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Alunos da Uninove fazem protesto contra o racismo em São Paulo

 Na quarta-feira (15), uma mensagem racista foi encontrada em um dos banheiros da Uninove, no campus da Barra Funda, em São Paulo. A mensagem foi apagada  - Reprodução/Facebook
Na quarta-feira (15), uma mensagem racista foi encontrada em um dos banheiros da Uninove, no campus da Barra Funda, em São Paulo. A mensagem foi apagada Imagem: Reprodução/Facebook

Daniel Santos

Do BOL, em São Paulo

17/10/2014 20h08Atualizada em 18/10/2014 09h59

Um grupo de estudantes se reuniu em frente à Universidade Uninove, nesta sexta-feira (17), no campus da Barra Funda, em São Paulo (SP), para protestar contra racismo na instituição. Na quarta-feira (15), uma mensagem racista foi encontrada em um dos banheiros da faculdade. "Lugar de negro macaco é na senzala, não na faculdade", dizia o texto, fotografado por alunos.  Com alto-falante e cartazes, os manifestantes chamaram a atenção ao gritarem, em coro, "racistas não passarão".

Segundo Danilo Gonçalves, 26, estudante de ciências sociais, o objetivo do ato é "transbordar a faculdade", ou seja, mostrar que o preconceito é está em toda parte. "O racismo, ou qualquer outro preconceito, não acontece só aqui. Queremos também conscientizar quem passa e vê o nosso protesto. A mensagem nazista do banheiro foi o que nos motivou, mas estamos aqui para repudiar qualquer tipo de discriminação".

Danilo também contou que a segurança do prédio foi alertada sobre a mensagem, mas disse aos alunos que se tratava de uma "situação normal e corriqueira".

Para Carina Vitral, 25, do curso de economia, a manifestação é mais um aviso à sociedade. "É importante dar visibilidade a um problema que é tão recorrente. A mensagem do banheiro remete a duas situações abomináveis: o texto fala em 'senzala', que nos leva a sofrer de novo  por um período nefasto da nossa história. Além disso, o autor fala em exclusão quando diz que 'lugar de negro não é na faculdade'. Queremos reforçar que, sim, já temos política de inclusão válida para todos".

Na quinta-feira (16), uma nota do site SPresso SP apontou para outras situações de discriminação. Segundo a nota, um indivíduo com uma suástica tatuada no braço teria ameaçado de morte um punk que estava com os estudantes em um bar próximo à faculdade, e um suposto grupo de alunos de direito, ditos nacionalistas, teria ameaçado uma universitária.

Os manifestantes dizem desconhecer os casos. Porém, de acordo com um professor que acompanhava o ato, alunos já reclamaram de grupos integralistas nos arredores ou na própria faculdade. Mas o docente, que não quis ser identificado, diz que não tem como comprovar se essas facções são efetivas ou se foram casos isolados, "talvez motivados pelas discussões  polêmicas das Eleições".

A manifestação, que durou cerca de uma hora, foi finalizada com uma música do rapper Criolo.

A universidade

De acordo com o estudante Danilo Gonçalves, a diretoria da Uninove tomou conhecimento da mensagem – que foi apagada - e prometeu se reunir com alunos para conversar sobre o ocorrido. "A faculdade se ateve ao problema e sugeriu que nos juntássemos para elaborar um projeto de conscientização, ainda indefinido e sem prazo".

Procurada para falar sobre o caso, a universidade emitiu uma nota oficial sobre o caso e afirmou repudiar qualquer tipo de ato como o ocorrido. "A Uninove, inspirada nos princípios da Igualdade, da Justiça Social e da Solidariedade, verdadeiros pilares do Estado Democrático de Direito, refuta veementemente qualquer manifestação de ódio, de intolerância, de discriminação e de violência, que não se coadunam com o País que pretendemos construir", afirmou a instituição.

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