Romantismo no Brasil (2): Características da prosa romântica

Antonio Carlos Olivieri, Da Página 3 Pedagogia & Comunicação

Ao lado do desenvolvimento material que o Brasil assistia no século 19 (período marcado pela Independência do Brasil), tomava impulso a atividade cultural nas principais cidades do país: surgiam teatros, bibliotecas e livrarias. No campo das mentalidades, da Europa para o Brasil, os ventos do romantismo sopravam nessa época. Aqui, essa escola correspondeu, nas palavras do crítico literário Antonio Candido, ao "episódio de tomada de consciência nacional, constituindo um aspecto do movimento de independência".

O romantismo no Brasil, aclimatado às circunstâncias da realidade de nosso território, iniciou-se em 1836, ano de publicação de "Suspiros Poéticos e Saudades", de Gonçalves de Magalhães, e foi até 1880/81 - considerando-se esses anos como o marco inicial do realismo, devido à publicação das "Memórias póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis e de "O mulato", de Aluísio Azevedo.


 

Romantismo verde-amarelo

Evidentemente, o contexto social em que surgiu e se desenvolveu o Romantismo nos países europeus não é o mesmo que se vai encontrar no Brasil das primeiras décadas do século 19. Por exemplo, seria incorreto identificar sem restrições nossa aristocracia com a nobreza da França ou da Inglaterra, assim como não se pode falar, no sentido estrito, de capitalistas e operários em nosso país até cerca dos anos 1920.

De qualquer modo, o ideário romântico encontrou ressonância em nossos intelectuais do século 19, associado particularmente ao nacionalismo, na medida em que essa característica romântica se revelava útil e agradável a uma nação cuja independência acabara de ser proclamada e que, como vimos, conhecia um período de grande prosperidade.

A consciência que o brasileiro tem de si, nesse momento de origem, assenta-se em noções acerca de nossa realidade, acertadamente chamadas de "mitos" nacionais, pelo professor Soares Amora, em seu livro "O Romantismo", e que se referem, conforme o próprio Amora:



  • à nossa grandeza territorial;
  • à majestade e opulência da Natureza no Brasil;
  • à "igualdade" racial gerada pela miscigenação (a união de todas as raças para a formação da nacionalidade);
  • à benevolência e a cordialidade do homem brasileiro;
  • à virtude dos costumes patriarcais (zelo da honra e da hospitalidade, por exemplo.);
  • às qualidades afetivas e morais da mulher brasileira;
  • à capacidade de alcançar um alto padrão civilizatório (em meio século);
  • Ao pacifismo inerente à política externa do país.

    Essas características influenciaram também a poesia do romantismo.

Antonio Carlos Olivieri, Da Página 3 Pedagogia & Comunicação é escritor, jornalista e diretor da Página 3 Pedagogia & Comunicação



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