1ª Guerra Mundial: Todos os países participaram? Quem venceu?

Túlio Vilela, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação
(Material atualizado em 23/07/2013, às 17h)

Nem todos os países participaram da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), mas as principais potências da época estiveram envolvidas. A maioria dos principais países envolvidas na Primeira Guerra era do continente europeu. As batalhas mais importantes também se desenrolaram na Europa. Países de outros continentes também acabaram participando da guerra, mas se envolveram em função do que estava acontecendo na Europa. Entre os países não-europeus que participaram da guerra estavam os Estados Unidos e o Japão (que foram aliados na Primeira Guerra e inimigos na Segunda Guerra).

Quando a Primeira Guerra começou, quem detinha maior influência mundial era a Europa (especialmente a Inglaterra) e não os Estados Unidos, como acontece nos dias de hoje. Vale lembrar que, desde o início da guerra, a Inglaterra recebeu o apoio de outros países de língua inglesa localizados fora da Europa (com exceção dos Estados Unidos que entrou mais tarde), como o Canadá, na América do Norte, a Austrália e a Nova Zelândia, esses últimos localizados na Oceania.

O Brasil participou da Primeira Guerra?

O Brasil chegou a declarar guerra à Alemanha em 27 de outubro de 1917, meses após navios mercantes brasileiros serem afundados por submarinos alemães. Antes disso, o poeta Olavo Bilac fundou a Liga de Defesa Nacional, organização que defendia a entrada do Brasil na guerra e a implantação do serviço militar obrigatório. A marinha brasileira organizou uma esquadra para patrulhar o Atlântico, que em agosto de 1918 partiu da ilha de Fernando de Noronha rumo à África. Mas, já em Dacar, no Senegal, 156 tripulantes foram mortos pela chamada gripe espanhola, verdadeira epidemia que assolou o mundo naquela época, matando milhares de pessoas.

Em 10 de novembro, a esquadra chegou a Gibraltar, e no dia seguinte foi informada do fim da guerra. O Brasil também enviou uma equipe médica que prestou ajuda na França. A participação do Brasil na Primeira Guerra foi muito reduzida, ao contrário do que viria a acontecer na Segunda Guerra, em que o país teve uma participação bem mais atuante. Para a economia brasileira, a Primeira Guerra representou um período de crescimento: houve aumento das exportações brasileiras de matérias-primas e um crescimento das indústrias (numa época em que a maioria dos brasileiros ainda vivia no campo e não na cidade).

O que a Primeira Guerra tinha de diferente das guerras anteriores?

Antes de tudo, vale lembrar que "Grande Guerra" foi o nome dado ao conflito pelas pessoas que a viveram. O nome "Primeira Guerra Mundial" só surgiu com a Segunda Guerra Mundial, que envolveu um número de países maior do que a Primeira. Uma das grandes diferenças em relação às guerras anteriores foi ouso de novas armas que aumentaram em muito em capacidade de destruição: metralhadoras, gases venenosos, aviões e submarinos. Um único soldado armado com uma metralhadora podia matar a distância mais homens do que vários soldados armados com baionetas.

Os alemães foram os primeiros a utilizar armas químicas, entre as quais, estava o gás mostarda que asfixiava as vítimas e tinha grande poder de corrosão. Para se proteger dos ataques dessas armas químicas, os soldados ingleses foram os primeiros a usar máscaras de proteção. No início, os aviões eram usados apenas para observação e espionagem, mas logo passaram a ser usados também para ataques aéreos.

Os submarinos foram bastante utilizados pela marinha alemã para afundar tanto navios inimigos quanto navios mercantes de nações neutras que comerciavam com os países inimigos da Alemanha. Com essas novas armas, a cavalaria que era o orgulho dos exércitos, tornou-se praticamente obsoleta.

O número de baixas (mortos e feridos) na Primeira Guerra Mundial foi muito superior ao de guerras anteriores. Enquanto a Guerra franco-Prussiana (1870-1871) teve uma média estimada de quase novecentas baixas por dia, a Primeira Guerra Mundial teve uma média de pouco mais de cinco mil e quinhentas baixas por dia. Tudo isso contribuiu para acabar com a imagem romântica e heróica que muita gente tinha da guerra.

Quem venceu a Primeira Guerra?

Talvez, fosse mais adequado perguntarmos se houve vencedores. Não há dúvidas que a Alemanha foi a grande derrotada na Primeira Guerra. Quando a guerra acabou, Inglaterra, França e seus aliados foram aparentemente os grandes vencedores. Mas se considerarmos as condições em que a guerra terminou e o fato de que os tratados de paz firmados após o final do conflito não evitaram uma nova guerra (a Segunda Guerra Mundial), podemos afirmar que a médio e longo prazo todos acabaram perdendo.

O que foi o Tratado de Versalhes?

O Tratado de Versalhes, firmado em 1919, impôs duras condições à Alemanha, que foi obrigada a pagar altas indenizações à França. A própria escolha do local onde foi assinado o tratado era um indício do desejo de vingança dos franceses em relação aos alemães: a Sala dos Espelhos do Palácio de Versalhes, em Paris, o mesmo em que Bismarck, o responsável pela unificação da Alemanha, havia proclamado em 1871 o Segundo Reich (Segundo Império) alemão, após a derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana. Entre os vencedores, a França foi a principal responsável pelo Tratado de Versalhes. A própria Inglaterra chegou mesmo a defender a revisão do tratado, para aliviar as condições impostas à Alemanha. Os Estados Unidos não ratificaram o tratado.

Vários militares alemães jamais reconheceram a derrota alemã e sentiram-se traídos pelas condições impostas no Tratado de Versalhes. Na visão desses militares alemães, como a guerra havia acabado com um armistício, isto é uma trégua, era impossível reconhecer a derrota. Os italianos também sentiram-se traídos, porque apesar de terem lutado do lado dos vencedores, a Itália não recebeu os novos territórios prometidos. Esses ressentimentos iriam favorecer o surgimento de duas ditaduras: na Itália, o fascismo de Benito Mussolini, na Alemanha, o nazismo de Hitler. Uma nova guerra estava a caminho.

 
 

Túlio Vilela, Especial para a Página 3 Pedagogia & Comunicação formado em história pela USP, é professor da rede pública do estado de São Paulo e um dos autores do livro Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula (Editora Contexto).



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