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Em Fortaleza, 13 mil alunos do 3° ao 5° ano precisam ser realfabetizados

Criança faz exercício de alfabetização em sala para alunos com dificuldade de aprendizagem - Fernando Donasci/Folhapress
Criança faz exercício de alfabetização em sala para alunos com dificuldade de aprendizagem Imagem: Fernando Donasci/Folhapress

Aliny Gama

Do UOL, em Maceió

22/05/2013 17h33

A SME (Secretaria Municipal de Educação) de Fortaleza detectou em um estudo que existem 13.747 estudantes do 3º ao 5º ano do ensino fundamental que não são alfabetizados. Os alunos frequentam as aulas, mas não aprendem quase nada por faltar o básico: saber ler e escrever. O índice equivale a 21% dos alunos da rede municipal.

A SME informou que obteve esses números após um diagnóstico feito por meio de uma avaliação de leitura e escrita realizada pelas próprias escolas, no início do ano letivo. As provas foram aplicadas para os 65 mil alunos da rede municipal.

Segundo a SME, a Seduc (Secretaria da Educação do Estado do Ceará) classificou a capital cearense na posição 183° dentre 184 cidades pesquisadas no Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica Alfa.

Diante dos números, a SME vai iniciar a correção do fluxo escolar, retirando temporariamente os alunos dessas séries para fazerem um curso intensivo de alfabetização, que deve durar de 3 a 5 meses, e assim retornar as salas de aula de origem e continuar os estudos. Cada turma do período letivo especial terá até 30 alunos. Para isto estão sendo capacitados 327 professores que irão participar da correção de fluxo em Fortaleza.

A ideia é que esse índice de alunos não alfabetizados na rede municipal que estão em outras séries mais avançadas seja zerado. As aulas de correção de fluxo escolar iniciam no próximo mês de junho em todas as escolas da rede pública municipal.

"Além de focarmos nossas ações especialmente na alfabetização na idade certa das nossas crianças do primeiro e segundo anos, enxergamos que temos que solucionar a não alfabetização dos alunos do terceiro ao quinto ano. Não podemos e não consideramos normal que esse processo de analfabetismo vire uma bola de neve. Não estamos inventando a roda, estamos fazendo o que há muito tempo já devia ter sido feito em Fortaleza. Essa ação é urgente", destacou o secretário de Educação de Fortaleza, Ivo Gomes.

A secretaria informou que a intervenção pedagógica deverá auxiliar na construção de competências e habilidades de leitura, escrita, desenvolvimento do raciocínio lógico matemático e resolução de problemas.

A correção de fluxo escolar em alfabetização será feira com base em duas estratégias pedagógicas: o Software Luz do Saber e o Programa de Correção de Fluxo em Alfabetização do Ministério da Educação/ GEEMPA( Grupo de Estudos em Educação, Metodologia de Pesquisa e Ação).

A coordenadora do Ensino Fundamental da SME, Dóris Leão, destacou que é imprescindível a participação de toda a comunidade escolar para que o trabalho obtenha o resultado desejado. “A expectativa é alfabetizar 100% dos alunos dessas turmas. Estamos otimistas e apostando no comprometimento de todos os envolvidos nessa tarefa tão importante. A partir da alfabetização, esses alunos serão inseridos no mundo do conhecimento, isso vai proporcionar a todos eles uma verdadeira evolução”, disse a coordenadora.

Reposição de 2012

Em 2012 a rede de ensino de Fortaleza não conseguiu cumprir os 200 dias letivos, preconizados pelo MEC (Ministério da Educação), e ficaram faltando 19 dias. Segundo a SME, desde o início do ano letivo os dias que faltavam para completar o ano letivo de 2012 estão sendo compensados.

Os alunos dos 1º e 2º anos estão assistindo uma hora a mais de aula no período que frequentam as escolas. Já os estudantes do 3º ao 9º  ano passarão a partir de junho a dezembro a cumprir três horas a mais por dia em turno diferente que estudam. Eles recebem reforço de disciplinas de literatura e matemática, além de praticarem um esporte escolhido a qual se identificam.

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