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Greve na UnB paralisa aulas de graduação, biblioteca e restaurante; pesquisa e laboratórios funcionam

Mariana Branco

Da Agência Brasil, em Brasília

06/08/2012 17h23

Na UnB (Universidade de Brasília), a greve dos professores e técnicos administrativos acarretou na suspensão das aulas e fechamento da biblioteca e do restaurante universitário. Os poucos alunos que circulam pelo campus vão à instituição em busca de documentos ou para dar continuidade a projetos de pesquisa e extensão.

De acordo com os estudantes, alguns laboratórios seguem em funcionamento e as atividades administrativas - como emissão de atestados e declarações - também não foram interrompidas. A Agência Brasil tentou falar com a Secom (Secretaria de Comunicação da UnB) para saber quais serviços continuam disponíveis apesar da greve, mas até o fechamento desta matéria ninguém atendeu aos telefonemas.

As estudantes de letras Jéssyca Hellen Ferreira Paulino, 21, Júlia de Amorim Nascimento, 20, Luiza Bernardo Borges, 22, e Giovana Ribeiro Pereira, 21, contam que os serviços de secretaria estão sendo oferecidos normalmente. "Quando a gente precisa de alguma declaração eles fornecem, pelo menos no nosso curso", disse Jéssyca.

As estudantes, alunas do sexto semestre - com exceção de Júlia, que está no quinto - foram à universidade hoje (6) para se reunir com uma professora que está orientando a turma na preparação de um trabalho. "É o trabalho final da disciplina, bem extenso. A gente estava se preparando para fazê-lo quando a greve começou. Ela [professora] se dispôs a continuar nos orientando. Mas as aulas estão completamente paradas", diz Giovana.

A estudante do quinto semestre de biologia Natália Gonczarowska, 20, continua frequentando a UnB todas as semanas por trabalhar como estagiária no Laboratório de Neurociência e Comportamento Animal do Instituto de Biologia. "Há muitos laboratórios no meu curso e, que eu saiba, nenhum parou. Além de precisarem de manutenção, pesquisa é uma coisa complicada de parar, pois há prazos", explica. Na graduação, Natália afirma não estar tendo nenhuma aula. "Todas as minhas disciplinas estão suspensas", diz.

Negociações

De acordo com a Fasubra (Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras), que representa os técnicos administrativos, alguns serviços seguem disponíveis nas universidades e institutos federais porque a categoria está mantendo 30% do efetivo trabalhando. Em greve desde 11 de junho, os técnicos começam as negociações com o governo hoje. A categoria tem reunião agendada às 17h no Ministério do Planejamento.

Ao longo desta semana, os professores decidirão em assembleias por todo o país sobre a continuidade ou interrupção da greve. Na última quarta-feira (1°), o governo decidiu assinar acordo com a Proifes (Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior), entidade que representa a minoria dos professores. O Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), que representa a maior parte da categoria, recusou a proposta governamental e está orientando as bases para endurecerem o movimento.

Duas entidades que também representam os professores,o Sinasefe (Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica) e a Condsef (Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal), também se recusaram a ratificar o acordo.

Nem o Andes-SN e nem o Proifes quiseram divulgar balanços parciais das assembleias de docentes. Por meio de sua assessoria de comunicação, o Proifes informou que as reuniões ocorrerão ao longo desta semana e que divulgará os resultados logo que possível. A assessoria de imprensa do Andes-SN afirmou que a previsão é que as assembleias prossigam até a noite de amanhã (7) e que a divulgação do resultado consolidado ocorra na quarta-feira (8).

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