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SP: Taxa de alunos com covid na rede municipal é quase dobro da particular

Números são resultado de inquérito sorológico na cidade de São Paulo - iStock
Números são resultado de inquérito sorológico na cidade de São Paulo Imagem: iStock

Ana Carla Bermúdez, Emanuel Colombari e Lucas Borges Teixeira

Do UOL, em São Paulo

17/09/2020 12h45Atualizada em 17/09/2020 17h19

Alunos da rede municipal de São Paulo têm uma taxa de infecção do novo coronavírus duas vezes maior do que os alunos da rede privada. Os números são da terceira fase do inquérito sorológico feito com crianças na cidade entre 1º e 3 de setembro.

Segundo os testes, 18,4% dos alunos da rede municipal apresentaram anticorpos para o Sars-Cov-2, o que indica que já tiveram contato com o novo coronavírus, enquanto na rede privada taxa cai para 9,7%.

O índice também é superior entre alunos da rede estadual: 17,2%. Ao todo, 16,5% alunos pesquisados tiveram contato com o vírus. Pela projeção, isso representa 244.242 estudantes.

Esta é a terceira fase do inquérito sorológico e a primeira a contar com a rede privada - nas fases 1 e 2, o inquérito foi feito apenas com escolas municipais.

Na pesquisa de abrangência municipal, 16,1% apresentou anticorpos na primeira fase, com 18,3% na segunda fase. Para a terceira fase, o número se manteve praticamente estável, com 18,4% de estudantes da rede municipal apresentando anticorpos para a covid-19.

Na rede estadual, 17,2% dos estudantes apresentaram anticorpos nessa terceira fase do inquérito. Na rede particular, o número é bem menor: 9,7%. Os dados foram coletados em uma amostra de 6 mil alunos, entre os dias 1º e 3 de setembro.

Volta às aulas

O resultado da terceira fase do inquérito vem no momento em que o prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), sofre pressão de diferentes grupos sobre a reabertura das escolas na cidade. Por um lado, sindicatos de professores de escolas públicas e particulares são contrários à retomada das atividades em 2020. Já os representantes de colégios privados dizem estar prontos para voltar.

O Sinpro-SP (Sindicato dos Professores de São Paulo), que representa os docentes da rede privada em todo o estado, encaminhou nesta semana um material em que defende a volta das atividades presenciais apenas em 2021 para a prefeitura, a Câmara dos Municipal e as secretarias de Educação e Saúde do município.

O Sieeesp (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino no Estado de São Paulo), sindicato patronal que representa cerca de 10 mil escolas particulares de pequeno e médio porte em todo o estado paulista, tem defendido que as escolas têm condições para voltar a receber os alunos desde o mês de julho. O sindicato chegou a entrar na Justiça para pedir a liberação do funcionamento das unidades escolares no mês de setembro, mas o pedido foi negado.

A gestão do governador João Doria (PSDB) liberou a abertura de escolas públicas e particulares no estado de São Paulo a partir de setembro para a realização de atividades de reforço e acolhimento dos alunos. Covas, no entanto, decidiu não seguir a decisão do estado. No fim de agosto, o prefeito chegou a admitir a possibilidade de que as aulas voltariam apenas em 2021 na capital.

Covas utilizou os resultados das duas primeiras fases do inquérito sorológico como argumento para a decisão de não permitir a reabertura parcial em setembro. Isso porque, na avaliação da Prefeitura, os dados apontavam para um potencial de disseminação silenciosa do coronavírus entre escola, família e comunidade.

A primeira fase do inquérito apontou que 16,1% dos alunos possuíam anticorpos contra o novo coronavírus e, portanto, foram infectados pela covid-19. Na segunda, a taxa passou para 18,3%. Os levantamentos também indicaram uma alta proporção de assintomáticos —que foi de 64,4% na primeira fase e de 69,5% na segunda.