PUBLICIDADE
Topo

Professores colocam flores em grades da Assembleia Legislativa do Paraná

5.mai.2015 - Professores colocam flores nas grades da Assembleia Legislativa do Paraná, local onde foi o confronto entre professores e a PM na semana passada - Lucas Gabriel Marins/UOL
5.mai.2015 - Professores colocam flores nas grades da Assembleia Legislativa do Paraná, local onde foi o confronto entre professores e a PM na semana passada Imagem: Lucas Gabriel Marins/UOL

Lucas Gabriel Marins

Do UOL, em Curitiba

05/05/2015 12h52Atualizada em 05/05/2015 13h47

Em ato simbólico, manifestantes depositam flores brancas nas grades de Assembleia Legislativa do Paraná, palco do embate entre professores e policiais que deixou 200 feridos na última quarta-feira (29). "Onde tinha bombas, vamos colocar flores", diziam. De acordo com a Polícia Militar, por volta 15 mil pessoas participam do ato.

Os manifestantes, que se reuniram na praça 19 de Dezembro na manhã desta terça-feira (5), estão concentrados agora na praça Nossa Saleta de Salete, que fica no meio da Assembleia e do Palácio Iguaçu, no Centro Cívico de Curitiba. Pouco mais de 10 policiais estão ao redor do local. Na frente do Palácio, no entanto, há pelo menos 50 seguranças.

No caminho até a praça, os professores gritavam frases do tipo “Eu quero ver, se vai cair o secretário que mandou nos agredir”, puxados por quatro carros de som. Além de flores, carregavam faixas, com frases “menos bala e mais educação” e cartazes com fotos dos deputados que apoiaram as mudanças na lei da Paraná Previdência.  Ao todo, 31 parlamentares votaram a favor e 20 contra, além de duas abstenções.

“Vim participar do protesto porque quero menos balas e bombas. Eu quero mais giz, mais material para trabalhar e mais dignidade para os professores”, diz a professora de artes Alba Marques, 55. Alunos do Colégio Estadual Paraná entoavam “o professor é meu amigo. Mexeu com ele, mexeu comigo”.

O curso de Letras da Universidade Federal do Paraná (UFPR) liberou os alunos para participar da manifestação. “O professor de italiano daria uma prova hoje, mas permitiu a saída dos alunos que queriam vir para o ato”, conta a estudante Tássia Valente, 31.

Diversos funcionários da Assembleia Legislativa apareceram nas janelas e escadas do prédio durante a passagem dos manifestantes. Eles foram “recebidos” com varias e frases do tipo “fora comissionado”. 

Protestos

Os protestos começaram porque os deputados votaram, a portas fechadas, o projeto do governo Beto Richa (PSDB) que modifica a previdência dos funcionários públicos estaduais. Os professores, ao tentaram romper o cerco da Polícia Militar na Assembleia Legislativa e impedir a votação, na última quarta-feira (29), foram recebidos com bombas de gás e balas de borracha. Segundo a Prefeitura de Curitiba, foram mais de 200 feridos.

A polêmica lei de reforma da previdência, sancionada pelo governador na quinta-feira (30), transfere mais de 33 mil beneficiários de 73 do Fundo Financeiro, bancado pelo governo estadual, para o fundo Previdenciário, composto pela contribuição dos próprios servidores. Esses servidores serão pagos ao longo dos próximos anos com recursos poupados por eles mesmos. A mudança, na prática, dará ao governo uma economia de R$ 125 milhões por mês.