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Fazer cursos no exterior abre perspectivas inéditas para a carreira profissional

Cláudia Emi Izumi

Do UOL, em São Paulo

10/10/2012 06h00Atualizada em 10/10/2012 10h47

Fazer um curso no exterior pode ser o ponto de partida que abre caminho para rotas profissionais e acadêmicas enriquecedoras, muitas vezes não programadas.

“Tenho a oportunidade de viajar pelo mundo a trabalho ou apresentando minha pesquisa em congressos. Recentemente, pude participar de um estágio em um centro de pesquisa em Harvard”, conta Marcos Sadao Maekawa, 39 anos.

O brasileiro é formado em arquitetura e urbanismo pela USP (Universidade de São Paulo) e faz doutorado no Japão, com pesquisa na área de design de mídia com foco em educação. “Vou a países que nunca pensaria ir se estivesse no Brasil, como Myanmar, Bangladesh, Malásia, Indonésia e Timor Leste.”

A ele se juntam outros estudantes e profissionais que tiveram experiência semelhante ao saírem do Brasil em busca de oportunidades e aprimoramento do conhecimento para, um dia, aplicá-los, direta ou indiretamente, no Brasil.

Como benefícios profissionais, o intercâmbio representa fluência em um ou mais idiomas estrangeiros, criação de amizades com pessoas do mundo inteiro, o contato com profissionais que são referências em suas áreas de atuação e prestígio profissional por ter estudado no exterior. 

Trajetórias

No livro “Fazendo as malas”, Sidney Nakahodo, que organizou a edição em parceria com o economista Maurício Moura, professor da Universidade George Washington, também se enquadra nesse mesmo perfil.

Engenheiro formado pela USP, com especialização em economia e política internacional, ele trabalha com projetos de redução das emissões de gases-estufa em países em desenvolvimento.

Neste ano, Nakahodo integrou o grupo que elaborou um plano de desenvolvimento de baixo carbono para a cidade do Rio de Janeiro, apresentado durante a conferência mundial da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre sustentabilidade, a Rio+20.

No caso do arquiteto Maekawa, que chegou ao Japão como estagiário-bolsista e cursa o doutorado ainda nesse país, os beneficiados indiretos de sua pesquisa foram os estudantes brasileiros de uma escola no arquipélago japonês e de outras escolas internacionais.

O Global Kids Eclipse 2009 ganhou apoio da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e ganhou status de evento oficial do Ano Internacional da Astronomia ao reunir mais de 400 crianças de nove nacionalidades em oito locais, que interagiram uns com os outros. 

“Gostaria de trabalhar mais com escolas do Brasil, mas o fuso horário ainda é a maior barreira, mais até que a tecnológica”, acrescenta.
Para quem acha que fazer cursos no exterior é difícil, um alento. O livro cita vários casos de pessoas que foram atrás de financiamento e de bolsas de estudo.

“As oportunidades aparecem naturalmente à medida que nos esforçamos e galgamos um degrau de cada vez. Manter viva a curiosidade, ter iniciativa e buscar mentores são alguns dos fatores que levam ao acesso a oportunidades”, diz Nakahodo.

Interlocução

No estudo “Circulação internacional e formação de quadros dirigentes brasileiros”, a pesquisadora Letícia Bicalho Canedo, da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), traça a representatividade da formação acadêmica no exterior sobre a elite que assume postos de lideranças, seja no setor privado ou no público.

Apesar de não haver um perfil homogêneo social ou intelectual, essa elite dirigente registra igualmente em seu currículo estudos no exterior. Além disso, os participantes têm um papel importante como mediadores de processos que são importados lá de fora ou adaptados para o Brasil em diferentes áreas ou em políticas públicas.