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Em Curitiba, atraso de um minuto deixa candidato de fora do Enem

5.nov.2016 - Jovens se aglomeram em local de prova em Curitiba para assistir à chegada dos alunos atrasados no Enem - Lucas Pontes/UOL
5.nov.2016 - Jovens se aglomeram em local de prova em Curitiba para assistir à chegada dos alunos atrasados no Enem Imagem: Lucas Pontes/UOL

Rafael Moro Martins

Colaboração para o UOL, em Curitiba

05/11/2016 14h25

Foi por um minuto que Guilherme Guarnieri do Carmo, 28, perdeu o primeiro dia de prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2016 na Universidade Federal Tecnológica do Paraná (UTFPR), região central de Curitiba.

“Só um minuto, cara. Mas eu entendo perfeitamente”, lamentou-se.

“Vim de carro. Saí de casa [no Abranches, bairro da região norte de Curitiba] com meia hora de antecedência. Mas parece que, quando temos pressa, todos os sinaleiros ficam vermelhos”, falou, usando o termo com que os curitibanos se referem aos semáforos.

Guilherme faria o Enem para tentar uma bolsa de estudos que reduzisse os R$ 1.117 que paga por mês pelo curso de engenharia de produção que faz numa universidade privada de Curitiba. “Pena. Mas capaz que ainda venha amanhã”, resignou-se.

5.nov.2016 - Ramines Ribeiro, 36, não encontrou o local de prova do Enem; a atrasada tentaria uma vaga em enfermagem - Lucas Pontes/UOL - Lucas Pontes/UOL
5.nov.2016 - Ramines Ribeiro, 36, não encontrou o local de prova do Enem
Imagem: Lucas Pontes/UOL

A cozinheira Ramines Ribeiro, 36, não chegou atrasada, mas perdeu a prova por ter ido ao local errado. “Estava sem computador, pedi a uma amiga para fazer a inscrição. Achei que meu local era na [Rua] João Negrão [a algumas quadras da UTFPR]. Cheguei lá e meu nome não estava. Me mandaram para cá, mas também não era aqui”, disse.

“Mas não vou desistir”, garantiu. “Não estudei, vim com a cara e a coragem. Acabei ganhando um ano para me preparar”, afirmou Ramines, que pretende estudar enfermagem.

Do lado de fora, um grupo de alunos da UTFPR esperava o fechamento do portão, com as câmaras dos celulares ligadas, para flagrar os eventuais atrasados. Faltando alguns segundos para as 13h, fizeram até contagem regressiva. “É engraçado. Mas não põe o meu nome aí, que fica feio”, disse um deles.

Coordenador do Enem na UTFPR, o autônomo Cleverson Tiradentes informou que 1.050 estudantes estavam inscritos para fazer as provas no local. “Está tudo tranquilo”, disse ele, que trabalha no exame há cinco anos. “O único problema é quando a piazada [garotada, em no jargão curitibano] tenta colar.”

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