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Lista de escola pede kit cozinha para menina brincar e gera críticas no MA

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

13/01/2016 12h11

Para os meninos, a brincadeira de 2016 será com ferramentas de médico ou bombeiro. Já as meninas devem brincar com kits de cozinha ou de cabeleireiro. Esses foram os pedidos da lista de material escolar do colégio "O Bom Pastor", de São Luís, que está causando polêmica por diferenciar o material de acordo com o sexo das crianças.

A lista de “material de apoio pedagógico, lúdico e brincadeiras faz de conta” entregue aos pais traz itens “opcionais” que diferenciam brinquedos de meninos e meninas. A lista caiu na Internet e foi alvo de acalorada discussão. O colégio pediu desculpas e disse que já mudou a lista.

A lista levou pais a fazerem queixa no Procon, que autuou a escola por conta de pedidos considerados ilegais de uso coletivo.

A diferenciação de brinquedos foi alvo de críticas. O movimento “Coletivo Fridas”, que defende a causa feminista no Maranhão, divulgou nota afirmando que a lista ajuda a alimentar o machismo na sociedade.

“Repudiamos essa instituição, que reforça a lógica do patriarcado machista, que tem como consequências a misoginia e a violência à mulher”, disse.

“Segundo a lógica patriarcal, mulheres foram destinadas a cuidar do marido, da casa e dos filhos, ser submissa, estar sempre dentro do padrão de beleza e obedecer ao homem. Crianças são submetidas a essa lógica, quando por exemplo, meninas recebem brinquedos de cozinha, cabeleireiro, de cuidar da casa (vassourinhas, ferros de passar, etc). Dessa forma, essas meninas são ensinadas que seu papel na sociedade é estar em casa, calada e obediente. A elas, não são dadas a oportunidade de sonhar com um carrinho, super-heróis ou brinquedos que trabalhem o desenvolvimento psicossocial da criança”, complementa o texto.

Debate nas redes

Nas redes sociais, o debate sobre o tema foi intenso. “Absurdo! Meu sobrinho de 3 anos estuda lá e já está cheio dessas ideias 'boneca é de menina, boneco é de menino. Mulher não joga bola'. E eu tentando mudar essa forma dele de pensar, dizendo que não é assim e explicando, mas parece que eles incrustam essas ideias na criança”, disse Caroline França.

Muitas pessoas defenderam a postura da escola. “Claro que existem brinquedos de meninos e brinquedos de meninas. E vocês não vão mudar isso. E isso não tem a ver com a escolha da profissão. A escola está correta. Só está complementando os ensinamentos que devem ser iniciados em casa. Ah, só pra constar: Deus criou Adão e Eva, não confundam, nem deturpem”, disse Eliane Chaves.

“Meus filhos estudam lá há mais de três anos e em nenhum momento a escola me transmitiu um nenhum tipo de 'sexismo'. Nós, pais, não somos obrigados a comprar os brinquedos em destaque. O colégio em momento algum desclassifica ou classifica homem e mulheres e o conhecimento que eles vem transmitindo aos meus filhos é de muito qualidade e satisfação”, defendeu Marcelina Moraes.

Procon autua colégio

Além da polêmica sobre a divisão de brinquedos por sexo, o Procon do Maranhão também reclamou dos pedidos feitos aos pais. Segundo o órgão, em outubro de 2015, o órgão divulgou lista com mais de 60 itens de uso coletivo que não poderiam ser solicitados em listas de material pelas escolas.

Em nota, o Procon disse que pais reclamaram da lista da escola “O Bom Pastor”, e que pedidos como caixas de dominó, rolos de fitas, pacote de balão e os diferentes kits de brinquedos são práticas consideradas “abusivas”.

Com a inclusão de itens irregulares, o Procon autuou o colégio e o proibiu de usar a lista de material com itens considerados de uso coletivo.

“Sólida educação de valores”

Fundado em 1983, o colégio "O Bom Pastor" se intitula – em sua página na internet -- como uma escola de “ambiente de convivência sadia e democrática, respeitando o meio ambiente e baseando-se em uma sólida educação de valores.”

Em nota enviada ao UOL na noite dessa terça-feira (12), o colégio reconheceu o erro na lista e pediu desculpas. “Pedimos sinceras desculpas a toda a comunidade acadêmica e à sociedade pelos eventuais desconfortos causados, reiterando sempre nosso posicionamento em favor do respeito à diversidade de gênero”, informa.

Ainda segundo o colégio, os pedidos “deram margem a interpretações diversas do que nossa Instituição acredita, defende e educa.” “Ao sermos alertados por nossas famílias, bem como pelo apelo advindo das redes sociais, prontamente, desde o dia de ontem, corrigimos as mesmas e, a posteriori, disponibilizamos as novas listas em nossos veículos de comunicação para nossa comunidade acadêmica”, explica.

O colégio ainda se comprometeu a “revisar com ainda mais rigor nossas práticas e mantermos vigilância permanente para que equívocos como este não se repitam, especialmente porque são contrários ao que acreditamos.”