormal" nisso. Na maioria das vezes, a falta de orientação dos pais para  lidar com o próprio corpo inviabiliza uma conversa mais íntima, o que acaba anulando qualquer tipo de conversa a respeito do assunto.

Como puxar o papo:

Se os pais não sabem como tocar no tema com seus filhos, é fundamental buscar conhecimento em fontes especializadas, como revistas, livros, sites sobre sexualidade ou mesmo entre amigos mais íntimos.

Em adolescentes, a prática da masturbação passa a ser mais frequente porque os hormônios estão em pleno funcionamento, o corpo está num processo de mudança e há carência por novas experiências.

Alguns sinais detectam se seu filho ou filha já iniciou a prática: muito tempo trancado no quarto, no banheiro e até mesmo madrugadas adentro em frente ao computador (a internet é uma parceira bem estimulante nesse sentido).

Se isso já estiver acontecendo, o momento pode ser propício para uma conversa. Esclareça que não há nada de certo ou errado na masturbação, que é um processo natural para vivenciar um prazer único que só o conhecimento do próprio corpo propicia. Deixar claro que não é uma prática vexatória e muito menos prejudicial para sexualidade é muito importante. Assim como alertar para o fato de que, apesar de ser uma descoberta prazerosa, há outras atividades interesssantes para se fazer e que o excesso, também neste caso, não é nem um pouco saudável.

Como NÃO agir:

Constatar o fato e agir de forma imperativa não ajuda em nada. Portanto, tentar invadir a privacidade do adolescente, forçando-o a abrir a porta do banheiro ou do quarto, por exemplo, além de causar um estresse considerável, só aumenta a angústia e sentimentos equivocados de culpa por estar fazendo algo supostamente errado. Conceitos de que a masturbação é um ato sujo, vicia e faz a pessoa perder o interesse pelo sexo também devem ser totalmente abolidos, uma vez que não passam de mitos sem qualquer fundo de verdade.

Fontes: Arlete Gianfaldoni, médica assistente doutora da clínica ginecológica  Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e especialista em ginecologia e obstetricia da Infância, membro da Sogia (Sociedade de obstetricia e ginecologia da Infância e Adolescência), Marcos Ribeiro, autor do livro Conversando com seu filho adolescente sobre sexo, Ivette Gattás, psiquiatra da Infância e Adolescência e coordenadora da Unidade de Psiquiatria da Infância e Adolescência (UPIA) da Unifesp, Maurício de Souza Lima, médico hebiatra.

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