Reajuste de escola pode chegar a 8%, diz Sieeesp

José Maria Tomazela, com colaboração de Isabela Palhares

Sorocaba

  • Apu Gomes/Folhapress

    Índices de inadimplência na rede privada de SP estão um pouco mais baixos este ano

    Índices de inadimplência na rede privada de SP estão um pouco mais baixos este ano

O reajuste nos contratos para os alunos da rede particular de ensino deve oscilar entre 4% e 8% em 2018, segundo previsão do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (Sieeesp). Na média, o aumento pode ficar um pouco acima da meta de inflação do governo para este ano, de 4,5%.

De acordo com o presidente do Sieeesp, Benjamin Ribeiro da Silva, os colégios seguem uma planilha de custos que é reajustada em índices superiores ao da inflação.

Além disso, o setor vive a incerteza de uma possível mudança, pelo governo federal, na forma de cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), um imposto sobre serviços gerais, que passaria a ser cumulativo. Assim, explica Silva, as escolas não poderiam abater impostos já pagos por prestadores de serviços.

"A escola vai fixar a mensalidade futura sem ter certeza sobre essa mudança, que pode alterar sua planilha de custos. Por isso é necessária uma margem de segurança", disse Silva.

O sindicato tem recomendado aos mantenedores que elaborem planilhas de custos distintas para cada ciclo. "Não se pode trabalhar com planilha única para o ensino infantil, fundamental e médio, pois os custos são diferentes." Pela lei, as escolas precisam definir as anuidades até 45 dias antes do início do ano letivo. Na prática, segundo o presidente do Sieeesp, a maioria dos estabelecimentos define o índice entre setembro e outubro, quando fazem o planejamento para o ano seguinte.

Silva afirma que, apesar da crise enfrentada pelo País, a escola particular não perdeu alunos para o ensino público. "Houve migração interna, mas mantivemos nossa clientela. No ano passado, que foi o mais crítico, a escola particular cresceu 1,4%."

Os índices de inadimplência na rede escolar privada do Estado estão um pouco mais baixos este ano que em 2016, o que Silva considera um dado positivo para o setor.

Em julho, em todo o Estado, 8,63% dos alunos não pagaram em dia as mensalidades - no mesmo mês do ano passado, a inadimplência foi de 9,24%. Na capital, o índice recuou de 14,05% em julho de 2016 para 13% neste ano.

Negociação

A coordenadora de vendas Andrea Sternadt, de 37 anos, já começou a negociar descontos com as escolas Castelinho Branco, na Bela Vista, e Santo Agostinho, na Liberdade, onde estudam suas filhas de 6 e 13 anos, respectivamente.

Em 2016, ela pensou em mudar a menor para o mesmo colégio da mais velha para conseguir um desconto maior. "Mas a direção da escola foi muito sensível e ofereceu uma bolsa de 50% para que eu a mantivesse. Não tive dúvida e preferi deixá-la, porque ela adora o colégio, os professores, os amigos."

Em abril, o pai das meninas faleceu, e o Colégio Santo Agostinho ofereceu uma bolsa de 50% para a outra filha. "Foi um momento muito difícil. Além do aspecto emocional, a parte financeira também pesou. Mas a escola foi muito sensível, e tive a certeza da escolha."

Para 2018, Andrea já conseguiu manter a bolsa de 50% no Colégio Castelinho Branco e se prepara para conversar no Santo Agostinho para manter a bolsa. "Infelizmente, sem esse desconto eu não consigo manter as meninas nessas escolas."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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