Topo

Professor "cava" pênalti para incluir aluno cadeirante em jogo de futebol

Abinoan Santiago

Colaboração para o UOL

01/12/2019 04h00

Um vídeo registrado da varanda de um prédio de Curitiba mostra uma cena curiosa na quadra da escola municipal Sidônio Muralha. O professor de educação física Rogério Veiga, de 34 anos, interrompe a partida de futebol de uma turma e auxilia um aluno em cadeira de rodas para cobrar um pênalti com as mãos. O gesto viralizou nas redes sociais na última semana.

O caso aconteceu na sexta-feira, dia 22 de novembro. O professor viu Rikelmy Trevisan, de 7 anos, sozinho e decidiu incluí-lo no jogo de futebol. Ele levou o aluno, que não tem os movimentos das pernas, até a marca do pênalti e o auxiliou na cobrança. A bola foi para dentro das redes e todos os colegas comemoram, incluindo os do time que sofreu o gol.

"Naquele momento fui ajudar o Rikelmy, um aluno cadeirante. Sempre falo para os meninos o incluírem. Apesar de jogar com as mãos, é o jeito dele, mas as crianças nesta idade querem jogar. Então, eu fui ajudá-lo. Arrumei um pênalti e o fiz bater. Todos comemoraram, foi muito legal", conta o professor.

'Mamãe, não posso faltar à aula'

Rikelmy Trevisan - Arquivo pessoal
Rikelmy Trevisan
Imagem: Arquivo pessoal

Rikelmy nasceu com mielomeningocele, que é a má formação da coluna vertebral, o que deixou sem mobilidade das penas. O menino ainda tem hidrocefalia. Mesmo assim, não gosta de perder as aulas de educação física, segundo a mãe, a vendedora Anna Souza, de 29 anos.

Ela conta que ficou feliz ao ver o filho incluído nas atividades com os demais alunos. "Eu vi e achei muito bonito o gesto do professor com o Rikelmy. Meu filho gosta bastante das aulas dele. Quando chega sexta-feira, que é o dia da educação física, ele acorda sempre disposto para ir à escola e diz 'mamãe, não posso faltar'".

Apaixonado por futebol, o são-paulino Rikelmy tem o nome em homenagem ao ex-jogador argentino Juan Román Riquelme. Para a mãe, a inclusão do filho no esporte preferido dele mostra que ele não é "tão diferente" dos colegas.

"Ele gosta muito de futebol, assiste e brinca de bola em casa mesmo com toda a limitação. Eu achei muito legal essa inclusão porque assim não se sentiu tão diferente das outras crianças, apesar de suas limitações. Foi um gesto muito bonito", conclui a mãe.

Exemplo para os colegas

Rogério Veiga - Arquivo Pessoal
Rogério Veiga
Imagem: Arquivo Pessoal

Segundo Veiga, Rikelmy é um dos alunos mais ativos durante as aulas, principalmente quando envolve futebol. O garoto está no terceiro ano do ensino fundamental. O professor considera que a força de vontade da criança com as atividades físicas acabou virando exemplo para demais colegas também participarem.

"O Rikelmy não tem mobilidade nas pernas, tem hidrocefalia, um problema na coluna e nada disso o impede de ser uma criança feliz. Fiquei impressionado quando o conheci. É bem esperto e vive rindo. Ele nunca fica parado, sempre quer participar de tudo. É um exemplo para muitas crianças e adultos que não gostam de participar de uma atividade física", avalia Veiga, que revela ter ficado surpreso com a repercussão do vídeo.

As imagens foram gravadas pelo designer gráfico Reimackler Graboski, de 40 anos. Ele vibrou com a cena. "O aluno tentou entrar em quadra e ninguém tocou a bola, então, peguei meu celular e resolvi gravar. Quando liguei a câmera, foi o momento que o professor o pegou e o inseriu para participar do jogo. O professor arrumou um pênalti e o menino fez o gol. A comemoração dos colegas que me marcou. Vibrei tanto que até chamei um palavrão. Resolvi publicar porque ações assim incentivam outras a fazer o bem", destacou.

Errata: o texto foi atualizado
O nome do professor de educação física é Rogério Veiga. e não Veiga como aparecia no início da reportagem. O texto foi corrigido

Educação