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Reabertura de escolas em SP é avanço, diz associação de particulares

Prefeitura anunciou hoje que autorizará abertura de escolas para atividades extracurriculares em outubro - Dirceu Portugal/FotoArena/Estadão Conteúdo
Prefeitura anunciou hoje que autorizará abertura de escolas para atividades extracurriculares em outubro Imagem: Dirceu Portugal/FotoArena/Estadão Conteúdo

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

17/09/2020 18h21

A decisão do prefeito Bruno Covas (PSDB) de autorizar a reabertura de escolas da capital para atividades extracurriculares a partir de 7 de outubro foi classificada como um "avanço" pela Abepar (Associação Brasileira de Escolas Particulares). A entidade reúne colégios de elite de São Paulo, como Dante Alighieri, Vera Cruz e Bandeirantes.

Em nota, a Abepar diz que as escolas devem fazer um "cuidadoso exame" das determinações da Prefeitura depois que a medida for "oficialmente publicada e conhecida em todos os seus detalhes".

"O desafio de escolas e professores será agora o de acolher crianças e adolescentes, identificar dificuldades e encaminhar soluções para restabelecer vínculos e valorizar o conhecimento e a aprendizagem", afirma a nota.

Covas anunciou hoje que autorizará a reabertura de escolas públicas e particulares na capital —fechadas desde março deste ano devido à pandemia do coronavírus— a partir de 7 de outubro. Poderão ser realizadas apenas atividades extracurriculares, como cursos livres (aulas de idiomas ou de música) e atividades físicas ou de acolhimento.

Novo cronograma

O governador João Doria (PSDB) já havia liberado a abertura das escolas de todo o estado para a realização de atividades de reforço e acolhimento em setembro, mas Covas decidiu não seguir a decisão da gestão estadual e chegou a admitir a possibilidade de que as aulas só retornariam na capital em 2021.

Hoje, a Prefeitura sinalizou uma possibilidade de volta das atividades letivas presenciais para o dia 3 de novembro.

A reabertura para atividades extracurriculares, em outubro, será opcional para as escolas e para os alunos e deverá respeitar obrigatoriamente o limite de 35% de lotação das unidades escolares, como prevê o protocolo estabelecido pelo estado.

Sindicato das escolas critica demora

A medida também foi vista com bons olhos pelo Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo), sindicato que representa cerca de 10 mil escolas particulares de pequeno e médio porte em todo o estado paulista.

Diretor do Sieeesp, Benjamin Ribeiro da Silva diz que as escolas particulares estão prontas para receber os alunos desde agosto. Segundo ele, a maioria dos colégios filiados ao sindicato pretendem abrir as portas em outubro.

Silva reclama da demora da Prefeitura em tomar uma decisão sobre a reabertura das escolas e diz que, enquanto "em todo o mundo, a pandemia colapsou o sistema de saúde", "no Brasil, colapsou a educação".

Hoje, pouco após fazer o anúncio, Covas afirmou que, como a covid-19 é uma doença nova, o comportamento dela ainda está sendo conhecido.

"Eu gostaria muito de ter, desde o início do ano, uma regra clara para dizer: 'vamos fechar as escolas por tantos dias'. Estamos aprendendo a lidar com a doença, e isso não é exclusividade da cidade de São Paulo", disse.

Já os professores lamentam a decisão

A decisão de Covas, que tentará a reeleição para o cargo de prefeito este ano, acontece em meio a pressões de diferentes grupos sobre a reabertura das escolas ainda neste ano. Enquanto representantes de colégios privados dizem estar prontos para voltar, sindicatos de professores das escolas públicas e particulares são contrários à retomada.

No início da noite de hoje, o SinproSP (Sindicato dos Professores de São Paulo) informou que lamenta a decisão do prefeito de permitir a retomada das atividades presenciais na escolas e que isso pode favorecer uma segunda onda de contaminação da covid-19. "No entendimento do sindicato, os poucos meses que restam de 2020 deveriam servir para planejar a Educação dos próximos anos e preparar um retorno pleno em 2021", diz a nota.

O sindicato afirma ainda que "a narrativa pelo retorno a qualquer custo também ignora que as aulas nunca deixaram de ser ministradas, desde o início da pandemia. A despeito de todos os problemas, os professores trabalharam muito nos últimos seis meses e a Educação foi garantida."

Escolas vão discutir como será o retorno

Em meio à discussão, colégios particulares da capital devem definir nos próximos dias quais formato serão adotados para o retorno dos alunos, em outubro, para a realização das atividades extracurriculares.

Diretora-geral do Colégio Rio Branco, Esther Carvalho diz que a escola começará a fazer amanhã uma pesquisa com os pais para saber quais são as principais necessidades deles e dos alunos neste momento.

"Com esse olhar dos pais é que vou configurar as atividades e os cenários. Quanto mais a gente puder acolher o que eles precisam, melhor. Não vai ser feito com trabalho pedagógico, mas com outras atividades não curriculares", afirma.

Entre as atividades que podem ser oferecidas, conta, estão atividades esportivas, desde que mantido o distanciamento, e atividades de artes e música. Para os alunos menores, há ainda a possibilidade de atividades de contação de histórias.

"É importante nesse momento a gente começar as atividades nas escolas, dentro do que for possível, para começar a trazer as crianças e os professores para a rotina, para colocarmos os protocolos em andamento", diz.

Wagner Borja, diretor do Gracinha, conta que o colégio pretende realizar atividades focadas no acolhimento, "reconhecendo o problema de saúde mental que esse isolamento causa nos alunos", e também um reforço físico, com atividades como ioga e mindfulness.

Segundo ele, há uma preocupação maior com os alunos do 3º ano do ensino médio e com os alunos dos primeiros anos do ensino fundamental.

"Ainda que esses sejam os grupos que mais precisam, nossa intenção é criar uma possibilidade para que todos os grupos sejam chamados em algum momento para ir à escola. Certamente com algum rodízio, respeitando a questão de ocupação máxima."

A diretora Luciana Fevorini, do Colégio Equipe, diz que há uma preocupação maior com os alunos do 3º ano do médio e com outras turmas de fechamento de ciclo, como o 5º e o 9º ano do fundamental.

"Na nossa avaliação, para elas, o impacto de não voltar à escola foi maior —inclusive nas atividades online. A gente acredita que marcar atividades [presenciais] para eles pode até ressignificar o engajamento nas atividades online", afirma.

Segundo ela, entre as atividades que podem ser realizadas estão as físicas e também "rituais" que eram feitos antes na passagem de ciclos, como a pintura de um muro pela turma. O colégio também irá enviar um questionário para pais e professores para saber como eles avaliam a possibilidade de retorno parcial de forma presencial à escola.