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Podemos reavaliar pensamentos sobre homeschooling, diz ministro da Educação

O ministro da Educação, Milton Ribeiro - Cláudio Reis/Framephoto/Estadão Conteúdo
O ministro da Educação, Milton Ribeiro Imagem: Cláudio Reis/Framephoto/Estadão Conteúdo

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

07/12/2020 18h35

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, disse hoje que as transformações decorrentes da pandemia do novo coronavírus podem levar a sociedade a reavaliar seus pensamentos sobre a educação domiciliar, também chamada de homeschooling.

Em referência às mudanças de rotina devido à necessidade do isolamento social, Ribeiro declarou que os lares brasileiros "foram convertidos emergencialmente em espaços de estudo e de trabalho", onde pais, professores e estudantes tiveram de desenvolver suas atividades laborais, de ensino e de aprendizagem.

Em seguida, afirmou: "aqui eu ouso dizer, só a título de quase provocação, que é alguma coisa que nós podemos reavaliar os nossos pensamentos e sentimentos a respeito do homeschooling, depois de tudo o que passamos".

A prática do homeschooling não é permitida no Brasil por decisão do STF (Supremo Tribunal Federal), que em setembro de 2018 entendeu não haver uma lei que regulamente o ensino domiciliar no país. A pauta é cara ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e também é apoiada por grupos religiosos e conservadores.

Em 2019, o governo chegou a dizer que enviaria uma Medida Provisória ao Congresso para tratar sobre o tema, mas acabou encaminhando uma proposta de projeto de lei. Essa proposta, no entanto, não avançou na Câmara até hoje.

Ensino presencial

Ribeiro participou hoje do 8º Fórum Nacional Extraordinário da Undime (União dos Dirigentes Municipais de Educação), promovido de forma totalmente virtual. Em sua fala, o ministro também fez uma defesa do ensino presencial, apesar de destacar a importância do ensino remoto.

"O ano de 2020 foi atípico. O confinamento de estudantes e professores, decorrente dessa pandemia, acelerou um processo de transformações substanciais no campo da educação", afirmou. "Mas quero dizer, apesar de alguns não concordarem, o que penso sobre as questões digitais. [São] muito bem-vindas, muito apropriadas, mas a aula presencial e a figura do professor são insubstituíveis no ensino e no aprendizado."

Para Ribeiro, ainda não estamos em um tempo em que é possível "dispensar" a figura e o impacto do professor, cujo ânimo deixa marcas e impressões na vida de seus alunos.

"Eu posso não ter nenhuma conexão, posso não ter estrutura e nem métodos mais modernos, mas se eu tiver um bom professor e reunir os alunos embaixo de um toldo, de uma árvore, posso ter uma educação, uma alfabetização", afirmou o ministro.

O tema das aulas presenciais foi centro de polêmica recente envolvendo o MEC (Ministério da Educação) e o nome do ministro. Na semana passada, Ribeiro publicou uma portaria que determinava a retomada presencial das atividades em instituições federais de ensino superior para o mês de janeiro.

A medida não foi bem recebida por reitores e membros da comunidade acadêmica. Após a publicação da portaria, Ribeiro se reuniu com os dirigentes. Depois disso, decidiu manter a autorização para as atividades remotas, mas não informou até quando.