Para pesquisadora, modelo do MEC de avaliação do ensino superior é insuficiente

Karina Yamamoto
Editora do UOL Educação
Em São Paulo

O modelo de avaliação do MEC (Ministério da Educação) para as instituições do ensino superior é insuficiente e privilegia as universidades públicas, segundo a pesquisadora Elizabeth Balbachevsky, docente da USP (universidade de São Paulo) que estuda o assunto.

"A avaliação está na mão do governo que é quem, também regula e permite [o funcionamento dos cursos] e a visão do governo é a da grande universidade. Falta a visão do empresariado, da sociedade", disse  Balbachevsky. Para ela, "o problema é que essa é a única avaliação que temos". A professora defende que associações de classe também avaliem os cursos de formação. "Seria interessante ver a associação dos designers fazendo avaliação", disse.

O diretor de regulação do ensino superior do MEC, Paulo Wollinger, concorda que seria importante ter outras entidades de olho na qualidade do ensino superior. No entanto, Wollinger lembra que a cultura de avaliação no ensino superior brasileiro ainda "está no começo". "A gente espera que haja mais instrumentos e mais formas de avaliar", diz.

Mais fácil para as públicas

"O índice que criaram [IGC, Índice Geral de Cursos] tem uma série de contaminações", disse a professora ao UOL Educação. Para ela, um dos problemas da avaliação é "misturar avaliação de inputs, como salas de aula e equipamentos, com resultados de outputs [o desempenho dos alunos no Enade, Exame Nacional de Desempenho de Estudantes]".

Em sua opinião, é mais "fácil" para as universidades públicas terem boa estrutura, uma vez que é financiada pelo Estado. Além disso, "a escola pública seleciona a nata da nata, mesmo com os programas de cotas". Ou seja, as instituições estaduais ou federais têm vantagem para alcançar bons índices tanto na parte da infra-estrutura quanto no desempenho dos alunos, uma vez que seus vestibulares concorridos selecionam os melhores estudantes da educação básica.

"A escola mediana do setor privado trabalha com alunos com deficiências graves [de leitura e aprendizagem] e o setor privado cresce mais que o setor público", pondera a acadêmica.

Já o diretor de regulação do ensino superior do MEC, Paulo Wollinger, afirma que o IGC foi criado levando em conta instituições de médio porte, que são maioria nessa etapa de ensino. "O IGC é a média ponderada do CPC (Conceito Preliminar de Curso) e do número de alunos - se um curso é ruim e tem muitos alunos, isso pesa mais", disse Wollinger. Para ele, não há privilégio algum em relação às universidades públicas.

Perspectiva mercadológica

Balbachevsky aponta ainda uma concentração, dentro do setor privado, de número de matrículas em instituições de grande porte. "É efeito do crescimento dos grandes grupos educacionais", explica.

"Desconfio de que [o crescimento de grupos maiores] seja resultado da pressão do MEC", disse a professora. "Quando [o MEC] pressiona por um perfil de instalações e de corpo docente, fica mais fácil para as faculdades privadas de grande porte."

Segundo a docente, o aumento das exigências tem seu lado bom uma vez que as instituições "ficam mais aparelhadas". No entanto, ela aponta que há um lado negativo que a predominância da "visão mercantilista" da educação.

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