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Manifestantes mantêm invasão da reitoria da USP; negociação termina sem acordo

Débora Melo

Em São Paulo

04/11/2011 14h08Atualizada em 04/11/2011 15h02

Terminou sem acordo a reunião de negociação entre reitoria e comissão representante de manifestantes que invadiram a reitoria da USP (Universidade de São Paulo). O encontro, que durou duas horas, aconteceu na manhã desta sexta (4).

A intenção era que o grupo que está na reitoria saísse do prédio antes mesmo da oficialização da decisão da Justiça que concede reintegração de posse à USP. A notificação oficial de reintegração de posse não havia chegado até as mãos do grupo até 14h.

Segundo Rafael Alves, estudante de Letras, "a ocupação vai continuar".  Ele, que foi um dos seis estudantes a participar da reunião, disse: "Enquanto o convênio com a PM continuar e a gente não tiver nenhuma assembleia que delibere o contrário, os estudantes continuam na ocupação".

Questionado se eles estavam preparados para uma eventual investida da PM, ele respondeu que não estão "armados com absolutamente nada".

O impasse da negociação se deu, segundo funcionários e estudantes, porque a reitoria se negou a discutir a retirada de processos administrativos que estão em curso por causa de outras manifestações na universidade. A reitoria disse que só negocia após a saída dos manifestantes da reitoria. "Imaginávamos que tínhamos uma negociação em curso", disse Magno de Carvalo, do sindicato dos funcionários da USP, o Sintusp. "Acho que estão um confronto sangrento", afirmou o líder sindical.

Participaram da reunião dois representantes da reitoria (o chefe de gabinete da reitoria, Alberto Carlos Amadio  e o superintendente de relações institucionais, Wanderley Messias da Costa), dois professores (Jorge Luiz Souto Maior, da Faculdade de Direito do Largo São Francisco e Luiz Renato Martins, da Escola de Comunicações e Artes), dois representantes do sindicato dos funcionários (Marcello Ferreira, conhecido como Pablito e Magno de Carvalho), além de seis estudantes.

PM pode ser acionada

A USP não descarta o uso da PM (Polícia Militar) para fazer cumprir a reintegração de posse da reitoria, ocupada desde a madrugada do dia 2 de novembro. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, a "preferência é [que seja resolvida a saída] na base do diálogo".

Os estudantes têm 24 horas, a partir do momento em que forem notificados oficialmente -- o que ainda não aconteceu até 11h desta sexta.

Segundo um dirigente do Sintusp, o sindicato dos funcionários da USP, haverá uma reunião de negociação convocada pela reitoria às 11h30. Ainda segundo ele, haverá presença de funcionários e professores, além do chefe de gabinete da reitoria, Alberto Carlos Amadio .

"Queremos revogação do convênio e retirada de processos [administrativos de outras manifestações] contra alunos e funcionários", disse Magno de Carvalho, do Sintusp. "Não vamos nos intimidar com ameaças."
 


PM de prontidão

Após a Justiça ter concedido a reintegração de posse da reitoria da USP (Universidade de São Paulo), a PM já está preparada para o caso de ser acionada pela administração da instituição. A tropa de choque é "uma das opções" no planejamento e "já preparada e de prontidão caso seja necessário o emprego dela", segundo coronel Marcos Chaves, comandante do CPC (Comando de Policiamento da Capital) em entrevista à rádio Estadão ESPN na manhã desta sexta (4).

Segundo o comandante, a expectativa é de que os estudantes façam uma "desocupação pacífica". Ele disse ainda que, apesar de a PM estar preparada, não acredita que seja necessário o uso da força para fazer valer a decisão judicial.

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