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Após estudar alemão, aluno de rede pública ganha intercâmbio e estágio

Cristiane Capuchinho

Do UOL, em São Paulo

2013-09-19T06:00:00

19/09/2013 06h00

Aprender alemão mudou a vida de Leonardo Cardoso, 20. Estudante de escola pública, o interesse pelo idioma deu-lhe a chance de fazer um intercâmbio na Alemanha com tudo pago e de estagiar em uma multinacional. Em breve, terá também um diploma técnico internacional. 

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"Tive várias oportunidades por causa do alemão. Minha família não poderia pagar por elas", conta o estudante, prestes a concluir seu curso de logística em uma escola internacional de São Paulo. 

Morador de São Bernardo do Campo (região metropolitana de São Paulo), foi em uma escola da cidade que descobriu o programa de aulas de idiomas para a alunos da rede pública quando ainda estava na 8ª série. Dedicado, gastava entre trinta minutos e uma hora por dia no estudo do idioma.

O esforço foi recompensado: acertou todas as questões de um exame para certificar o conhecimento básico do idioma. O resultado chamou atenção do Instituto Goethe, que ofereceu uma bolsa de intercâmbio para a Alemanha. Foram três semanas vivendo em um internato em Turíngia, região central do país. “Tinha aulas com estudantes do mundo inteiro. Foi uma experiência incrível”, lembra.

Ao concluir o ensino médio e o técnico em logística na rede pública, Leonardo precisava de um emprego e queria dar continuidade ao estudo. "O curso que tinha feito na ETEC não tinha me dado conhecimento prático. Era difícil entrar em grandes empresas."

Soube, então, que poderia ter um diploma internacional gratuito e com garantia de emprego se passasse em exames de alemão. Os pais asseguraram que ele pudesse se dedicar ao estudo para passar em uma prova que exigia uma redação em alemão. 

Com apoio da professora que dava aulas no curso estadual, exercícios pela internet e vídeos em alemão, Cardoso conseguiu uma vaga no curso de logística. O jovem consegue bancar todos os seus gastos com a bolsa que recebe de seu estágio em uma multinacional, inclusive o aluguel pago para morar em uma república próxima à escola, que fica em Interlagos. 

Curso

De modelo alemão, o curso técnico do IFPA (Instituto de Formação Profissional Administrativa) divide o tempo do aluno entre aulas teóricas e a prática nas empresas. 

A empresa paga à escola pelo estudo de seus estagiários e os alunos recebem também uma bolsa-auxílio que gira em torno de R$ 700 mensais, explica Everton Augustin, diretor geral do Colégio Humboldt. No entanto, os alunos precisam ser aprovados em uma prova de línguas e na entrevista de emprego da empresa. 

A escola oferece curso técnico nas áreas de logística, secretariado, seguros, comércio exterior e administração.

A gratuidade do curso, a qualidade e o emprego atraem. Leonardo não é o único estudante de escola pública no curso bilíngue, há pelo menos sete alunos no técnico internacional. 

"O curso é muito prático e isso me ajuda a entender melhor a parte teórica. Trabalhando em uma multinacional, aprendo no cotidiano da empresa o que preciso", considera Yramaia Del Castilho, 21, aluna do curso técnico de administração. 

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