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Metade dos diretores do país diz que alunos agridem funcionários na escola

Karime Xavier/Folhapress
Imagem: Karime Xavier/Folhapress

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

2019-04-25T20:30:00

2019-04-25T18:34:38

25/04/2019 20h30

Metade dos diretores da rede pública de todo o Brasil afirma já ter havido agressão verbal ou física de alunos a professores ou funcionários da escola. Além disso, 9,9% dos diretores relataram ter sido ameaçados por algum aluno, 16,7% afirmaram que estudantes frequentaram aulas sob efeito de bebidas alcoólicas e 22,5% disseram que alunos frequentaram aulas sob efeito de drogas ilícitas.

Entre os próprios estudantes, a violência é ainda mais frequente: 72,4% dos professores dizem ter havido no último ano agressão física ou verbal entre os alunos.

Os dados constam de uma análise dos questionários do Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica) 2017, o mais recente da série histórica, divulgada hoje pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional).

O Saeb é um conjunto de provas de escala nacional que testa conhecimentos de língua portuguesa e matemática. Junto ao exame, um questionário sobre aspectos como infraestrutura, segurança e recursos pedagógicos é entregue a alunos, professores e diretores.

Apesar dos altos índices de agressão no ambiente escolar, 72% dos diretores disseram, ao responder o questionário, que há projetos sobre violência na escola onde trabalham.

Para Telma Vinha, pedagoga e doutora na área de psicologia, desenvolvimento humano e educação pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), os dados dos questionários do Saeb 2017 são coerentes com outros estudos que indicam que escolas brasileiras têm sofrido mais com problemas de convivência do que os países desenvolvidos.

"Contudo, o fato de o Saeb juntar em uma única pergunta agressão física e agressão verbal, tanto contra alunos quanto contra os professores e funcionários, impede uma análise mais criteriosa do tipo de agressão, posto que são formas completamente diferentes", afirma.

Telma Vinha também pontua que, apesar de as escolas desenvolverem ações com conceitos de diversidade, respeito e não violência, "é importante destacar que atividades pontuais, como palestras, ou atividades específicas, apresentação da legislação e desenvolvimento de um ou outro projeto não são propostas consideradas efetivas para transformar valores e condutas".

"Apesar de termos leis e documentos que abordam a Lei Antibullying (Lei 13.185/2015) e mesmo a BNCC [Base Nacional Comum Curricular], faltam políticas públicas que, efetivamente, se traduzam em ações transformadoras nas escolas", afirma.

Na edição de 2017, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), autarquia do MEC (Ministério da Educação) responsável pela aplicação do Saeb, visitou mais de 73 mil escolas e mais de 5,4 milhões de estudantes fizeram os testes. Não foi divulgado o número exato de questionários respondidos.

Segundo o Inep, 77% dos estudantes brasileiros previstos estiveram presentes no momento da aplicação das avaliações e 80% das escolas previstas cumpriram os critérios estabelecidos --e, portanto, tiveram os resultados divulgados no Saeb 2017.

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