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Professor de SP usa Minecraft para estimular criatividade e cooperação

Karina Yamamoto

Do UOL, em São Paulo

12/03/2015 06h00

Na sala ampla e iluminada em que acontecem as oficinas de jogos, há sempre música tocando e, se os alunos preferirem, não precisam usar sapatos. A intenção é que, ali, os estudantes, com idades que variam de 11 a 14 anos, tenham um ambiente estimulante para suas criações.

Quem nos conta isso é o professor Francisco Tupy, 34, responsável pela atividade extracurricular no Colégio Visconde de Porto Seguro, em São Paulo.

O projeto "Ópera Tecnológica", que ele nos apresenta, foi um dos três finalistas brasileiros -- entre 114 inscritos na América Latina -- no Fórum Global de Educadores promovido pela gigante Microsoft.

Usando o Minecraft, jogo de computador de construção com blocos e uma febre entre os adolescentes, Tupy promoveu atividades em que os alunos precisaram adotar estratégias para seus produtos, aprenderam a trabalhar em grupo e de maneira coordenada e ainda foram estimulados a promover o diálogo por meio de suas criações.

Regras de qualidade

A reportagem do UOL conversou com alunos no final de fevereiro. O grupo era composto por Alexandre Duarte Pieirantone, 11, Flávio Borges Tolezano, 12, Guilherme Alvarenga Shintate, 12, Kevin Prestes Vieira, 13, Marina Braga, 12 e Nicolas Vicelli Martini, 13. E foram eles que explicaram como os jogos são elaborados.

Alexandre, 11, gosta tanto de jogos e de jogar que mantém um canal no YouTube sob o codinome mega play - Reinado Canato/UOL
Alexandre, 11, gosta tanto de jogos e de jogar que mantém um canal no YouTube sob o codinome mega play
Imagem: Reinado Canato/UOL

Todos se interessaram pela atividade -- 1h30 a mais por semana na carga horária -- por um motivo bem simples: gostam de jogar no videogame ou computador e de tecnologia. Por isso, Mariana conta, não esperavam que a oficina incluísse a confecção de jogos analógicos, de tabuleiro.

Kevin completa que aprendem além de "fazer o jogo", eles se capacitam para trabalhar em equipe. E é em grupo que os estudantes vão contando mais sobre as atividades.

Além de pensar na história, na narrativa do produto, eles também precisam criar protótipos e testá-los. Segundo Nicolas, faz parte do processo verificar se o jogo não fica cansativo e se as regras são compatíveis. Alexandre, que tem um canal de jogos no YouTube e usa o codinome mega play, completa que cada integrante se encarrega de uma etapa: quem gosta de desenhar fica com a parte gráfica, por exemplo.

Eles seguem três regras, conta o professor. Em primeiro lugar, foco -- eles estão ali para fazer o jogo. A segunda é cooperação -- o time precisa estar coeso e trabalhar em equipe. E, por último, eles nunca aceitam o primeiro resultado porque ele sempre pode melhorar.

Guilherme, 12, desenvolveu um jogo com labirintos e traduziu as instruções para o alemão - Reinado Canato/UOL
Guilherme, 12, desenvolveu um jogo com labirintos e traduziu as instruções para o alemão
Imagem: Reinado Canato/UOL

Mão na massa

O "Ópera Tecnológica " foi um projeto em que os alunos criaram diversos jogos -- com cartas (cards), tabuleiro, além da construção de um castelo com mais de 100 mil blocos dentro do ambiente do Minecraft -- com base na famosa obra "O Anel dos Nibelungos" do compositor alemão Richard Wagner (1813-1883)

A ideia, conta Tupy, era aproveitar o envolvimento do colégio com a cultura da Alemanha -- o Porto oferece ensino de alemão -- e apresentar a saga de Wagner aos alunos.

"A oficina de games mostra que o jogo extrapola o próprio jogo", diz Tupy. "Utilizamos o que os jovens gostam em benefício da formação deles, desenvolvendo habilidades vocacionais e sociais que as demais disciplinas convencionais não desenvolvem."

Além disso, Tupy usa a ópera como metáfora para o projeto: as habilidades de cada um compõem a obra final. Nesse processo, o professor, que faz doutorado na USP (Universidade de São Paulo), articula teóricos da aprendizagem (Piaget), das múltiplas inteligências (Gardner) e da tecnologia na educação (Moran).

"A tecnologia propicia prática", explica a diretora geral do departamento Tecnologia Educacional, Renata Pastore, 50. Segundo ela, o uso da tecnologia traz opções para o professor estimular o aluno a ser protagonista, além de possibilitar o trabalho do conteúdo de maneira direta. 

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