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Não vou forçar aluno a vir na pandemia, diz diretora de escola de SP

Heloísa Tavares, diretora da Escola Estadual Brigadeiro Gavião Peixoto, em São Paulo Imagem: Luís Adorno/UOL

Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

08/02/2021 11h46Atualizada em 08/02/2021 14h13

Diretora da maior escola estadual de São Paulo, Heloísa Tavares afirma que, enquanto seus alunos não sentirem segurança o suficiente para retornar às aulas presenciais em meio à pandemia do novo coronavírus, não forçará nenhum deles a ir, sobretudo os que estão em grupos de risco. Já os alunos que desejarem ir, serão acolhidos.

"Eu esperava que viriam mais alunos hoje. Acredito que amanhã virão mais, porque um aluno vai falando que está tranquilo para o outro e eles começam a ter mais confiança. Mas eu perdi minha mãe, não vou forçar aluno a vir no meio da pandemia, afirmou a diretora da Escola Estadual Brigadeiro Gavião Peixoto, no bairro de Perus, zona norte.

Nas fases amarela, laranja e vermelha do plano de flexibilização paulista, onde todo o estado se encontra atualmente, a escolha de ir ou não à aula é do aluno e da família dele. A presença física só poderá ser cobrada a partir da fase verde do plano. Ou seja, os estudantes podem continuar acompanhando as aulas remotamente.

No primeiro dia de retorno presencial na escola, dos 350 estudantes esperados, apenas 110 compareceram. Havia distanciamento nas salas de aula e material escolar individual. Professores e alunos estavam de máscaras. Frascos de álcool em gel também estavam disponíveis nas salas e nos corredores.

Heloísa, que cresceu em Perus, estudou a vida inteira na escola que hoje é diretora. Ela conta que a mãe dela não teve covid-19, mas morreu de maneira indireta por conta da pandemia.

"Ela teve um mal-estar. Levamos para o hospital do Servidor Público. Foram pedidos alguns exames do coração. Quando ia fazer o retorno, o cardiologista dela morreu de covid. Ela ficou sem passar. Uma semana depois, ela infartou. A covid tem desdobramentos", disse.

Na escola, houve registro de uma professora morta após ter sido infectada pelo novo coronavírus. De acordo com professores da escola, ela não foi infectada no ambiente escolar. "A professora Ivana era do grupo de risco, tinha pressão alta. Ela testou positivo no final de novembro do ano passado, ficou bastante tempo internada. Quando ela melhorou, também infartou e não resistiu", relembrou.

08.fev.2021 - Material escolar individual fornecido aos alunos da escola estadual Brigadeiro Gavião Peixoto, em São Paulo, na retomada das aulas presenciais Imagem: Luís Adorno/UOL

Socialização e alimentação

A vice-diretora da escola, Priscila Salvatico, viveu no bairro por duas décadas e também sempre estudou na Gavião Peixoto. Para ela, é desconexo dizer que as aulas voltaram, porque ela diz que não parou em nenhum momento: Sempre esteve na escola imprimindo atividades ou entregando itens aos alunos e familiares.

Priscila disse entender que há prós e contras no retorno dos alunos às aulas presenciais. "A gente entende a necessidade. A escola faz falta, é a esperança e o futuro. Pode ser feita remotamente, mas cada escola tem sua peculiaridade", afirmou.

"Dentro do contexto que nós vivemos, dentro da periferia, a escola tem muitos papeis. Tem a socialização, a alimentação, a vida", acrescentou a vice-diretora.

Entre os alunos que decidiram ir no primeiro dia, os principais argumentos para retornos giravam em torno de saudades de colegas e professores, dificuldade de acessar o sistema online disponibilizado pelo governo e a merenda.

Na entrada da escola, foi desenhada uma árvore de desejo para 2021. Os alunos podiam escrever o que quisessem em um post-it e colar na árvore. O primeiro desejo exposto lá era "Saúde".

Retorno em meio à greve

De acordo com a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de SP), os professores estão em greve, mas continuarão lecionando aulas virtualmente hoje. Durante a manhã, todos os professores foram à maior escola estadual de São Paulo.

O sindicato diz que instruiu os professores a conversarem com pais e alunos para não irem às escolas hoje e seguirem acompanhando as aulas online. O modelo foi aprovado em assembleia virtual por 80% dos professores.

O governo de SP, no entanto, por meio da secretaria de Educação, diz que "tomará as medidas judiciais cabíveis" contra a greve e que as "faltas não justificadas pelos profissionais serão descontadas".

A Secretaria Estadual de Educação e a Apeoesp afirmaram que divulgarão um balanço sobre o primeiro dia de retorno às aulas presenciais durante a tarde de hoje.

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