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SP: Sem garantia de vacina, sindicato de professores não descarta greve

Para sindicato, não é possível retornar sem que professores sejam incluídos no grupo prioritário da vacina - iStock
Para sindicato, não é possível retornar sem que professores sejam incluídos no grupo prioritário da vacina Imagem: iStock

Ana Carla Bermúdez

Do UOL, em São Paulo

17/12/2020 15h04

Sindicato que representa os docentes da rede estadual de São Paulo, a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de SP) não descarta a possibilidade de greve dos professores caso as aulas sejam retomadas de maneira presencial em 2021 sem que eles sejam incluídos no grupo prioritário da vacinação contra a covid-19 pelo governo João Doria (PSDB).

Vai ter que todo mundo ir para a sala de aula para entender que é um ambiente de aglomeração. Sala fechada é perigoso."
Maria Izabel Noronha (PT-SP), presidente da Apeoesp

"Precisamos de segurança, a gente tem que ter uma vacina. É preciso colocar os trabalhadores da educação na primeira fase [de vacinação], junto com os servidores da saúde", diz a deputada Maria Izabel Noronha (PT-SP), presidente do sindicato.

Hoje, o governo de São Paulo anunciou uma mudança nos critérios para a abertura das escolas em meio à pandemia do coronavírus. O estado passará a permitir que escolas públicas e particulares recebam alunos de forma presencial até mesmo na fase vermelha do Plano São Paulo, que corresponde aos piores índices da pandemia.

Até o momento, não há garantia de que os docentes serão vacinados antes do início do ano letivo de 2021.

No estado de São Paulo, há a possibilidade de a vacinação ter início em 25 de janeiro, segundo o governador João Doria (PSDB). Mas, nesta primeira etapa, será dada prioridade a idosos e servidores da área da saúde.

Segundo o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, há discussões sobre a inclusão dos professores na segunda fase de vacinação, que acontecerá para pessoas com comorbidades e outras doenças. Ainda não há data, no entanto, para o início desta etapa.

Para Bebel, a não inclusão dos docentes na primeira fase do plano de vacinação acontece por "falta de vontade" do governo. Segundo ela, trata-se de cerca de 250 mil diretores e professores na ativa, número que a presidente do sindicato não considera grande.

"Se não vacinar os professores, não vamos [voltar]. Não está sendo acertando a vacina, não está encaminhada? Então por que não vacinar?", diz a deputada.

O secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, disse hoje não ser possível "vincular uma vacinação com a volta às aulas".

"Obviamente professores e outros profissionais que são fundamentais para nossa sociedade precisam ser prioridade [na vacinação]. Mas não podemos esperar a volta às aulas só quando tivermos a vacinação completa. Não tem para crianças previsão [de vacinação] em 2021", disse Soares.

Também presente na coletiva de imprensa realizada hoje, Luciana Becker, médica infectologista e representante do Programa Ciência na Escola, apresentou dados sobre a transmissibilidade e a infecção pelo vírus em crianças.

"Apesar do que supomos no início, crianças não são superdimensionadoras das doenças. Crianças se infectam 2 a 5 vezes menos do que os adultos", afirmou.

Segundo ela, a chance de as crianças transmitirem o vírus diminui conforme a idade e são "raras" as complicações com desfechos clínicos negativos —em torno de 0,6%.

A grande maioria das crianças é assintomática ou apresenta sintomas leves e transmitem menos. Com medidas de prevenção simples, como distanciamento, higiene, uso de máscara, ventilação e controle de pessoas sintomáticas, a escola pode ser segura para todos."
Luciana Becker, representante do Programa Ciência na Escola