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Curso investe R$ 900 mil em aulas virtuais e tem palestra até de Luxemburgo

Curso investe R$ 900 mil em aulas virtuais como as de Nando Nizoli, professor de matemática - Tuddo Comunicação
Curso investe R$ 900 mil em aulas virtuais como as de Nando Nizoli, professor de matemática Imagem: Tuddo Comunicação

Thiago Fernandes

Do UOL, em Belo Horizonte

05/06/2020 16h52

A pandemia do novo coronavírus obrigou a reinvenção do sistema de ensino no Brasil. Cursos preparatórios para o vestibular tiveram que modificar a forma de trabalhar a fim de manter os alunos capacitados para as provas futuras. Conhecido por preparar estudantes para a faculdade de medicina, o Hexag — com instalações em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte — investiu R$ 900 mil para viabilizar aulas virtuais e conseguiu até uma palestra com o técnico Vanderlei Luxemburgo.

A empresa já havia investido cerca de R$ 500 mil em 2018, durante a greve dos caminhoneiros. Prejudicado pela paralisação do país à época, o cursinho pré-vestibular iniciou o trabalho com uma ferramenta online para seguir lecionando os jovens.

Dois anos mais tarde, as salas de aula foram aprimoradas com um novo investimento, que supera os R$ 900 mil. A intenção é simular uma sala de aula virtual para deixar o aluno mais à vontade.

"O Hexag seguiu o cronograma normal, porque os alunos podem subir redações semanalmente. Nós já tínhamos essa plataforma, enquanto os outros cursos estavam correndo atrás de tudo. O aluno que vai cursar medicina precisa estudar 12 horas, 14 horas por dia. Os alunos estavam bem satisfeitos. Mas a gente notou que o aluno precisava de um estímulo maior. O Hexag investiu mais R$ 900 mil e, em um mês, a gente transformou todas as salas de aula do Hexag, na parte em que o professor fica, como se fosse um estúdio. A gente pegou um pessoal da Unicamp e transformou a parte que o professor dá aula em um estúdio, com placa acústica, iluminação no teto, microfone. Isso tudo está sendo muito legal, porque quando começamos a transmitir essas aulas ao vivo, o aluno se sente dentro do curso", disse Herlan Fellini, diretor do curso, em entrevista ao UOL.

"A gente conseguiu levar a sala de aula para dentro da casa do aluno. Tudo mudou, foi um investimento alto, mas vale a pena. A gente prioriza muito o aluno. Eles têm aula de ioga, atendimento psicológico. Faltava levar o aluno para dentro do curso. A gente tinha que estabelecer algo maior que a gente já tinha. Resolvemos inovar dessa forma e está sendo muito legal para os alunos. Eles têm uma rotina completa agora. Como a aula está sendo transmitida de dentro da unidade, a rotina é a mesma. Eu posso te dizer o seguinte. Se a gente não tivesse feito o investimento em 2018, não teria a possibilidade de fazer o que eu fiz. Fizemos porque sentimos um pouco por causa da greve dos caminhoneiros. Hoje, temos uma plataforma robusta", acrescentou.

As adequações na sala de aula não foram os únicos fatores de relevância no curso. Houve também a aposta em convidados renomados a fim de estimular o aprendizado dos alunos. A extensa lista de personalidades contou até com Vanderlei Luxemburgo, treinador do Palmeiras.

"A gente já estava preparado. Os alunos estavam bem satisfeitos, se sentiam privilegiados. Mas ainda assim tentamos motivar os alunos. Chamamos o responsável pela faculdade de medicina da Unifesp, uma faculdade de medicina bem conhecida em São Paulo. Trouxemos o Vanderlei Luxemburgo. É um cara vencedor e que motiva muito os jogadores. Trouxemos médicos famosos, como o Joaquim Grava [do departamento médico do Corinthians]. As lives eram duas vezes por semana. Naquele momento, a gente precisava motivar o aluno", comentou Herlan.

"Foi complicado, mas foi um aprendizado muito grande, porque quem conhece o Hexag sabe que a gente se doa muito para o aluno. Em resumo, a pandemia deu a oportunidade de se reinventar. Eu senti que os alunos estavam confiantes, mas até lá, foi um grande caminho. Essas lives ajudaram muito, porque os alunos se projetam naqueles caras. Um dos criadores do Enem, responsável pelo TRI (Teoria de Resposta ao Item), fez uma live com a gente. Os alunos entenderam como funciona o TRI do Enem", explicou.

Novos alunos e preparação para o fim da quarentena

As novidades apresentadas pela Hexag culminaram na procura de novos alunos. Ao todo, o curso efetuou 118 novas matrículas em meio à pandemia do novo coronavírus. O número é quase o quíntuplo do número de saídas — 21 deixaram a empresa.

"O Hexag matriculou 118 alunos novos durante a pandemia. Só que a gente brecou, porque eu tenho um limite para quando voltar para o presencial. Estouraria meu limite, não poderia receber mais alunos. Nós perdemos 21 alunos. Eu poderia fazer turmas novas, mas não optei por isso, porque o Hexag tem toda uma metodologia. A perda foi mínima", avaliou Herlan.

Quem não pôde manter a adimplência no pagamento das mensalidades recebeu a permissão para negociar o valor, conforme explicado pelo diretor do curso.

"Negociamos com vários alunos, porque a situação financeira ficou meio difícil. A gente estudou caso a caso. Às vezes, a pessoa é filha de um dentista, e os pais não têm renda. As pessoas ficaram perdidas. A plataforma começou em 2018. Demoramos um ano para desenvolvê-la. A maioria dos cursinhos passou duas, três semanas sem atividade. Muitos foram pegos de surpresa", completou.

A nova metodologia adotada pelo Hexag será mantida ao fim do isolamento social. Herlan Fellini projeta um rodízio na volta aos aulas e não descarta a permanência do sistema de ensino online.

"Depois da pandemia, por exemplo, o aluno quebrou a perna, ele pode usar a plataforma. Mesmo se o aluno não tiver possibilidade de ir no curso, ele pode pegar a plataforma para fazer isso. Mas eu acredito muito que não voltaremos 100%. Acho que as aulas voltarão em sistema de rodízio. Isso ajuda muito o aluno. Podemos voltar nesse sistema de rodízio, que é o que eu acho que vai acontecer", declarou.

"Até porque o sistema permite interação, inclusive, eles estão adorando, porque toda a aula que é transmitida na casa do aluno é ao vivo. Há dois plantonistas, ou monitores como chamam em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro, que selecionam as dúvidas e, após um período de aula, os professores começam a interagir nas dúvidas. Demoramos uma semana para expor isso, porque se a aula não tiver isso, vira uma aula muito expositiva. Muitos alunos pediram para seguir com o sistema de dúvidas dessa forma. Isso é uma coisa que a gente está estudando uma forma de viabilizar", concluiu.