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SP: Só 1 em 4 escolas estaduais tem capacidade para receber 100% dos alunos

Estudantes no primeiro dia de aula presencial na Escola Estadual Raul Antônio Fragoso, em Pirituba, na zona oeste de São Paulo - Rubens Cavallari/Folhapress
Estudantes no primeiro dia de aula presencial na Escola Estadual Raul Antônio Fragoso, em Pirituba, na zona oeste de São Paulo Imagem: Rubens Cavallari/Folhapress

Ana Paula Bimbati

Do UOL, em São Paulo

02/08/2021 14h55

Das 5.130 escolas estaduais de São Paulo, apenas 1.251 têm estrutura física para receber 100% dos alunos de volta mantendo o distanciamento mínimo recomendado de 1 metro entre as pessoas para impedir a propagação do novo coronavírus. Os dados foram informados hoje pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo.

A maioria das escolas das redes pública e privada começou o segundo semestre hoje. Antes, os colégios estavam autorizados a receber no máximo 35% dos alunos matriculados e deveriam cumprir o distanciamento de 1,5 metro.

Com o aval do Centro de Contingência do Coronavírus, o estado acabou com o fim do percentual e diminuiu o distanciamento.

Para o secretário estadual de Educação, Rossieli Soares, uma vez que as famílias têm a opção de aderir ou não ao retorno presencial, é possível que a demanda de alunos não chegue aos 100%. Por outro lado, também segundo ele, a adesão das famílias pela aula presencial tem aumentado.

A família tem a opção, então em muitas escolas terão menos [alunos] que isso [o total matriculado]."
Rossieli Soares, secretário estadual de Educação

Mais cedo, ele havia informado que 68 cidades no estado têm decretos proibindo o retorno presencial das aulas. Cerca de 91 mil alunos da rede estadual estão nesses municípios, que contam com 194 escolas, 4% do total.

"A maior desigualdade que a gente tem que competir não é com a escola privada, não me preocupa essa desigualdade neste momento. Me preocupa a desigualdade dentro dessa sala de aula onde um menino conseguiu avançar mais na alfabetização do que outro", afirmou.

A pasta calcula que em 90% das escolas estaduais, todas as famílias demonstraram interesse pelo retorno ao presencial. Por enquanto, as unidades têm atuado em esquema de revezamento.

De acordo com o secretário é possível que o retorno seja obrigatório a todos já a partir de setembro. Para isso, serão estudados os índices da pandemia nas primeiras semanas de agosto junto à secretaria de Saúde, afirma Rossieli.

Procurada pela UOL, a pasta não retornou sobre como estuda solucionar a questão dos rodízios nas unidades do estado. Se enviado um posicionamento, ele será publicado.

Reportagem da Folha de S.Paulo comparou colégios privados e públicos e apontou que alunos das particulares terão aulas presenciais todos os dias, enquanto estudantes da rede pública continuam com revezamento.

Rossieli projeta, ainda, que o número de abandono escolar apresente alta após o retorno. "O Brasil tem sido um desastre na condução da Educação, não priorizou da maneira correta", disse o secretário ao falar que o país ficou 43 semanas com escolas fechadas. Há estados ainda que não retornaram ao presencial.

Na rede municipal, a gestão de Ricardo Nunes já havia informado que apenas as creches terão uma limitação de 60% e não vão fazer rodízio.

Ao todo, 589 EMEIs (Escolas Municipais de Educação Infantil) terão de fazer revezamento. As demais escolas poderão receber todos os alunos ao mesmo tempo.