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Desorientadas, escolas particulares do Rio abrem mesmo após suspensão

Prefeitura do Rio diz que recorrerá de decisão que suspendeu volta às aulas - iStock
Prefeitura do Rio diz que recorrerá de decisão que suspendeu volta às aulas Imagem: iStock

Daniele Dutra

Colaboração para o UOL, no Rio de Janeiro

05/04/2021 14h10

Pais, alunos e professores foram surpreendidos na manhã de hoje com a decisão do TJRJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro) em suspender as aulas presenciais previstas para retornarem hoje. Segundo o Sinep (Sindicato das Escolas Particulares), eles foram informados sobre liminar na madrugada desta segunda-feira. Algumas escolas funcionaram normalmente e alegaram não ter recebido a notificação. Até o momento, 48 intuições mantiveram o funcionamento, segundo o Sinpro- Rio (Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro).

A Escola Eleva, com unidades na zona sul e zona oeste da cidade, foi uma das que funcionaram durante a manhã de hoje. Em nota, a instituição explicou que analisa a liminar do Plantão Judicial do Tribunal de Justiça, em que o Município do Rio de Janeiro é parte, mas que, por enquanto, a instituição de ensino segue com suas atividades presenciais nas unidades de Botafogo e da Barra por embasamento jurídico de decretos e determinações de autoridades competentes do município e do estado.

Diretor do Sinep há cinco anos, Lucas Machado explica que foram pegos de surpresa com essa decisão: "Ninguém imaginava que uma decisão dessas fosse ocorrer na madrugada de segunda-feira. Todo mundo foi pego de surpresa e algumas escolas não tiverem tempo hábil de fazer a comunicação. Chegaram a abrir, mas mandaram os alunos para casa. Sobre as escolas que continuam abertas, a decisão compete a cada uma delas. Nossa orientação é seguir a decisão judicial, mantendo as atividades não presenciais nesse momento", disse.

"Eu não sei as particularidades dessas instituições, muitos não conseguiram avisar as famílias e acabaram ficando com os alunos. Uma decisão de última hora não prejudica apenas as escolas, mas sim aos pais que não têm com quem deixar as crianças e os professores que se deslocaram em vão."

Algumas instituições funcionaram normalmente durante a manhã, mas decidiram suspender as aulas no turno da tarde, como o colégio Santo Agostinho, na Barra da Tijuca e o Alfa Cem, em Jacarepaguá, que enviou um comunicado aos responsáveis explicando a decisão judicial.

'Emaranhado de decretos e liminares'

Já o Colégio Hélio Alonso no Méier, zona norte do Rio, enviou um comunicado por WhatsApp e mandou pra casa o único aluno que apareceu na escola: "Até o momento só apareceu um aluno do horário integral, que estava com o pai. Nós explicamos o teor da liminar e ele retornou com o filho. Utilizamos grupos das turmas no WhatsApp para essas comunicações urgentes e tem funcionado bem, mas é complicado essa indefinição, essa falta de uma política clara e unificada. A gente fica totalmente perdida nesse emaranhado de decretos e liminares", explicou a diretora Lucia Assis.

De acordo com o Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro (Sinpro- Rio), a maioria das escolas seguiu fechada, não desobedecendo a liminar que resulta em uma multa de R$ 50 mil. Em um universo de 2.000 instituições, entre creches, escolas e universidades, segundo levantamento do sindicato, menos de 20% das escolas se posicionaram em abrir. A grande maioria se posicionou em manter as aulas remotas.

Prefeitura ainda não foi notificada

O Secretário Municipal de Educação Renan Ferreirinha (PSB), também foi surpreendido com essa liminar. Ele explicou que ainda não foram notificados formalmente sobre a decisão do plantão judiciário de ontem: "Já conversei com o Prefeito Eduardo Paes e iremos recorrer assim que formos notificados", disse.

"A Procuradoria do Município já foi avisada e está reunindo os argumentos necessários. Nós sempre fomos muito cuidadosos com o protocolo de segurança do retorno das aulas, baseado em práticas mundiais e montamos um comitê científico que foi validado pelo Secretário de Saúde Daniel Soranz. Decisão Judicial se aceita, se cumpre, mas iremos recorrer e aguardar uma nova, até que se tenha uma segurança jurídica", explicou o secretário.