Extração mineral: Atividade tende a aumentar com crescimento econômico mundial

Luiz Carlos Parejo

O mineral é definido como uma massa formada geralmente por processos inorgânicos e de composição química predominantemente definida, encontrada de forma natural na superfície da Terra e quase sempre sólida.

Alguns autores consideram a água mineral e o mercúrio minerais que se encontram em estado líquido à temperatura ambiente. Minério é considerado o mineral ou associação de minerais que são ou podem ser aproveitados economicamente.

Jazida, mina, lavra

O depósito mineral é conhecido como jazida e quando ele é explorado é chamado de mina. A exploração da mina é chamada de lavra.

A lavra pode ocorrer na forma de garimpagem, quando se utilizam métodos rudimentares e em jazidas em que não foram realizados estudos prévios. No período colonial, o termo garimpagem se relacionava à exploração do diamante e o termo "faiscagem", à exploração do ouro.

Atualmente a palavra garimpagem pode ser utilizada para designar a extração, geralmente manual, de ouro, cassiterita, diamante, esmeralda, topázio etc. O garimpo mais conhecido do Brasil foi o de Serra Pelada, na Província Mineral de Carajás, no Pará, onde, no início dos anos de 1980, se concentraram milhares de pessoas em busca do ouro.

Quando a lavra ocorre em grande escala e com métodos modernos, geralmente é chamada de indústria extrativa mineral ou extração mecanizada.

Minério de ferro

A extração do minério de ferro é uma das atividades mais importantes do setor para a economia brasileira. O minério de ferro, o ferro fundido e o aço correspondem conjuntamente a cerca de 9,7% do total das exportações brasileiras. Enviados principalmente para os EUA, representam o mais importante item da pauta de exportações do país.

Em 2005, o Brasil produziu cerca de 281,86 milhões de toneladas de minério de ferro. O maior produtor mundial foi a China e o Brasil, o segundo.

O Brasil é o maior produtor de nióbio (95,2% da produção do mundo), o segundo em manganês (depois da África do Sul), tântalo (depois da Austrália) e alumínio (depois da Austrália). O país está, além disso, entre os cinco maiores produtores do mundo em crisotila, magnesita, grafita, vermiculita, caulim e estanho.

Impactos ambientais e sociais

A extração mineral pode causar inúmeros impactos ambientais e sociais. Dejetos do processamento dos minérios podem contaminar o lençol freático e os mananciais (rios e lagos usados para o abastecimento de água).

A garimpagem do ouro utiliza mercúrio, pois esse elemento reage quimicamente com o ouro e forma um amálgama (isto é, o ouro se liquefaz como o mercúrio). Para separá-los, a mistura é aquecida e o mercúrio evapora, poluindo o meio ambiente. Uma parte do mercúrio (que provoca danos graves ao ambiente e à saúde da população) permanece misturada com a lama e é jogada diretamente nos rios.

Dejetos de manganês deixados pela Icomi (Indústria e Comércio de Mineração - empresa criada com a associação da empresa norte-americana Bethlehem Steel Corporation e a brasileira Caemi, com produção destinada quase exclusivamente para os Estados Unidos) são cancerígenos.

A ocorrência de câncer nas áreas de extração de manganês na Serra do Navio (AP) é proporcionalmente cinco vezes maior que a média brasileira. Além disso, dejetos de chumbo já causaram a morte de dezenas de pessoas na Bahia e no Paraná.

Chuva ácida e assoreamento

A produção mineral do chumbo, mercúrio, zinco, cobre e prata pode resultar na liberação de enxofre na forma de SO2 para a atmosfera, causando chuva ácida.

A abertura de mina a céu aberto ocasiona a retirada da vegetação nativa e os materiais desagregados do processo de extração acabam sendo levados aos rios e lagos. Isso provoca o assoreamento, que obstrui, com areia ou outros sedimentos, rios e canais, em conseqüência da redução da correnteza. O pó suspenso no ar causa, nas pessoas que têm contato permanente com ele, doenças respiratórias gravíssimas.

A mineração costuma dinamizar economicamente uma região ou cidade, que passa a crescer e a depender cada vez mais da atividade mineradora. Quando, porém, a atividade se esgota (e ela sempre se esgotará, mesmo que demore muitos anos), a cidade e sua população podem ficar sem alternativas. É por isso que os recursos econômicos originados da extração mineral devem ser destinados, também, para a diversificação das atividades econômicas e para o desenvolvimento regional mais amplo.

A atividade de extração mineral tende a se ampliar, pois o crescimento econômico mundial, principalmente da China e da Índia, vem provocando um aumento da demanda e dos preços internacionais das commodities (produtos primários, em estado bruto, de grande importância no mercado internacional, como minério de ferro, algodão, petróleo), aumentando os investimentos e a produção no setor.


 

Luiz Carlos Parejo é geógrafo e professor de colégios da rede privada e de cursos pré-vestibulares.

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