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"É uma causa justa", diz Isadora Faber sobre ocupações de escolas em SP

Isadora acompanha os protestos de SP pela TV e pela internet - Camila Rodrigues da Silva/UOL
Isadora acompanha os protestos de SP pela TV e pela internet Imagem: Camila Rodrigues da Silva/UOL

Camila Rodrigues da Silva

Colaboração para o UOL, em Florianópolis

27/11/2015 05h00

A estudante Isadora Faber, 16, está acompanhando as ocupações nas escolas de São Paulo pela TV e pela internet de sua casa, em Florianópolis (SC). Ela ganhou fama ao denunciar problemas na escola pública onde estudava com sua página no Facebook, Diário de Classe. Em 2013, ela foi apontada como "estrela ascendente" brasileira pelo prestigiado jornal inglês Financial Times. 

E ela? Ocuparia uma escola? "Provavelmente [sim], porque muitos alunos estão sendo prejudicados. Se eu fosse prejudicada, eu ocuparia uma escola", conta a garota.

Mas Isadora não tem certeza de que teria apoio dos antigos colegas da escola pública -- atualmente, ela faz ensino médio na rede privada. "Quando eu estudava lá, posso dizer que aqueles colegas não fariam algo daquele tipo. O pessoal não se mexe para essas coisas, por medo, por sofrer alguma consequência por isso. Por medo de não ser apoiado pela sociedade", diz. 

Na sua visão parte da força do movimento em São Paulo vem do apoio recebido: "Acho que eles estão fortes porque têm o apoio dos pais. E eu sei como que é: se tem resistência de um lado, mas um apoio muito mais forte do outro, dá para continuar. Eles são vários e estão lutando por uma causa justa”, avaliou.

Disse que não conseguiu apoiar mais ativamente porque está no meio de dois projetos de sua ONG, fundada em 2013 e que leva seu nome -- um deles é a ampliação do Diário de Classe e se chama “Diário das escolas”, que será uma plataforma de denúncias;  e o outro, chamado “Aluno Nota 10”, que pretende dar notebooks, celulares e viagens a alunos com boas notas.

Isadora acaba de concluir o segundo ano do ensino médio, preparando-se para entrar no “terceirão”. Ela deixou a Escola Básica Municipal Maria Tomázia Coelho, no bairro do Santinho, e foi matriculada em uma escola privada, no centro de Florianópolis.

“Ficou bem mais difícil quando eu mudei de colégio. Tive que correr atrás para estudar, porque a média era sete e era muito mais difícil [que na outra escola].”, diz a menina justificando a falta de tempo para atualizar sua página cujo última postagem foi no começo de outubro.

Sua relação com a antiga escola foi praticamente rompida. A última vez que entrou lá foi no ano passado, mas o acesso foi limitado pela hostilidade da maioria dos professores e funcionários, que nunca concordaram com as denúncias feitas na página. “Eles me deixaram entrar, mas logo em seguida pediram que eu saísse”, recorda-se.

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