Brasil ainda tem 13 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais

Aliny Gama

Do UOL, em Maceió

  • Beto Macário/UOL

    Edvaldo dos Santos, 63, trabalha há 42 anos como pescador. Ele conta que sempre teve o sonho de aprender a ler e escrever

    Edvaldo dos Santos, 63, trabalha há 42 anos como pescador. Ele conta que sempre teve o sonho de aprender a ler e escrever

Em 2013, o Brasil registrou 13 milhões de analfabetos com 15 anos ou mais -- contingente de pessoas que supera a população da cidade de São Paulo (11,8 milhões) e representa 8,3% do total de habitantes do país.

Atenção: os dados deste texto ainda não foram atualizados. No dia 19 de setembro, o IBGE anunciou que houve erro nos cálculos da Pnad. Mas o instituto não divulgou todos os dados corrigidos.

A taxa de analfabetismo caiu por um período de 15 anos, mas estagnou no levantamento divulgado no ano passado. O índice de 2013 (8,3%) é 0,4 ponto percentual menor que o registrado em 2012.

Os dados são da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), divulgada, nesta quinta-feira (18), pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas).

Aos 15 anos, um indivíduo deveria estar entre o final do ensino fundamental e o início do ensino médio, antigo colegial. É considerado analfabeto quem não é capaz de ler nem de escrever um bilhete simples.

Taxa é menor entre pessoas com menos de 30 anos 

Entre as pessoas com menos de 30 anos, a taxa de analfabetismo ficou abaixo de 3% em 2013. Na faixa de idade entre 40 a 59 anos, a taxa é de 9,2%. O índice de idosos analfabetos, com 60 anos ou mais, alcançou 23,9%.

O IBGE explica que a taxa de analfabetismo vem caindo entre os jovens de até 25 anos. A partir da faixa etária de 40 anos, a taxa é alta, devido à falta de acesso à educação anteriormente.

Sempre é tempo

Edvaldo dos Santos, 63, sempre quis aprender a ler e escrever, mas começou a trabalhar cedo para sustentar a mãe e a irmã. "Vou morrer sem saber ler, pois já passei da idade de aprender", afirma o pescador, que mora em Maceió, capital de Alagoas.

"Vivo cinco dias no mar e, quando volto, ainda trabalho na arrumação e limpeza do barco. Meu trabalho não dá para ter tempo para estudar, mal tenho tempo para descansar", explica Santos, cuja história simboliza um dos maiores desafios para a erradicação do analfabetismo no país.

Quem não teve a oportunidade de aprender acha que passou do período para isso, ou, pior, que não é capaz de aprender. É um discurso comum dizer que empreender esforços para matricular jovens e adultos é "difícil e oneroso".

O pescador conta que, apesar de ele ser analfabeto, incentivou os seis filhos a estudar. "Todos têm o segundo grau [ensino médio] e uma das filhas é pedagoga", contou Santos, que não lê nem escreve o próprio nome.

Queda no Nordeste

A maior queda entre as regiões ocorreu no Nordeste, onde a taxa caiu de 17,4%, em 2012, para 16,6% em 2013. Mesmo assim, a região ainda é a que tem o maior índice e concentra 53% de todas pessoas que não sabem ler ou escrever do país.

A região Sul foi a que registrou a menor taxa de analfabetismo, com 4,2% em 2013. Já a região Sudeste concentra 24,2% do total de analfabetos.

Quanto à idade, a Pnad 2013 mostrou que o maior índice de analfabetos se concentra no grupo de pessoas com 40 anos ou mais, 37,6%.

Beto Macário/UOL
O pedreiro Paulo Ferreira, 42, aprendeu em um canteiro de obras a escrever o nome e algumas palavras, mas conta que já esqueceu

O exemplo disso é pedreiro Paulo Ferreira, 42, que aprendeu em um canteiro de obras a escrever o nome e algumas palavras, "mas já esqueceu". Ele foi de Correntes (PE) para Maceió (AL) para trabalhar na construção civil há sete anos. Já tentou por duas vezes retomar os estudos no programa EJA (Educação de Jovens e Adultos), mas diz que o cansaço o fez desistir.

"Se não pude estudar, nasci com a inteligência para ser pedreiro e não me falta emprego. Me viro decorando os números dos ônibus para não me perder aqui em Maceió. Parei de estudar no serviço, pois eu não vou ficar na sala de aula dormindo na cadeira", afirma o pedreiro, que tem uma filha de três anos. Ele pretende colocá-la na escola com quatro anos.

"Vamos pagar uma escola particular, pois ela é inteligente e não queremos esperar para ela completar cinco anos para entrar na escola da rede pública."

Por ser uma pesquisa por amostra, as variáveis divulgadas pela Pnad estão dentro de um intervalo numérico, que é o chamado "erro amostral". Segundo o IBGE, não há uma margem de erro específica para toda a amostra. Para a Pnad 2013, foram ouvidas 362.555 pessoas em 148.697 domicílios pelo país.

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