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Escolas privadas e estaduais de SP flexibilizam critérios de reprovação

Devido à pandemia, etapas da rotina de fim de ano foram alteradas - iStock
Devido à pandemia, etapas da rotina de fim de ano foram alteradas Imagem: iStock

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

05/12/2020 04h00

Tradicionalmente, a chegada do mês de dezembro é sinônimo de recesso escolar e fim do ano letivo nas escolas públicas e particulares. Com a pandemia do novo coronavírus, no entanto, algumas etapas dessa rotina de fim de ano foram alteradas.

Isso porque colégios de todo o país tiveram que ficar fechados por cerca de seis meses —período em que alunos e professores se viram obrigados a se adaptar ao ensino remoto. Mas esse processo não aconteceu sem dificuldades, como o acesso às ferramentas tecnológicas e a aprendizagem no ambiente online. Como fica, então, o fim do ano letivo? Vai haver reprovação dos alunos ou todos vão passar de ano automaticamente?

O CNE (Conselho Nacional de Educação) recomendou, em julho deste ano, que escolas públicas e particulares evitem a reprovação de alunos em 2020 devido à pandemia do coronavírus. A decisão final, no entanto, caberá às redes de ensino.

Em colégios particulares de São Paulo consultados pelo UOL e também na rede estadual paulista, haverá reprovação, mas com uma certa flexibilização nos critérios. Na rede municipal da cidade de São Paulo, por outro lado, a orientação é a de não reprovar os estudantes.

Critérios adaptados

Segundo os responsáveis por escolas privadas, a análise sobre uma eventual retenção do aluno será feita com atenção especial, levando em conta o histórico do aluno e até mesmo questões emocionais devido à pandemia.

"É preciso olhar cada caso com muita particularidade", afirma Ligia Mori, diretora pedagógica do Gracinha. Segundo ela, a escola terá reprovação, mas apenas para "casos extremos": "aluno que participou pouco, que entregou poucas atividades".

Segundo ela, os critérios para uma eventual reprovação não serão os mesmos de um ano regular. Serão considerados os "altos e baixos" emocionais devido à pandemia e também as dificuldades na adaptação para o ensino remoto. "Não é seguir a média nua e crua. É olhar para a história do aluno", afirma.

"Outro olhar"

Coordenadora pedagógica da escola Stance Dual, Denise Jardim afirma que é preciso ter um "outro olhar neste momento".

Tivemos alunos em que a família inteira teve covid e as crianças ficaram muito desestabilizadas. Essas crianças puderam fazer aulas de apoio, depois tiveram atividades extras, porque ficaram ausentes muito tempo"
Denise Jardim, coordenadora pedagógica

O cenário é semelhante no colégio Rio Branco, que também terá reprovação. A escola manterá os critérios objetivos (que consideram as notas obtidas pelos alunos) e também o conselho de classe, responsável por avaliar cada caso em que haja possibilidade de retenção.

"Mas certamente teremos critérios mais flexíveis para analisar eventuais casos que cheguem ao conselho devido ao ano que tivemos", afirma Renato Júdice, diretor da Unidade Higienópolis do Rio Branco.

Engajamento com a escola

Na rede estadual, alunos que não entregarem um mínimo de atividades ao longo do ano serão reprovados, conforme afirmou o secretário Rossieli Soares ao UOL. A definição sobre a quantidade de atividades corresponderá a esse mínimo fica a cargo de cada escola.

Henrique Pimentel, subsecretário de articulação regional da secretaria estadual de Educação, afirma que a orientação é para que seja analisado, sobretudo, o engajamento do aluno com a escola, e não apenas o seu desempenho.

"Estamos querendo dar o máximo de oportunidades para esse estudante não reprovar, não ficar retido ao final desse ano letivo", diz.

Rede municipal não terá reprovação

Já a rede municipal de São Paulo decidiu por não reprovar dos seus alunos neste ano. Segundo a prefeitura e a secretaria municipal de Educação, a medida segue indicações feitas pelos Conselhos de Educação.

Em nota, a prefeitura disse ainda que, neste ano, os estudantes passaram por avaliações para entender como foi a aprendizagem durante o período de afastamento social.