Escola de Guarulhos (SP) pede para aluno cortar cabelo "crespo e cheio"

Do UOL, em São Paulo

A mãe de um aluno de 8 anos do Colégio Cidade Jardim Cumbica, em Guarulhos (SP), diz que a escola constrangeu o seu filho e pediu que ele cortasse o cabelo, definido como "crespo e cheio" pela diretora.

A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar a escola por suspeita de negar matrícula ao aluno por causa do cabelo. Segundo a polícia, o colégio foi notificado sobre o inquérito e o responsável deve comparecer ao 3º Distrito Policial da cidade para dar depoimento nesta segunda-feira (9).

'Chica da Silva'

  • Reprodução/Facebook

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De acordo com Maria Izabel Neiva, o seu filho foi chamado pela direção da escola em agosto para falar do cabelo. "Ele não me detalha o que ela disse, só conta que teve muita vontade de chorar", afirma. Em seguida, o garoto começou a sofrer bullying dos colegas, que o chamavam de "mendigo" e "cabeça de capacete".

A mãe então recebeu um bilhete no caderno do aluno, dizendo que ele estava reclamando do cabelo, "que caía no olho", e pedia que fosse cortado. Em seguida, a mãe respondeu que não teria como o cabelo do garoto cair no olho, já que não era liso, e que a direção a convidasse para conversar sobre o assunto e não mandasse mais bilhetes.

A diretora então respondeu com um novo recado dizendo que o corte não era usado pelos alunos do colégio. "Eu decidi, então, ir até lá pessoalmente e disse que era um absurdo chamar uma criança para falar da sua aparência física", diz Maria Izabel. A diretora teria dito que o regulamento da escola não permitia o uso de vestimentas "extravagantes", fazendo uma referência ao cabelo do garoto. "Ela disse que um cabelo 'crespo e cheio não é adequado', e que atrapalha os colegas de enxergarem a lousa".

A mãe afirma que não havia motivos para cortar o cabelo do filho, que é alto e sentava no fundo da sala. A diretora, por sua vez, teria respondido que no próximo ano "poderia não chamá-lo para fazer a rematrícula". 

No último dia 3 de dezembro, Maria Izabel tentou matricular o filho no 4º ano do ensino fundamental, para o ano letivo de 2014, e foi informada de que não havia vagas. No mesmo dia, outras mães teriam conseguido assegurar a vaga sem nenhum problema. "Eu fiquei extasiada, não sabia o que fazer. Não quiseram fazer a matrícula só porque eu disse que não ia cortar o cabelo do meu filho", afirma.

Ela então procurou a direção da escola, soube que teria que entrar numa fila por vagas e registrou um boletim de ocorrência no 3º DP de Guarulhos, que investiga o caso. "Ele tem o direito de ter a matrícula. Estou sem saber o que fazer agora, porque essa é a única escola boa no bairro".

Confusão

A diretora e proprietária do Colégio Cidade Jardim Cumbica, Alaíde Ugeda Cintra, nega a acusação de racismo e diz que não foi negada a matrícula à mãe do aluno. "Nós estamos indignados com a confusão total que a mãe criou, querendo desvalorizar a escola. Ela perdeu o período de rematrícula e não temos mais vagas para o 4º no período matitutino", afirma.

"Eu não tenho convite para rematrícula, tem uma faixa na porta da escola dizendo que as matrículas estão abertas. Nunca íamos negar um aluno", diz a diretora. Ela ainda diz que ligar a falta de vagas ao cabelo do aluno é "uma associação sem sentido". "Posso provar que não existe isso".

Alaíde afirma que a professora do aluno e ela pediram que mãe cortasse o cabelo da criança por uma questão de higiene. "Ele tem um cabelo cacheado, estava muito ressecado e armado. Depois da educação física, ele sentia muito calor, pingava suor e começava a coçar a cabeça. Ele dizia que a mãe não queria que ele cortasse o cabelo, então a professora resolveu mandar um recado", diz.

A diretora do colégio diz que está muito abalada com a repercussão do caso e que vai prestar esclarecimentos à polícia. "Estou muito triste por difamarem dessa forma o meu colégio".

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