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Enem x SAT: brasileiro aceito em 3 faculdades nos EUA fala sobre diferença

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

  • Arquivo pessoal

    Vinícius Gaby, 18, fez o SAT -- o Enem dos norte-americanos -- no final do ano passado

    Vinícius Gaby, 18, fez o SAT -- o Enem dos norte-americanos -- no final do ano passado

O rondoniense Vinicius Gaby tem 18 anos e com essa idade já prestou quatro vezes o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), conseguiu passar em 18 universidades brasileiras e ser aceito três norte-americanas.

No final do ano passado, além do nosso exame nacional, ele também fez o SAT (Scholastic Aptitude Test), o "Enem" dos Estados Unidos.

"No Brasil, o aluno faz a prova do Enem e dependendo da nota que ele tirar pode ou não entrar em determinado curso de determinada universidade. Já o SAT é apenas um elemento dentro do processo de seleção", conta Gaby.

Atualmente, o jovem estuda medicina na USP (Universidade de São Paulo) e deve começar os estudos na Universidade de Michigan no começo do ano que vem. Quer fazer biologia.

"É que lá se começa com um curso mais amplo e só se escolhe o curso de formação a partir do segundo ano. Eu quero fazer bioquímica ou biologia molecular", diz.

Além de uma boa nota no SAT, Gaby precisou ter um bom histórico escolar, boas notas do ensino médio, cartas de recomendação e participação em atividades extracurriculares para conseguir uma vaga na Universidade de Michigan. Ele conseguiu uma bolsa na Fundação Estudar para custear os estudos, já que as universidades dos Estados Unidos não são gratuitas.

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Jovem vai estudar na Universidade de Michigan, nos EUA

Enem X SAT

Entre 2014 e 2015, 3.934 brasileiros se inscreveram no exame, 77% a mais do que os 2.225 que fizeram o exame entre 2010 e 2011. Gaby estava entre eles.

Ele prestou a versão antiga do SAT, já que o exame teve algumas modificações no começo do ano.

Entre as mudanças, estão uma nova contagem de pontos e o fim da punição antichute --antes a cada quatro questões erradas, uma certa era anulada. O Enem tem a TRI, que também funciona como um "sistema antichute".

A redação deixou de ser obrigatória, mas continua sendo essencial para ingressar em algumas universidades. No Brasil, o aluno não tem escolha e a redação costuma ter muito peso.

Vinícius Gaby conta que quando fez o SAT percebeu o quanto ela era diferente do Enem, tanto na forma de aplicação quanto no formato.

Enquanto as provas do Enem são divididas em quatro áreas, distribuídas em dois dias, o SAT tem duas partes: o Standard e o Subject Test, que podem ser aplicados com até um mês de diferença. O Standart tem questões que avaliam aspectos da linguagem, matemática e língua inglesa.

O aluno precisa escolher entre três tipos provas no Subject Test, que contém as disciplinas que estão mais relacionadas com o curso que o aluno deseja fazer (como as provas específicas de vestibulares como a Fuvest que seleciona para a USP).

"Eu fiz matemática 2, química e biologia. As duas primeiras eu gabaritei, a segunda eu não gabaritei por pouco", se orgulha.

Outra diferença é que no SAT os estudantes têm um intervalo entre uma prova e outra no dia da aplicação do teste --por aqui, não existe esse descanso.

"Por exemplo, o candidato tem uns 40 minutos para fazer a redação. Depois que o tempo acaba, todo mundo sai da sala, pode tomar uma água, ir ao banheiro e voltar para fazer a outra parte da prova", diz. Aqui no Brasil, o aluno pode sair da sala acompanhado por um fiscal, um a um.

Gaby conta também que, no SAT, é permitido levar calculadora para a sala de aula.

"A prova de matemática é objetiva e depende muito da lógica. No Enem, para fazer a prova de matemática o aluno precisa saber determinada fórmula e não pode usar calculadora", diz.

SAT não é "bicho de sete cabeças"

Para Vinicius Gaby, quem faz um bom ensino médio no Brasil consegue fazer um bom SAT. "Eu fiquei nervoso quando fui fazer o Subject Test porque não tinha estudado especificamente para ele. Como estava me preparando para o Enem, não deu para olhar o formato da prova, nem nada. Fiquei nervoso, mas na hora de fazer foi bem tranquilo", diz.

Ele conta que a ideia de estudar nos Estados Unidos não foi planejada. "Eu descobri essa possibilidade depois de ter terminado o ensino médio, pesquisei antes e tentei no ano passado. Para quem está no ensino médio, a ideia de fazer um curso superior nos Estados Unidos é algo muito distante. Mas não é um bicho de sete cabeças e com planejamento dá para fazer", conta.

O sonho de Gaby é conseguir no futuro desenvolver pesquisas para a produção de equipamentos biotecnológicos de baixo custo. "A minha vontade é ser capaz de criar novas biotecnologias que mudem a vida das pessoas, independente do status social delas".

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