Em protesto, professor da Uerj pede emprego nas ruas, posta foto e viraliza

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

  • Reprodução/Facebook

    Com doutorado no exterior, professor da Uerj pede emprego nas ruas e foto é compartilhada milhares de vezes

    Com doutorado no exterior, professor da Uerj pede emprego nas ruas e foto é compartilhada milhares de vezes

Com o objetivo de denunciar a crise financeira que envolve a Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), um professor de engenharia química saiu às ruas neste domingo (11) com um cartaz pedindo emprego. Na cartolina, ele cita algumas informações sobre o seu currículo: mestrado na Coppe/UFRJ, doutorado em Lyon na França, pós-doutorado em Barcelona, na Espanha. Ele ainda fez referência aos idiomas que domina: inglês, francês e espanhol – fluentes.

Evandro Pereira, de 61 anos, é docente da Uerj há 19 anos e conta que o protesto já teve mais de 20 mil compartilhamentos no Facebook e que muitas pessoas já entraram em contato oferecendo ajuda financeira. Inclusive, pessoas de outros Estados.

"Tenho mais de mil mensagens no WhatsApp. Muita gente querendo doar dinheiro, perguntando se dou aula particulares, pedindo para enviar currículo por e-mail. Fiquei muito emocionado com a disposição das pessoas em querer ajudar. Pessoas muito sensíveis. A todas eu informo que a foto é uma maneira de protestar e chamar atenção para o descaso com o ensino público."

A ideia de fazer o protesto surgiu após o docente ler nos jornais que ainda não há previsão para o governo realizar os pagamentos dos salários dos servidores referentes ao mês de abril. Pereira é casado e tem duas filhas, uma de 16 e outra de 19 anos. Ele conta que já usou parte de economias feitas ao longo dos últimos anos para conseguir pagar as contas de casa.

"Essa situação é absurda. Amanhã estarei às 7h20 da manhã na Uerj para dar aula. Vou até 12h30 e sequer tenho ideia de quando vou receber meus salários. Trago experimentos meus de indústrias para as aulas. Levamos experiência nossas de fora da sala de aula para os alunos, para mostrar o que eles vão encontrar por aí. Ou seja, temos toda uma preocupação com o ensino, com a formação e o governo não está nem aí para gente", lamenta o docente.

No dia 31 de maio, O juiz Alberto Nogueira Júnior, da 10ª Vara Federal do Rio, concedeu liminar obrigando o governo a pagar o salário de professores e servidores da Uerj junto com o dos demais profissionais de Educação. Mesmo assim, eles não receberam nem o salário de abril nem o 13º salário e férias.

Crise no Rio de Janeiro

Enquanto a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio) aprova medidas de austeridade, mais de 200 mil servidores continuam sem receber o salário referente ao mês de abril. Os projetos do Executivo são exigências da União para socorrer o Estado do Rio através do Regime de Recuperação Fiscal.

Um dos benefícios a ser concedido é a suspensão do pagamento de dívidas com o governo federal. Além disso, empréstimos estão previstos. Um deles será de R$ 3,5 bilhões que serão utilizados, segundo o governo do estado, para acertar a folha de pagamento do funcionalismo. No entanto, o socorro financeiro só poderá ser realizado após o governador, Luiz Fernando Pezão, sancionar as leis aprovadas. Por enquanto, a União continua bloqueando as contas do governo fluminense. Na semana passada, R$ 109,5 milhões foram bloqueados dos cofres públicos. Segundo a Secretaria de Fazenda, o bloqueio ocorre devido ao não pagamento de dívidas com o governo federal.

Servidores pagarão mais por Previdência

No dia 24 de maio, os deputados da Alerj aprovaram o projeto de lei que aumenta a contribuição previdenciária dos servidores estaduais. A alíquota de desconto passará de 11% para 14% dos servidores que estão com o salário em dia. O aumento entra em vigor em agosto.
 

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